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Logomaquia

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O que temos neste livro de Júlia Studart é a inteligência e a habilidade de uma poeta que escreve imagens com a mão desaprendida, a da linha fresca, e consegue colocar-se severamente à escuta do tempo nessa guerra de todos contra todos. Ou como sugere Nuno Ramos, no prefácio, uma escrita que fica entre “uma elisão constante” e “um grãozinho fatal”. Por isso, nessa guerra, este livro é como um telegrama de amor, contingente e incerto. Os poemas percorrem as páginas, entre as epígrafes e um cólofon encantado, compondo um desenho diante de um tempo lacerado em que apenas se pode ouvir. É o risco político de cumprir com o poema a composição de outra história, a que nunca houve, a que não há, a que se ouve – a do mal-entendido, como conceito e experiência.

80 pages, Paperback

Published January 1, 2015

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Profile Image for Adriana Scarpin.
1,784 reviews
July 1, 2018
eletroacústica

e não acontece nada
mais vinte passos abandona
o arco sobre o tampo
harmônico na altura da
cintura. não há estátua, apenas
esboço – é o indicativo categórico
o terror do vazio e o homem. difícil
manter a primeira posição natural numa
subida íngreme quando se é tocado
por alguma coisa. o calo na falange
distal, a camiseta dry fit – o
último telegrama não era de
amor. ‘desculpe, erramos de Sílvio’
é também a nota de rodapé, sua
anedota búlgara. mas de memória
retoco você no meio do sertão
com a gravura movente
monturo de linha perecível
entre o nada e o ser, outra geografia
aérea deitada no canto inferior
da página feito crina frouxa em suspeita
harmonia com os corpos celestes, a
astrofísica, o gravador portátil de
tão-somente dois canais. lemos em voz
alta talvez mentalmente
e ofegantes o escritor
francês – esculpir é desengordurar
o espaço. certo que lemos juntos em
voz alta estranhos espantalhos
feitos de crostas brancas que
coagulam em torno de longos fios
avermelhados. uma micropeça
para percussão ou nosso primeiro
ensaio de eletroacústica: procissão,
pássaro, juá, monólito, a voz
de quatro poetas mortos que correm
atrás de você enquanto Cage desenha
a ternura pela micologia e
pelo aleatório
music
mushroom
uma falsa simetria à margem da
estrada de ferro e da canção –
a velha sentada
o ruído da renda
a menina sentada

roendo a merenda
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