Sêneca e o estoicismo
Fiz uma leitura parcial do livro – só de algumas partes, mas gostaria de fazer alguns comentários a respeito do livro.
Tenho um razoável interesse no estoicismo e já li algumas coisas a respeito dessa escola filosófica. Esse livro me interessou porque trata de um dos “big three” do estoicismo, junto com Epiteto e Marco Aurélio.
Dos três, Sêneca é o que talvez, aos olhos modernos, tenha tido a vida mais difícil de se conciliar com a própria ideia de estoicismo: como o homem mais rico de Roma poderia ser um adepto da Porta? Essa questão, que, pelo menos em parte, este livro traz alguns esclarecimentos.
Veyne é um dos mais significativos historiadores franceses do século XX e é uma das autoridades da historiografia de Roma.
Aqui, ele traz alguns esclarecimentos que ajudam a entender o comportamento de Sêneca. A sua vida privada se concilia com o estoicismo porque haveria dois caminhos: uma moral mediana e contemporarizadora e uma moral maximalista. Sêneca sendo um adepto da primeira, justamente em razão das exigências da sociedade romana na relação política e acúmulo de riqueza.
Além disso, é bastante útil o esclarecimento em relação ao cesarismo, o poder absoluto dos imperadores romanos. Na ausência das instituições modernas de freios e contrapesos, o poder do imperador era moderado apenas pela sua própria clemência. Assim, o próprio Tratado sobre a clemência é um exercício dirigido ao próprio Nero para que moderasse e autocontrola-se os seus impulsos.
Se esse perfil sobre a sociedade e a política romana ao tempo de Sêneca são muito esclarecedores, o exame feito a respeito do estoicismo deixou a desejar. Até aonde li, fiquei com a impressão que Veyne tem uma visão bastante esquemática da escola estoica, elaborando um perfil estereotipado da escola. Foi, provavelmente por isso, que deixei de lado o livro quando ele passou a tratar do próprio estoicismo.
De qualquer forma, a parte, digamos, mais historiográfica é excelente e muito esclarecedora a respeito de Sêneca e da sociedade romana.