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O Invisível

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O Invisível foi o romance vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2017, instituído pela Estoril-Sol. o júri do prémio considerou tratar-se de «um romance com notável fulgor imaginativo».

Portugal, 1931. Fenómenos inexplicáveis semeiam o terror entre os habitantes de Cova do Sapo, um lugar isolado nas fragarias da serra do Alvão. Todas as noites, a aldeia é atormentada por entidades misteriosas e acorda com sepulturas violadas no cemitério. a exaustão abate-se sobre a pobre gente do povoado, incapaz de pregar olho.

Ora, se existe alguém capaz de solucionar o mistério e acudir aos habitantes de Cova do Sapo, esse alguém é certamente Fernando Pessoa, poeta de Orpheu, médium, perscrutador da quarta dimensão, necromante e perito em assuntos astrais.

Neste engenhoso romance, a meio caminho entre o policial e o fantástico, Pessoa revela-se um detective com talentos muito particulares. o poeta, que detesta viajar e ausentar-se do ambiente de Lisboa, mergulha no mundo arcaico de uma aldeia serrana do Norte de Portugal, assediada por influências e presenças sinistras.

Rui Lage revela-nos neste romance um novo e fascinante Fernando Pessoa, entre o poético e o rocambolesco, o desassossego cósmico e o encantamento telúrico, a comoção com o visível e a pesquisa do invisível.

288 pages, Paperback

First published January 1, 2018

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Rui Lage

24 books3 followers

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Ivan.
111 reviews
February 14, 2021
Assim que descobri esta obra e li a sua sinopse, senti-a como leitura obrigatória. Espanto foi o meu quando a recebi. «O Invisível» vem debruçar-se sobre Fernando Pessoa, poeta, escritor, ocultista, cuja premissa se assenta na última. Conhecemos os inícios do jovem Fernando em África do Sul onde desenvolveu a sua aprendizagem pelas artes ocultas.

Para quem entra sem conhecer o estilo de escrita do autor, o primeiro capítulo parece demasiado descritivo e sem propósito definido, mas no fim desse as coisas tomam rumo. Até que nos reencontramos com Fernando já adulto, mais o seu parceiro de negócio, Augusto Ferreira Gomes, que formaram a agência Bandarra de investigações ocultistas e paranormais.

A premissa centra-se numa carta enviada por um pároco de uma pequena aldeia perdida nos vales serranos do norte. Um pedido de ajuda onde explica estranhas ocorrências paranormais que têm apoquentado os seus habitantes. Pessoa e Gomes abalam assim de Lisboa até à Serra do Alvão para lidarem com a desassossegada terrinha.

Um misto de investigação paranormal, fantasiosa e mística vem aguçar-nos o paladar e a imaginação com a trama desta história, que também tem o seu quê de humor, emoção e erotismo.
A sua escrita descritiva é belíssima, eufemista, os diálogos muito concisos, as palavras a fazer jus ao regionalismo e à tradição. Assim como uma construção de personagens muito própria, muito humanas, falíveis.

Fiquei muito surpreendido com este autor que tem o poder de nos captar a atenção e ludibriar o cérebro com tamanhas palavras, que dei por mim a ter de consultar o dicionário inúmeras vezes. Afinal de contas, Lage é doutorado em Literaturas e Culturas Românicas. Nota-se perfeitamente o trabalho de investigação histórica, cultural, mística, mitológica e de certa forma biográfica, que aqui está contido.

Fiquei rendido! Não obstante de chegar ao fim, dei por mim a querer mais, mais lenha sobrenatural sobre estas personagens efusivas. Para o seu primeiro romance de estreia, foi uma bela surpresa! Dei por mim como que envolto numa escrita queirosiana, madura e prazerosa. Aconselho vivamente!
Profile Image for Maria Francisca.
1 review
June 9, 2019
Uma carta de amor deixada a meio continua a ser ridícula?

Óculos que repousam na cana do nariz e chapéu preto a coroar-lhe a cabeça - sempre assim conhecemos Fernando Pessoa e é também assim que o reencontramos nesta narrativa. Com uma diferença: as colinas lisboetas são trocadas pelos assombrados montes de uma aldeia imaginária do norte de Portugal.

Rui Lage traz-nos um complexo Fernando Pessoa, entre poesia e espiritismo, talento natural e charlatanismo, dimensões humanas e astrais. Talvez por isso falte alguma coerência ao protagonista (não se surpreenda, contudo, o leitor, pois qualquer coerência que se desse ao homem que responde por mais de cem nomes soaria a artifical). Neste Pessoa de múltiplas identidades vemos nascer um detetive do oculto, ofício que o faz rumar a norte para libertar a aldeia de misteriosas criaturas que profanam o cemitério. E é aí, deslocado do cenário em que a literatura sempre o coloca, que, mais do que com mistérios astrais, lida com os mistérios humanos onde se cosem as teias da ignorância e do preconceito. Enleia-se nelas, mas não as consegue desfazer.

Terminada a aventura, vê-se regressado à capital. À mesma casa, ao mesmo café com absinto e à mesma companhia: Ofélia. Presa entre matéria e eternidade, aquela que o tem enamorado vive num sótão escuro, votada a um abandono que apenas o carinho de Pessoa interrompe. A alma sem corpo de Ofélia não a deixa sentir os abraços e beijos do poeta-detetive e nem a caneta do próprio Rui Lage parece ter conseguido agarrar a sua história. Sobra, por fim, a sensação de que o autor privou o leitor do início e fim de Ofélia, deixando-o com uma vontade insatisfeita de saber mais.

