Ruth Manus possui o raro talento dos cronistas capazes de produzir textos instigantes a partir de assuntos banais: uma conversa entre amigas pelo WhatsApp, uma ligação para um salão de beleza ou as dificuldades de comunicação de uma brasileira em Portugal.
Mas talvez mais notável ainda seja a capacidade incomum de Ruth de escrever com sagacidade e sutileza sobre assuntos nada banais: padrões estéticos, Direito do Trabalho, machismo e outras questões contemporâneas não só pertinentes como necessárias.
"Um dia ainda vamos rir de tudo isso" é uma coletânea de crônicas publicadas no blog do Estadão, em sua coluna no Estado de S. Paulo e no jornal Observador, de Lisboa, além de algumas inéditas. O que o leitor tem em mãos não é apenas uma seleção de textos, e sim um retrato do nosso tempo, por uma das mais destacadas cronistas da nova geração.
reveza textos que nunca esquecerei, que vou reler, guardar e mandar pra amigos, e outros que tipo: coisa de branco rico rs mesmo assim amo ruth, mas percebi q não somos do mesmo mundo (gênero, classe etc)
Leitura divertida. Os textos que começam com “A geração...” são quase todos enfadonhos. As melhores histórias são aquelas em que a autora não tenta teorizar sobre algo, mas apenas retrata o cotidiano. Ela é muito boa nisso e me arrancou boas risadas.
Várias crônicas muito boas (5/5) porém com várias marromeno no meio e várias que não me identifiquei (pela minha realidade de mulher mais jovem e com condição financeira inferior a dela kkkkkkk) mas pude ver o ponto de vista dela e tentar aproveitar :)
Difícil dar nota pra livro de crônicas porque é média, né? Várias 5 estrelas (a da geração que virou escrava da carreira, da pessoa com dificuldade de concentração, da gourmetização de tudo, todas em que ela falou da enteada, a da paranoia das festas de casamento, várias, várias), várias também só 3 estrelas porque foram assuntos que me tocaram menos (a do Direito do trabalho, a da irmã, já que eu não tenho irmã), mas todas muito bem escritas. Cadê a da embaixada do Paraguai, Ruth? Enfim, que bom que ela só tem 30 anos. Obrigada por me apresentar pra ela, Leticia!
Como em todos os livros de crónicas, há textos bons e textos menos bons, outros com muita graça e outros mais desengraçados. E há sempre preferidos.
Por isso, dou 4 estrelas, por via das dúvidas. Gosto muito da generalidade das crónicas de Ruth Manus e, na verdade, gosto de quase tudo o que escreve, além dos seus outros projectos. E todos podem aprender qualquer coisa com a autora!
A Ruth escreve muito bem (embora as tentativas de poema sejam cansativas), mas ficou bem aquém do que eu esperava depois de ler "Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas". Com exceção de alguns textos muito bons, esta coletânea poderia ser classificada como "white people's problems". Fui até olhar de quando era a publicação, porque me deu a impressão de serem textos menos maduros, e talvez sejam mesmo. Vou tentar mais um livro dela pra ver o que rola.
A obra é uma coletânea das cronicas dos dias hodiernos, angustias modernas, rituais de passagem, amores fluídos e relacionamentos a longa distância. Um livro leve, mas com momentos de muita identificação do lado de cá da leitura. Cronicas que mostram o ridículo dos preconceitos, as inseguranças do ser feminino, a delicia de ser amiga e ter amigas, amores edificados na convivência ou na longa distância.
Esse é o primeiro livro que li da Ruth Manus, só posso dizer que ela merece muito mais reconhecimento do que já tem, sério. Cada crônica me proporcionava risos, reflexões e lágrimas, com uma mensão honrosa para um capítulo especial que fez com que eu não consiga ler uma página sequer sem chorar rios e, a outro capítulo que traz milhares de criticas sociais necessárias, eu nunca aprendi tanto com um livro de crônicas, juro. Depois de ler esse livro, tenho certeza que Ruth nasceu para escrever.
