O conto “Cara de Lua”, escrito em 1906 por Jack London é narrado por um homem extremamente amargo que carrega uma raiva incompreensível de seu vizinho John Claverhouse, que, segundo ele, tem uma “cara de lua”. A relação entre os dois é civilizada, até que o protagonista decide que não consegue mais suportar o vizinho.
Este e-book faz parte do projeto Literatura Descoberta, que tem por objetivo levar ao público traduções atualizadas de textos disponíveis em inglês no Domínio Público brasileiro com uma linguagem mais acessível para o público jovem, ou mesmo traduções inéditas, com a mesma linguagem clara. O projeto foi idealizado por Laura Scaramussa Azevedo, bacharelanda em Tradução pela Universidade Federal de Ouro Preto.
John Griffith Chaney, better known as Jack London, was an American novelist, journalist and activist. A pioneer of commercial fiction and American magazines, he was one of the first American authors to become an international celebrity and earn a large fortune from writing. He was also an innovator in the genre that would later become known as science fiction.
London was part of the radical literary group "The Crowd" in San Francisco and a passionate advocate of animal rights, workers’ rights and socialism. London wrote several works dealing with these topics, such as his dystopian novel The Iron Heel, his non-fiction exposé The People of the Abyss, War of the Classes, and Before Adam.
His most famous works include The Call of the Wild and White Fang, both set in Alaska and the Yukon during the Klondike Gold Rush, as well as the short stories "To Build a Fire", "An Odyssey of the North", and "Love of Life". He also wrote about the South Pacific in stories such as "The Pearls of Parlay" and "The Heathen".
Um conto onde o narrador se mostra descontente e irritado por um homem, John Claverhouse. Este é descrito como um homem 'rechonchudo' e 'um homem que tinha cara de lua'. O narrador não gostava, mas não há explicação para não gostar, apenas não gostava - "Eu não gosto daquele homem. Por que não gostamos dele? Ah nós não sabemos o porquê; nós só sabemos que não gostamos. Nós tomamos a antipatia, só isso. Assim aconteceu comigo em relação ao John Claverhouse."
Tudo o que descreve este homem acaba por deixar o narrador num estado de irritação, que nos deixa confusos, pois este homem é descrito como simpático, sorridente, leva a vida de forma positiva, mesmo com as coisas más que lhe acontecem e isto tudo deixa o narrador bastante chateado, assim este começa agir de forma agressiva - queima todo o alimento do homem- e decide a cada passo tornar este homem num miserável, tirando lhe aos poucos tudo. Assim arquiteta um plano que acaba por correr bem, a morte de 'Claverhouse! que nome!'
Isto tudo faz me levar a uma só conclusão, a felicidade dos outros irrita-nos, desconcentra-nos, deixam um sentimento de raiva no nosso interior que nos abala e que só desaparece quando a felicidade do outro se vai também. O problema de John Claverhouse é que nada o afetava, era um personagem muito positivo e numa tentativa de salvar uma cadela morre, um plano maquiavélico do narrador que afirma que "Não foi mal feito, não houve brutalidade; nada do que se envergonhar em todo o processo, como tenho certeza que você vai concordar. Sua risada infernal não ecoa mais entre as colinas, e a sua cara de lua gorda não se levanta mais para me irritar. Agora os meus dias são pacíficos e o meu sono noturno é profundo".
This entire review has been hidden because of spoilers.
Para quem gosta de um conto firme, conciso, cujo os fatos vão se amontoando num crescente e um narrador perverso.
Acho que o ponto forte do conto foi a escolha do narrador. Ele é um cara implicante, metódico, frio e que está conversando com o leitor. A história tem seu ponto de vista. É contada no ritmo de fala dele. Ele não provoca empatia, (como se pode gostar de um cara desses?) mas não consegui evitar de ir até o final.