Un livre documenté et percutant qui identifie les menaces de privatisation de l'école et des savoirs. L'école est soumise à des pressions considérables pour qu'elle se conforme aux nouveaux commandements du néo-libéralisme auxquels toute institution doit se soumettre. Le système éducatif n'y échappe pas : dans ce nouveau modèle, il est menacé de se réduire à la formation du " capital humain " nécessaire aux entreprises. En s'appuyant sur une enquête approfondie, Christian Laval montre comment les " recommandations " des experts de l'OCDE, de la Banque mondiale, de l'OMC et de l'Union européenne ont été appliquées par les différents gouvernements français depuis les années 1980. Elles se sont traduites par une réorganisation managériale des établissements scolaires, mis en concurrence entre eux pour assurer la liberté de choix des " consommateurs d'école ", par une " professionnalisation " toujours plus poussée des études, par une décentralisation qui n'a rien à voir avec la démocratie promise. Les enseignants sont sommés de participer activement à cette métamorphose de l'école publique, qui ouvre la voie à une marchandisation générale des savoirs et des apprentissages et à un renforcement des inégalités. Mais la réalisation intégrale de l'école néo-libérale n'a rien de fatal. Résistances sourdes, luttes collectives, prise de conscience des dangers de cette mutation imposée par la globalisation du capitalisme : les acteurs de l'école doivent désormais affronter un débat crucial qui engage aussi le modèle de civilisation que nous voulons.
O livro “A Escola não é uma Empresa”, do sociológo francês Christian Laval, faz uma análise sobre o avanço das políticas neoliberais no campo da educação pública e suas consquências. A edição da Boitempo traz esse debate, extremamente caro e atual – uma vez que desde 2017, com a reforma do ensino médio e a nova BNCC, o combate à presença do Neoliberalismo na Educação brasileira tornou-se pauta da esquerda e de forças progressistas -, para a realidade brasileira. O livro trata das políticas neoliberais que vêm sendo implantadas na França e, por mais que o Neoliberalismo já tenha avançado muito mais aqui no Brasil que lá, é importante para nos fazer dialogar com nossa realidade. Isso porque, apesar de suas limitações “geográficas” e temporais, o sociólogo lança diversas categorias fundamentais para análise desse fenômeno que já atingiu proporções globais. É interessante observar como a análise de Laval toma forma ao longo do livro. Ele traça uma linha do tempo historiográfica de como se deu esse avanço do neoliberalismo na Educação Pública francesa e mundial, quem foram seus atores e investiga quais serão as próximas etapas desse processo. O sociólogo apresenta as diversas frentes de ataque dessas políticas, como essa fase superior do capitalismo entra dentro das escolas, indo desde ataques nos parlamentos – na disputa pela própria concepção de Educação – até na comercialização de produtos dentro das escolas. Ele chama atenção para políticas que visam transformar a educação em um bem comercializável. O aluno, nessa nova concepção, deixa de ser um agente do processo de aprendizagem e passa a ser um cliente – juntamente de seu núcleo familiar -, da mesma maneira que os professores e diretores se tornam vendedores de serviço. No Brasil, já estamos mais familiarizados com essa realidade. Há uma distinção bem clara entre escolas públicas e privadas – e universidades públicas e privadas -, até pelas próprias características inerentes a nossa história. Houve uma inversão de paradigma: a escola pública brasileira, antes devotadas as elites, agora é de base popular – tendo a escola privada assumindo esse papel de educar as elites; a universidade pública, algo relativamente novo na história brasileira, passa a ser formadora da elite que veio da escola privada, enquanto os eméritos da educação básica pública são relegados às universidades privadas. As categorias lançadas por Laval nos ajudam a compreender esse cenário de deterioração da Educação Pública, que serve como ferramenta para valorização do Ensino Privado, tornando cada vez mais claras as divisões entre Elite e Massa – segregando mais um país já segregado. A lógica é simples, nesse caso, pois estamos diante de um processo que visa a precarização do Ensino Público para forçar a migração das pessoas para um Ensino Privado – que não necessariamente é bom, apenas menos precarizado (na realidade imposta). É um projeto político para comercializar mais essa área que parecia ser a última fortaleza contra os avanços neoliberais: se o Ensino Público fosse bom, por que alguém pagaria uma escola privada? Logo, se faz necessário que projetos políticos que visem precarizar a Educação Pública sejam pautados para que se possa arrecadar dinheiro advindos do investimento nos setores educacionais privados. É por isso que esse trabalho é extremamente fundamental, pois abre margem para, a partir das categorias de análise lançadas, se analisar o panorama brasileiro. É um estudo de caso francês e com limitações de tempo (o livro é do começo dos anos 2000) e, mesmo não esboçando soluções para o cenário estudado – pois não é seu objetivo -, nos ajuda a compreender a realidade brasileira, portanto indispensável para educadores em formação.
O livro de Christian Laval é uma leitura atenta e interessada sobre como o sistema educacional (ensino básico e superior) tem sido alvo de mercantilização frutífero diante da assim chamada "economia do conhecimento". A educação sob políticas neoliberais perde parte substancial de sua natureza institucional e ganha contornos organizacionais. A escola fundada sob princípios republicanos, cívicos e culturais perde espaço para a escola enquanto estágio preparatório para o mercado. A função da escola que outrora era de transmissão intergeracional e apropriação de fundamentos das artes, da ciência e da democracia se converte num veículo de propagação da ideologia de mercado, que está presente nos livros didáticos, no discurso de gestão, na aplicação acrítica do "programa" pelos professores e na busca pelas famílias pelo "produto" educacional. A perda de sentido docente, a falta de interesse discente e o mal estar da educação no nosso tempo parece fruto dessa nova ordem educacional que se impõe com força e promove desigualdades e toda sorte de confusão sobre o verdadeiro papel da escola para o indivíduo e a sociedade.
Ainda que parte do livro analise o cenário europeu, em geral, e o francês, em particular, muito do que se vê em curso por lá, por aqui na América e no Brasil já é realidade. Perceber como fomos apáticos a essa descentralização e desregulação do sistema educacional nacional e como isso resultou no que temos hoje é triste, ainda mais para um professor, como sou.
Es una introducción muy completa a todo el debate existente sobre las influencias neoliberales en educación, habría estado bien leerlo al principio de mi TFM y no ahora que estoy terminándolo, pues es capaz de situarte en la mayoría de focos abiertos, hablando de temas como la libertad de elección de centros, la privatización o la profesionalización.