Lançado em 1975, este volume de poemas de Ferreira Gullar é marcado pela intensa carga política.
Ao aliar excepcional qualidade literária e aguda preocupação com as questões sociais, Dentro da noite veloz é um livro altamente engajado. Em poemas célebres como "Não há vagas" e "Homem comum", Ferreira Gullar, em tom questionador e inquieto, denuncia a realidade cruel e desigual do país.
No prefácio a esta edição, Armando Freitas Filho aponta: "É isso que este livro imenso nos mostra: a vida, a aventura, o perigo do universo que nos convida para a peripécia existencial de cada um de nós. Ninguém melhor que Ferreira Gullar para nos fazer viver e morrer, com sua experiência humana e destemida que passa dentro dessa noite feroz e veloz, sempre a postos para uma nova e – se necessário for – combativa manhã".
Ferreira Gullar is the pen name for José Ribamar Ferreira, Brazilian poet, playwright, essayist, art critic, and television writer. In 1959 he formed the "Neo-Concretes" group of poets. Living in Chile, in 1975, Ferreira Gullar wrote his best known work, "Poema Sujo". He was exiled by the Brazilian dictatorial government that lasted from 1964 to 1985. The poem states that the persecution of the exiles was growing, many were being found dead, and, thinking hypothetically of his death, he decided to write his last poem. He spent months writing this poem with more than two thousand verses, which brings forth his memories of his childhood and adolescence in São Luís, Maranhão and the anguishes of being far from his land. Ferreira Gullar read the poem at Augusto Boal's house in Buenos Aires, in a meeting organized by Vinicius de Moraes. The reading, recorded on tape, became well known among Brazilian intellectuals, who tried to guarantee Gullar's return to Brazil in 1977, where he continued writing for newspapers and publishing books. He was considered one of the most influential Brazilians of the XX century by Época magazine. Gullar keeps a weekly column at Brazilian newspaper Folha de S.Paulo, publishing it every sunday.
“Allende, em tua cidade ouço cantar esta manhã os passarinhos da primavera que chega mas tu, amigo, já não os podes escutar Em minha porta, os fascistas pintaram uma cruz de advertência e tu, amigo, já não a pode apagar No horizonte gorjeiam esta manhã as metralhadoras da tirania que chega para nos matar E tu, amigo, já nem as podes escutar”
Que livro pesado e incrivelmente real. Simbólico que eu tenha finalizado a leitura no dia 31 de março. Recomendo demais!
O livro tem um tom autêntico ao tocar em assuntos político-sociais. Senti a impressão de estar vendo os acontecimentos por uma janela; cidades, cores, lutas, cotidiano. Muitas vozes encenadas em um só homem. Gostei de ler! Não são poesias exaustivas, são concretas e objetivas
Do fundo de meu quarto, do fundo de meu corpo clandestino ouço (não vejo) ouço crescer no osso e no músculo da noite a noite a noite ocidental obscenamente acesa sobre meu país dividido em classes
Diante da noite “que houve / e não há mais”, cujas estrelas mortas ainda nos tocam a pele, mas sem a transcendência dos tempos antigos, Ferreira Gullar se volta para a terra, para o anônimo e para a sujeira. Dentro da noite veloz é poesia terrena, visceral, ciente da morte que se vive a cada dia, mas crente na vida, “essa doida esperança”. Poesia suja, como a diarreia, a fome e a guerra; poesia viva, seja no Vietnã, no Rio de Janeiro ou em Lima; poesia do presente, ainda que atravessado pelo passado. É, enfim, poesia engajada com este tempo fugaz, retratado pela vista de um poeta comovido, que enxerga os incêndios do mundo, mas se volta para a luz que deles provém: “a suja luz dos perfumes da vida”.
Ferreira Gullar é um dos meus escritores preferidos. Os poemas deste livro são - do primeiro ao último - lindos e doídos. Viva a poesia, a paixão e a revolução. Viva José Ribamar Ferreira.
In the first part, “Dentro da Noite Veloz” itself, Gullar has found his voice. Many good poems, some are explendid. He was communist, and many poems deals with poverty, inequalities, etc. It's his most political work. The second part, “O Vil Metal”, is in fact older poems he wrote between the last book and this one. They are weaker. There are some experimental stuff like:
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Uma obra-prima. Não consigo descrever a surpresa que foi ler este livro. Li um resumo na internet que despertou minha curiosidade. Por que não arriscar em uma nova leitura? Não esperava encontrar tanta crítica, poder, dor e revolta em um único livro.