Um dia ainda vamos rir de tudo isso // Ruth Manus // 256 Páginas // 3,5 ⭐ ✒ "Um dia ainda vamos rir de tudo isso" é um livro de coletânea de crônicas que foram publicadas no blog do Estadão, na coluna da autora no Estado de S. Paulo e no jornal Observador, de Lisboa. Crônicas essas que nos fazem refletir sobre vários assuntos, alguns deles como: amizades, viagens, solidão, etc. é um livro que nos faz mergulhar em suas histórias, com uma narrativa de fácil entendimento, Ruth nos prende de forma rápida nos fazendo devorar o livro em apenas um dia. Esse foi o segundo livro da autora que leio, e dessa vez não gostei quanto gostei de "Pega lá uma chave de fenda", teve sim alguns textos que gostei e muito mas na comparação esse foi um livro que não combinou muito comigo. Foi um bom livro para passar o tempo, então se você gosta de crônicas ele é perfeito para você. Um beijo, Salem 🧙🏻♀️
Ruth Manus é uma cronista de destaque nesse período em que, felizmente, já é bem maior o número de mulheres conhecidas por escreverem crônicas. Em livros como “Um dia ainda vamos rir de tudo isso” (Sextante, 2018), nota-se de que maneira ela consegue dialogar com alguns aspectos típicos da vida contemporânea – o que é, em essência, o objetivo, consciente ou não, de todos quantos escrevem crônicas.
Por exemplo, ela capta muito bem a ansiedade de nossos tempos, embora não seja daquelas que promovem intensos mergulhos pessoais, como a Tati Bernardi. Está, de toda forma, muito atenta ao que possa ser entendido como “a sua geração”. De fato, enquanto esmiúça relações, sentimentos e afetos, Ruth sempre considera a passagem do tempo e a maneira como seus contemporâneos tratam tais assuntos.
Ela se classifica como “incuravelmente otimista”, e certamente isso transparece no modo como comenta cada tema. Em alguns casos, é preciso dizer, a mensagem da cronista pode parecer excessivamente de autoajuda, como quando trata da famosa “zona de conforto”, ou ao perguntar quando foi a última vez que o leitor fez algo pela primeira vez. Mas esse também é um tipo de crônica que costuma fazer sucesso.
Uma das constatações mais verdadeiras que ela faz é a de que a nossa geração não tem tempo para a constituição diária do amor. Defende que não sejamos tão duros conosco mesmos, promove uma tentativa de resgate da simplicidade, reconstrói memórias e afetos familiares... Mas não deve se afastar o livro de uma dimensão mais “política”, pois Ruth Manus tinha realmente algumas causas para defender.
E elas são bem “óbvias”, no sentido de que é evidente o sentido de justiça por trás delas, mas, miseravelmente, ainda é preciso argumentar pela necessidade de se combater o machismo e a homofobia, por exemplo. Quem ainda não se deixou convencer sobre isso, porém, dificilmente o será por meio de uma crônica, e parece que, por isso, Ruth acaba falando apenas para um público que já concorda com ela.
Em consequência, a certa altura tem-se a impressão de que a cronista gasta muita energia para convencer um leitor que não precisa de convencimento, o que torna a leitura dessas crônicas mais cansativa, a despeito da justiça das suas causas. Pode ser que o leitor-alvo dessas crônicas tope com o texto em uma rede social e reaja a ele, mas é improvável que compre o livro de alguém de quem já sabe que discorda.
Talvez onde Ruth se saia melhor seja ao tratar de relatos conjugais e domésticos. Há algumas crônicas impagáveis com essa temática, como aquela que é composta de um diálogo de amigas a respeito do encontro que uma delas havia marcado. Ela faz boas análises sobre as expectativas dos homens, e também sabe escrever de forma bem poética e bonita, como na crônica em que fala de amores e distância.
A cronista também utiliza a crônica como um poderoso espaço de diálogo, quando conversa abertamente com alunos específicos e reais sobre estigmas corporais. Definitivamente, a crônica de Ruth não é meramente um lugar para que expresse as suas idiossincrasias: ela quer “mudar o mundo” com o que escreve, e não é sempre que consegue, mas por vezes alcança esse objetivo de melhorar a vida de quem lê.
Deve-se ressaltar que muitas vezes ela insere em sua argumentação aspectos da sua experiência no Direito, o que fortalece sua posição e enriquece a perspectiva de quem lê. Mas não necessariamente suas crônicas serão sempre de ideias ou de pontos de vista, às vezes ela quer apenas narrar alguns episódios em Portugal, ou contar uma história de amor trágico na Irlanda – também faz “crônica de viagem”.
