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207 pages, Paperback
Published January 1, 2001
Feynman foi convidado a ministrar essas lições pois era reconhecida sua habilidade em usar o senso comum para explicar os conceitos de Física. Do conjunto de lições que se distribuíram em dois anos, se esperava um incremento de interesse pela física. Mas o próprio Feynman reconheceu mais tarde que a atitude passiva de ouvir as aulas sem praticar com resolução e exposição de problemas não produz aprendizagem.
Da primeira, destaco o conhecimento como uma aproximação, as coisas devem ser aprendidas apenas para serem desaprendidas de novo ou, mais provavelmente, para serem corrigidas. O teste do conhecimento é a experiência. Mas qual é a fonte do conhecimento? De onde provêm as leis a serem testadas? A própria experiência ajuda a produzir essas leis, no sentido em que nos fornece pistas. Mas também é preciso imaginação para criar, a partir dessas pistas, as grandes generalizações e descobrir os padrões. Se todo conhecimento científico fosse destruído e apenas uma sentença fosse passada adiante para as próximas gerações, que enunciado conteria mais informações em menos palavras? Para Feynman, seria a hipótese atômica de que todas as coisas são compostas de átomos, pequenas partículas que se deslocam em movimento perpétuo, atraindo umas às outras quando estão a certa distância, mas repelindo-se quando comprimidas umas contra as outras. Nessa única sentença, existe uma enorme quantidade de informação sobre o mundo, bastando que apliquemos um pouco de imaginação e raciocínio.
Na terceira conferência, é abordada a relação da Física com outras ciências. Com a Psicologia, é esperada uma relação a partir da relação entre sinapses e computadores, e que viria a ser nomeada de Inteligência artificial. Digna de nota é a menção de que a psicanálise não seria uma ciência pois não foi verificada pela experiência e não há como obter uma lista do número de casos em que funciona. Na sexta lição, quando trata do comportamento dos elétrons e da impossibilidade de observar suas trajetórias sem nelas interferir, o autor cita Heisenberg e o princípio da incerteza, para quem há uma limitação em nossas capacidades experimentais. No caso do experimento dos dois orifícios, exemplarmente descrito por Feynman através de desenhos, seria impossível projetar um dispositivo para determinar por que orifício passa o elétron sem perturbar o padrão da trajetória do elétron. Se fosse descoberta uma forma de ‘derrotar’ o princípio da incerteza, a mecânica quântica teria de ser descartada como uma teoria válida da natureza. Conclusão que podemos confrontar com aquela sobre a psicanálise não ser ciência.
Se pudermos derrotar o inconsciente, isto é, poder rastrear toda a trajetória dos pensamentos inconscientes e suas relações entre si, podemos ter explicado o comportamento ou a ‘doença’, podemos desvelar padrões, mas ainda faltaria explicar a adesão a esses padrões. Nesse aspecto, podemos tecer comparações com a abordagem da energia na quarta lição. Com o título de conservação de energia, é explicada didaticamente a lei da conservação da energia: há uma quantidade numérica que não se altera apesar das peripécias naturais. Mas, o que é a energia? Quatro anos depois da publicação dessas lições, o psicanalista Lacan expõe a lição quatro no contexto de sua controvérsia com um filósofo que pretendia confrontar energética à estrutura.