“O Invisível” partilha o mesmo segredo de Fernando Pessoa. Se este foi Caeiro, Search e Campos, também esta obra é ficção, drama, policial, sátira e romance deixado a meio, tão fugazes são os parágrafos sobre Ofélia. Pressa ou descuido do autor acreditamos que não terá sido; talvez uma subtil homenagem ao facto de, como escrevia Campos, todas as cartas de amor serem ridículas.

Maria Francisca Romão | Crítica literária publicada na rubrica Artes Feitas da edição 296 do Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra
143 reviews3 followers
August 8, 2019
Estamos em 1931, Fernando Pessoa é um pobretanas, sem um tostão furado, e por isso decide aceitar prestar os seus serviços ao povo de uma aldeia serrana atormentado por ocorrências nocturnas inexplicáveis, juntamente com o seu sócio. Quem os contacta e contrata é o Padre daquela aldeia, por conselho do abade de Baçal, apesar daquele afirmar reprovar qualquer prática mágica.
A descrição de um povo pobre, abandonado no meio de uma serra inóspita e sem dormir há dias por causa de assombrações que aparecem à noite, gritam às portas das casas e desenterram os mortos, é impressionante. Mas de repente, passamos para um mundo repleto de magia e fantasia, em que o herói é o nosso enfezado poeta, que consegue descobrir o problema e fechar uma fissura intramundos que tinha sido recentemente aberta. Foi isso que senti quando acabei de o ler, que o autor, Rui Lage, tinha aberto uma porta entre dois mundos, pegando na personagem Fernando Pessoa, com toda a sua história, desde a infância na África do Sul, até à época em que a narrativa decorre, e noutras personagens reais, e daí partiu para um mundo irreal, com fantasmas, seres de outro mundo, assombrações. Passei o livro à espera de uma explicação razoável para o que acontecia até me aperceber que tal não iria acontecer. E é esse o fascínio deste livro.https://leiturasemclube.blogspot.com/...
Profile Image for Álvaro Athayde.
80 reviews10 followers
August 2, 2019
Muito estranho… mas interessante!

Diria mesmo mais…

Interessante… mas muito estranho!!!

E tirando Ophelia, que morreu de velha, e os habitantes da Cova do Sapo, os demais são dados como tendo habitado este mundo sublunar.
37 reviews2 followers
February 11, 2019
Quão encantatória é a escrita de Rui Lage e quão inventivo é este enredo, de um Pessoa necromante, ocultista, iniciado, sempre poeta. Excelente.
Profile Image for Bea B..
29 reviews
March 2, 2025
Como não adorar uma fanfic do Fernando Pessoa✨️
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
February 21, 2021
A leitura de “O Invisível” trouxe-me à memória “The Fearless Vampire Killers”, um filme de 1967 realizado por Roman Polanski e que, nos nossos cinemas, surgiu com o inenarrável título de “Por Favor Não Me Mordam O Pescoço”. Trata-se de uma deliciosa paródia, na qual o protagonista principal e o seu aprendiz partem para a Transilvânia com o objectivo de libertar uma aldeia assolada por uma praga de vampiros. Embora não sejam vampiros as entidades em causa no livro de Rui Lage, há toda uma série de pontos de contacto entre este e o filme, do misterioso e sobrenatural aos meios fechados dados ao obscurantismo, às mentalidades tacanhas dos aldeões ou à condução da investigação por alguém que “trata por tu” as forças do oculto.

Se gostei tanto do filme, a verdade é que não gostei menos do livro, sobretudo pelo fantástico que se assume numa escrita de enorme rigor literário, mas também pela abordagem bem-humorada das situações, por uma notável recriação de ambientes, pelo desfilar de códigos e sinais – do pentáculo de Salomão aos espelhos que não devolvem a imagem – e ainda por um certo retrato social do Portugal de início do século XX o qual, convenhamos, conserva ainda hoje os tiques de há cem anos atrás. Piscando o olho ao romance policial, “O Invisível” oferece-nos uma história delirante que nos irá levar à Cova do Sapo, pequena aldeia encravada nas serranias do Alvão, assolada por espíritos demoníacos capazes de pôr os cabelos em pé ao mais destemido. Decididos a esconjurar o mal, dois ocultistas deslocam-se da capital em socorro da pobre gente, mas cedo percebem estar perante um caso de fratura entre o mundo real e o mundo das trevas, o culto a deuses ancestrais e as práticas de bruxaria constituindo-se partes maiores de um todo complexo.

Mas há ainda uma particularidade neste imaginativo exercício de escrita, tão ou mais inesperada do que o próprio assunto do livro. É que “O Invisível” coloca Fernando Pessoa, “poeta d’Orpheu, futurista e tudo”, no centro da acção, elegendo-o como um dos dois ocultistas – o outro é Augusto Ferreira Gomes, seu sócio na Agência Bandarra – chamados a deslindar o caso. Rui Lage serve-se deste recurso para aflorar os anos passados por Pessoa em Durban, África do Sul, durante a infância e uma boa parte da juventude, aí se fundando o gosto pelo misticismo e pelas ciências ocultas. Com a liberdade que só a ficção pode conceder, o autor cruza o real e o aparente, introduzindo o leitor no vasto e dramático universo de identidades, máscaras, enigmas e reflexões, tão caro ao “poeta fingidor”. Quem não precisa de fingir que finge é Rui Lage, que nos conduz hábil e inteligentemente por estradas sinuosas, repletas de armadilhas e bifurcações, ao encontro de conceitos como verdade, existência e identidade.
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