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Romance de um dos mais aclamados autores da literatura brasileira. A conclusão do Compêndio mítico do Rio de Janeiro. Na calada da noite, na hoje chamada Rua da Carioca, um homem de casaca, pistola na mão, ameaça outro com capa à espanhola e botas de cano longo. Atracam-se. A arma dispara. O de casaca cai ferido mortalmente. Há uma testemunha, cigana, que também tem lá suas culpas. Entre os crimes que perpassam este romance policial situado no Rio de Janeiro do século 18, apenas um é de fato relevante; apenas um resume e simboliza o livro. E, contraditoriamente, é o único crime que não acontece. Alberto Mussa opera com perícia a narrativa, conversando com o leitor e palpitando sobre os dilemas dos personagens sem abandonar o posto de narrador, ancorado em pesquisa do vocabulário da época, do contexto, das ruas do Rio, do tráfico de escravos, do contrabando de ouro e da ação inquisitorial, sempre com uma técnica primorosa.

192 pages, Kindle Edition

Published August 20, 2018

3 people are currently reading
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About the author

Alberto Mussa

24 books62 followers
Born in Rio de Janeiro in 1961, Alberto Mussa studied mathematics and percussion before dedicating himself to linguistics. After obtaining a Masters degree from UFRJ with a thesis on African languages in Brazil, Mussa worked as a teacher and authored a dictionary then published his first novel, Elegbara, in 1997, followed by O trono da rainha Jinga (1999), which won the National Library prize. O enigma de Qaf (2004) was awarded the Casa de las Américas APCA prize. He has translated stories by African and Arabic storytellers for the magazine Ficções, and a collection of pre-Islamic poems Os poemas suspensos, not yet published.

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Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
November 24, 2020
Peguei esse livro pra ler sem nenhuma pretensão, mas ele me surpreendeu, me apresentando uma história capaz de fazer se perder o mais atento dos leitores. Diferente da maioria dos textos contemporâneos, onde essa confusão é uma confusão posta no tempo, esse texto me fez ficar perdido no espaço limitado de uma rua no Rio de Janeiro, povoada por pessoas de diferentes procedências, se entrelaçando de maneiras muito orgânicas. Esses entrelaces são todos apresentados por meio de curtas exposições, de maneira que o texto não se torna cansativo e consegue compor uma imagem muito colorida e dinâmica.

Os pontos fortes do livro são também alguns de seus pontos fracos. É possível que muitas pessoas achem desinteressante essa falta de profundidade psicológico-narrativa, ao mesmo tempo que também não gostem da confusão que o texto causa. De qualquer modo, valeu a lida.
Profile Image for Gabalis.
29 reviews
January 15, 2020
Personagens se acotovelam desesperados na esperança de receber um pouco de atenção e ser foco de um causo

Cerca de 40 personagens se acotovelam nesse fininho volume pela chance de ter sua história revelada para o leitor. O narrador vai nos empurrando os causos. Uma testemunhou um assassinato, outro foi vítima, um terceiro o assassino. Voltamos alguns dias no tempo pra ficarmos sabendo de uma tal Maria e o que aconteceu numa noite em sua rede com uma outra mulher, Carangueja, que mora com outras duas e pratica necromancia. Sabemos desse episódio pela confissão que ela faz ao frei Zezinho, porém falávamos de um assassinato, falemos um pouco de Leonor que fora a testemunha, mas não sem antes mencionar en passant uma porção de ciganos e a corrida do ouro que desfez algumas famílias e criou algumas questões para quem ficou no Rio, sem esquecer também um ou dois casamentos e de algumas tradições de pureza, mas pulemos disso para falar de Ramiro, casado seis ou sete vezes e as esposas, todas mortas, coitadas, mas isso fica pra depois, falemos de Silvério que acaba de se mudar para a rua e vem muito elegante e todos gostam dele exceto Piolho, este também mora por ali, temos também uma biblioteca com livros raríssimos e alguns secretos, temos na verdade várias bibliotecas, mas do que estávamos falando mesmo? Ah sim, todos esses causos são muito importantes pois lidam com questões fundamentais da condição humana, são causos matéria prima das grandes histórias das mitologias dos povos, exceto que tudo sempre lida com questões fundamentais da condição humana de alguma maneira.

Uma explosão de nomes ocupa cada página e fui tropeçando por cima e por baixo de todo esse povo cheio de problemas e incidentes e segredos da rua do Egito, enquanto eles se acotovelam por todos os lados, o narrador vai me puxando pelo braço sem que eu, leitor, tenha a chance de olhar bem para a cara de nenhum deles, me puxa e sempre sorridente vai me falando de uma porção de coisas, coisas fundamentais da condição humana, coisas da cidade, de fantasmas e mortos e encantados. Tudo sem termos tempo de parar um único segundo. E a coisa começa, anda e termina assim. Uma barafunda de coisas que até que parecem ser bem importantes e que com certeza abordam temas importantes, temas importantíssimos, me garante o narrador. Já eu mesmo tive bem pouca chance de concluir qualquer coisa, o narrador sorri mas sua missão é a de impor. Nunca temos um único momento a sós com nenhuma das situações ou com os personagens, não dá tempo de sentirmos coisa alguma por ninguém, o narrador que já sabe de tudo e já se apossou de todas as coisas, vem arrastando todos os moradores da rua do Egito por coleiras e nos dita aquilo que devemos saber.

O sentimento que fica é daquele quando somos convidados por um colega para um evento onde ele conhece todo mundo e você ninguém. Ele vai te puxando, apresentando todo mundo em grande velocidade, contando as faltas e virtudes de todos os presentes, mas você mesmo nunca tem a chance de falar com nenhum deles. O jeito é acatar o que seu colega está dizendo.