Algo precisa ser dito ainda sobre a forma e o estilo, no qual Ruth se revela bastante criativa. Há algumas crônicas em versos, o que outros também fazem, embora isso já seja algo menos usual. O curioso, porém, é que quando a cronista faz o que pode ser chamado de “prosa em versos”, quando, embora dispostas um ao lado da outra, as frases rimam. Muitas vezes esse recurso é usado com propósitos humorísticos.
O humor é, de fato, algo que igualmente está presente em suas crônicas, como ao comentar sobre a rotina de academia. Mas é o tempo presente, suas características e sua eventual passagem que parecem orientar a maior parte dos textos. Não deixa de ser significativo que, por vezes, a autora tenha se visto obrigada a acrescentar comentários posteriores, ao fim da crônica, porque o tempo passou e ela mudou.
Trata-se, portanto, de um livro que promove um diálogo muito interessante com a vida contemporânea, feito por autora capaz de manejar diferentes estratégias de linguagem, com crônicas que, idealmente, deixariam algo de positivo a quem lê.
Finalizando esse livro 3 anos depois de ter estagnado em 66% da leitura. But today simplesmente me deu vontade de pegar ele da estante e finalizar.. Certas coisas precisam ser encerradas do nada, este livro foi uma delas. Acabei, não com a mesma empolgação de quando comecei a ler pela primeira vez, mas foi bom ter fechado o livro e dizer "te acabei, bixin". Gostei dos últimos textos, mas gostei mais dos do início. Enfim, gostei de vários aleatórios.
Escolhi "Um dia ainda vamos rir de tudo isso" por dois motivos: a capa ser amarela e essa ter sido uma das frases que me disseram em uma fase difícil. Ruth Manus me tocou de uma forma que nenhum livro de crônicas que li teve capacidade. Me fez chorar, rir muito até a barriga doer e querer compartilhar cada trecho que me lembra alguém.
Daria 4.5 se pudesse. As crônicas são divididas em 5 grandes "assuntos" que me representam bem. Em várias crônicas reconheci meus próprios pensamentos, postos no papel em uma escritura fluida, leve e despreocupada. Não conhecia o trabalho de Ruth Manus nem nunca tinha ouvido falar mas amei e indiquei à vários amigos. Adorei!
Ler a Ruth é sempre gostoso, pq ela é como eu, vc ou uma amiga. Alias, dá muita vontade de ser amiga dela. As crônicas vão do riso, ao choro, ao questionamento. Ruth já está no meu hall junto com Antonio Prata de cronistas favoritos. Uma atenção especial para capa e título que são mais Ruth impossível.
Um espetáculo!! Crônicas muitíssimo bem feitas e observações perspicazes sobre o cotidiano. Esse livro tem o que eu esperava encontrar no decepcionante: “A sútil arte de ligar o fodase”. Até certo ponto é um ensaio sobre a libertação da geração “desempenho” e dos muitos absurdos da modernidade. Agradeço a autora pelos valiosos insights.
A Ruth é uma voz extremamente atual. Suas crônicas genuinamente refletem o pensamento dessa geração. É um livro muito gostoso de ler, que mexe com todas as suas emoções, sorri, fiquei de coração quentinho, me emocionei e também chorei de rir. Que livro bom.
É um livro de crônicas muito gostosinho com o qual me identifiquei muito! Ruth escreve de uma maneira fluida e cheia de referências modernas que me fizeram rir muito (e chorar muito também, principalmente nos textos que me trouxeram a saudade da minha família). Prepare os lencinhos!
São crônicas bem gostosinhas de ler e curtas, então você passa o tempo com elas muito bem. Algumas te alcançam mais no emocional do que outras. Achei gostoso de ler, mas não foi algo que super me impactou.
3,5. Me identifiquei com muuitas das crônicas. Algumas acabei achando um pouco repetitivas, mas de qualquer modo, a escrita é tão leve que você não se apega a isso. Primeiro livro de crônicas que eu leio e com certeza não vai ser o último. Vale a leitura.
Esse é o terceiro livro que leio da Ruth Manus, e continuo amando a escrita dela. Li em um dia, a leitura é rápida e não consegui parar de ler até terminar. Tô louca pra ler tudo dessa autora!
Simplesmente AMEI e indico pra muita gente. Eu fiquei reservando ele pra ler de pouquinho em pouquinho pq ele é muito preciosinho💖 amei cada parte escrita.