O poemas deste Gris, coletânea que reúne 50 poemas de Cida Pedrosa, trazem uma mostra significativa a produção desta autora cuja obra se alimenta da urbe e se confunde com o estar na cidade e vivê-la. Poemas curtos e cortantes levam o leitor a um passeio por paisagens multicores, a despeito do que sugere o título do volume. O cinza do asfalto e dos edifícios se mistura na paleta poética de Cida e se converte em pele, músculo,nervos, sangue, coração. Um livro essencial para aproximar-se de uma das vozes mais singulares da poesia contemporânea escrita por mulheres no Brasil.
CIDA PEDROSA nasceu em Bodocó, no Sertão de Pernambuco, em 1963. É autora de As filhas de Lilith (2009), Claranã (2015) e Solo para Vialejo (2020, vencedor do Prêmio Jabuti nas categorias livro de poesia e livro do ano, entre outros títulos. Formada em Direito pela Faculdade do Recife, foi eleita em 2020 como vereadora na mesma cidade.
Achei um bom livro, mas um pouco irregular. Acho que alguns poemas poderiam ter sido deixados de fora, enquanto outros, que brincam com a palavra escrita, não me atraíram tanto. Gostei sobretudo de me ver refletida nas imagens da cidade, em todo o desconforto e afeto que ela convoca. Vi no corpo dos poemas a emulação de nossa paisagem de prédios, lixo, baronesas, garças e do Rio, que é como se fosse um Caronte de nossa desgraça, e um remanso para os olhos cansados de nossas tristes paisagens.
Cida faz parte de uma geração de poetas recifenses chamados "marginais", alcunha bastante problemática diante do peso e da importância de sua produção. Presenças constantes nos bares do centro cidade, eles eram vistos a declamar poemas, beber e confraternizar, produzindo sua obra a partir do "intestino do recife", entre "putas e pombos". A morte levou desse grupo França, Erikson Luna e Alberto da Cunha Melo, mas ainda temos em Cida e Miró dois dos melhores expoentes dessa geração, que nos entregam a experiência na cidade do Recife no corpo e na voz do poema.
apesar de não me conectar muito com alguns cenários e referências, possui boas poesias que te tiram da inércia e te fazem refletir. uma boa leitura rápida para uma viagem do metrô.