Dou três estrelas porque sinto que aqui tem histórias muito boas se tivéssemos a sorte de ter alguém com a paciência necessária para contá-las e deixasse que as próprias figuras nos revelassem sem pressa o que ela possam significar, se é que significam alguma coisa.
Profile Image for Fernando Borba.
7 reviews
March 17, 2020
Quase não tenho palavras para descrever esse livro, em parte porque a história é difícil de ser descrita de forma simples. O que tenho como descrever, entretanto, é como o autor é genial em sua escrita e na maneira como apresenta sua história.

Esse livro faz parte do compêndio mítico do Rio de Janeiro, composto por esse e mais quatro livros do autor, cada um retratando um crime que se passou em cada um dos 5 séculos de história da cidade. Entretanto, seus livros não são tanto sobre os crimes em si, mas sobre a própria cidade do Rio e sua história quase sobrenatural.

Misturando uma narrativa policial desconstruída com relatos históricos e folclóricos do país e da cidade maravilhosa, Mussa é com certeza um dos melhores autores brasileiros que conheço da atualidade. Sobre a biblioteca elementar, tem o defeito de ser um pouco mais caótica e confusa do que a outra obra que li do mesmo autor (O senhor do lado esquerdo), mas fica difícil saber se não era até mesmo essa a intenção. É uma obra como nenhuma outra, que deixa o leitor com os olhos arregalados, confuso, mas ao mesmo tempo extremamente cativado.
Profile Image for Gabrielle Cunha.
436 reviews117 followers
August 21, 2019
Eu sou apaixonada pelo modo que o Mussa narra histórias. É como se estivesse batendo um papo no bar com um contador de histórias muito bom, que transforma uma história banal em algo excepcional, com muitas tramas paralelas - tão ou mais interessantes do que a história principal.

Sempre que leio algo dele fico admirada com o vasto conhecimento da história do Rio de Janeiro que ele possui (e esse livro é uma grande aula de História, sem dúvidas!). Adoro o humor provocante, a cumplicidade que ele cria entre o narrador e o leitor, as informações que vai soltando, aos poucos. E as histórias, deliciosas.
Profile Image for João Pedro.
21 reviews
February 24, 2025
Gosto de tudo referente ao Rio antigo. Principalmente quando o foco é na região mais bagaceira trambiqueira traiçoeira dos primórdios da cidade. Muitos personagens bem explicados e construídos pra um livro tão pequeno. Da até pra prever um pouco as atitudes de cada um se você for esperto. Eu não fui, mas não precisei porque o livro faz o favor de fechar a história bem. Nem sempre quero filosofar muito.
São muitos nomes, muita conversa cruzada, e acho que isso foi intencional pra passar a essência de rua de fofoqueiro que se espera em um ambiente igual o do largo da carioca. Esse detalhe me confundiu um pouco, mas acho que faz parte da experiência do livro, onde tudo se passa por meio de conversas, e fofocas e conjecturas que uns fazem dos outros. Fulano falou que ciclano disse que fulana fez tal coisa com beltrano. Parecia que eu tava no meu bairro.
Leitura engraçada e rapidinha. Da pra ler de uma vez se estiver inspirador.
49 reviews1 follower
December 31, 2023
O Mussa é bom escritor, acho que mais do que tudo é um bom acadêmico, um doutor, escreve narrativas analíticas como teses, é uma narrativa muito interessante, a investigação é realmente a costura de várias peças soltas às quais se retorna e se adianta e reconfigura. Meu problema é que falta um nível de coração na história, não se pode amar apenas o Rio de Janeiro (talvez essa seja uma acusação que possa ser feita a todos os cariocas),
Profile Image for Marcos Faria.
234 reviews14 followers
December 12, 2019
No último volume do seu Compêndio mítico do Rio de Janeiro, Mussa depura o estilo ao máximo. É um trabalho de escultor: do texto, ele raspou tudo o que não era livro e deixou o essencial. Tanto que é um romance policial que começa com a descrição da cena do crime, mostrando quem matou, quem morreu e quem viu. Fica tudo nu, à vista do leitor. O mistério não está no crime em si, e sim nos seus antecedentes e nas suas circunstâncias, e é aí que o autor mostra seu talento de mitógrafo.
Profile Image for Adriano Koehler.
212 reviews2 followers
April 22, 2025
Um bom livro, porém meio confuso de se acompanhar, fiquei meio perdido em alguns momentos. Mas ainda assim, ótima leitura.
Profile Image for Harvey Hênio.
636 reviews2 followers
December 31, 2021
Com este livro o contista e romancista carioca Alberto Mussa encerra a sua pentalogia intitulada “Compêndio Mítico do Rio de Janeiro”.
Com uma narrativa enxuta e bem amarrada o autor nos conta a história por trás de um crime que aconteceu no Rio de Janeiro no século XVIII. Na calada de uma certa noite, Silvério de Negreiros Cid foi assassinado por Gaspar Roriz. Acidentalmente o crime é presenciado pela cigana Leonor Rabelo que prefere não revelar o que viu. Cedo o autor esclarece a identidade do assassino e do assassinado. Dessa forma, invertendo de forma inteligente a fórmula tradicional dos romances policiais, o autor coloca como “motor da trama” o esclarecimento dos motivos do crime e das causas que levaram a testemunha acidental a se calar.
No final a resolução da trama nos coloca em contato com um desfile de revelações sórdidas, segredos de alcova e intrigas, temperado com doses bem amplas de sexo.
É uma boa pedida embora às vezes o excesso de personagens e de tramas acessórias ameacem nos confundir a despeito do reconhecimento de que tudo se encaixa no final.
Displaying 1 - 13 of 13 reviews

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