Jump to ratings and reviews
Rate this book

A vítima tem sempre razão?

Rate this book
A luta política no Brasil se radicalizou, ganhou novas vozes e tomou as ruas e as redes sociais. O livro de Bosco é uma análise sóbria e ponderada – e a quente -- desse novo ambiente marcado por estridência e intolerância. Nos últimos anos, o debate público no Brasil viu o fortalecimento de vozes novas e combativas. Feministas, movimentos negros e LGBTs tornaram-se protagonistas de batalhas por reconhecimento e contra o preconceito. O palco dessa disputa são as redes sociais, sobretudo o Facebook. A nova arena democratizou a discussão, mas também elevou a voltagem dos radicalismos, à esquerda e à direita do espectro político. É esse o cenário analisado por Francisco Bosco. Atento ao colapso das conquistas dos anos Lula e aos efeitos das manifestações de Junho de 2013, Bosco traça um panorama inédito do novo espaço público brasileiro e examina em detalhe algumas polêmicas recentes, como a questão das marchinhas banidas por blocos de carnaval e o caso da garota branca que defendeu seu direito de usar um turbante. Inspirado na leitura de intérpretes do Brasil, como Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda, o autor mostra como a cordialidade, traço constitutivo da identidade brasileira, deu lugar nos últimos anos ao confronto aberto – e examina a consequências dessa mudança com doses generosas de argúcia, sutileza e sobriedade.

208 pages, Paperback

Published November 1, 2017

9 people are currently reading
125 people want to read

About the author

Francisco Bosco

27 books9 followers

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
25 (28%)
4 stars
38 (43%)
3 stars
21 (23%)
2 stars
1 (1%)
1 star
3 (3%)
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Clara Browne.
Author 18 books59 followers
May 30, 2020
É um livro curto e que constrói muito bem o momento sócio-histórico que se propõe analisar, situando muito bem o leitor. O autor faz um panorama histórico-cultural brasileiro excelente, de tirar o chapéu. Nesse sentido, inclusive, o primeiro capítulo dá um show; acho que foi minha parte preferida.
Em questão de estudos teóricos, o livro é muito bem construído. A argumentação também é bem elaborada e dá pra ver o cuidado do autor ao tratar de lutas das quais ele não é agente central (o que ele mostra ter consciência), mesmo que em uma passagem ou outra dê pra perceber que faltou discussão no tuíter pra lapidar melhor seus pontos - mas isso é realmente algo menor.
Pra mim, o que deixou a desejar foram as análises de casos específicos, em que parece que falta uma elaboração um pouco mais complexa da parte do autor entre sua análise prática e a teoria que constrói ao longo do livro. Isso não foram em todos os casos, no entanto, e também não justifica deixar de ler.

No fim, senti que é essa é também só mais uma tentativa de compreender o que raios aconteceu no Brasil nos últimos 10 anos, algo que, honestamente, estamos tentando entender. E realmente acho que o livro contribui pra elaborarmos um pouco mais nossas respostas.
Profile Image for Alessandra.
40 reviews
January 29, 2023
O livro não é ruim, mas lendo em 2022 o argumento apresentado em 2018 sobre querelas que já foram esquecidas, o autor me pareceu completamente míope - não enxergou o verdadeiro perigo que vinha com esse novo espaço público, a extrema direita e o uso das redes pela máquina da far right, preferindo se debruçar em questões que hoje parecem muito fúteis, mesmo dentro do campo da esquerda identitária - fora que as inferências feitas no caso Idelber Avelar são no mínimo problemáticas - talvez pelo próprio "local de fala" do autor. Envelheceu mal.
Profile Image for Marco Gontijo.
21 reviews1 follower
November 24, 2018
Um livro muito importante para o momento atual do Brasil e do mundo. Os argumentos são colocados de maneira clara e coerente. Vale a pena!
Profile Image for Rodrigo Oliveira.
111 reviews90 followers
May 4, 2020
Embora eu tenha lido o livro sempre pensando que um homem hétero, branco e de classe alta tinha escrito, é impossível não ficar reflexivo com diversos pontos, especialmente sobre linchamentos virtuais e a problemática do lugar de fala (até que ponto impedir que alguém possa discutir algo contribui para o fim do preconceito?). O livro é um ensaio bem complexo e, por vezes, me senti 100% burro lendo, mas é uma provocação muito válida em tempos em que a internet virou tanto espaço para debate público quando ringue de luta livre.
Profile Image for Danielle Sales.
108 reviews4 followers
December 16, 2018
Fazia tempo que não lia um ensaio brasileiro tão bom. O autor tem boa argumentação e toca num assunto bastante espinhoso da atualidade: o linchamento virtual, principalmente por parte de movimentos sociais. Vale a leitura!
Profile Image for Paulo Maua.
232 reviews3 followers
August 8, 2022
Tratar de fake news, vítimas de mídias sociais, minorias identitárias, violência, gêneros, com tanta maestria e generosidade de descrição, só mesmo Francisco Bosco. Um texto tão rico que cada página vira uma palestra sem fim. Parabéns!
Profile Image for jose coimbra.
175 reviews22 followers
January 19, 2018
O livro de Francisco Bosco chega em boa hora para ampliar ou sistematizar perspectivas não hegemônicas no campo das disputas que ora se explicitam no Brasil e no mundo, notadamente aquele relativo à desigualdade de gênero e o que vem no seu rastro de reivindicação e demanda de responsabilização. Longe de negar os problemas em jogo, o texto nos lança no campo da ação ao convidar a apreciar o confronto com base em uma nova mirada, certo de que existem injustiças a serem ultrapassadas, mas longe do entendimento de que haja uma disputa entre anjos e demônios no palco dos clamores identitários.

Segue um resumo a partir de fragmentos do livro.

Há uma defasagem imensa entre o que o Brasil chegou a realizar em sua cultura e o que pôde realizar enquanto sociedade. O Brasil da primeira década do século XXI já dispunha portanto de toda uma tradição anticordial, propugnadora da explicitação dos conflitos e fundamentada em lutas identitárias. As revoltas de junho de 2013, o colapso do lulismo e a enorme adesão ao uso de redes sociais digitais [atualizam o cenário no qual o universo do confronto reafirma-se].

Na esteira das ideias de Hegel e Herbert Mead, Axel Honneth identifica três instâncias sociais produtoras de reconhecimento: o amor, o direito e a solidariedade.

O assédio, a manipulação, o abuso são efeitos da passagem, por alguma razão realizada pelas mulheres, de sujeito do seu desejo a vítima do desejo do outro.

Quando uma pessoa se relaciona com alguém "com poder", ela não o faz somente por masoquismo, por uma coerção difusa ou por qualquer perspectiva que anule seu próprio desejo; e sim porque esse poder lhe trará diversos benefícios: aumentar sua capacidade de agenciamentos, sua riqueza material ou subjetiva, seu status social etc.

Ou seja, há o desejo da mulher inserido nesse processo.

A mulher não é necessariamente apenas vítima da relação de poder. Ela pode ser também sujeito dessa relação.

E mais ainda se acrescermos que o poder é antes múltiplo, heterogêneo, do que unívoco e unilateral.

No fim das contas, relações de poder são mais complexas e menos unilaterais do que propõe a perspectiva feminista aqui em questão.

Para a perspectiva feminista que venho criticando, não valem o desejo de potência da mulher, nem suas qualidades, que alteram a economia de forças da relação.

Pois é possível interpretar a passagem de sujeito do desejo a vítima de manipulação como o efeito de um sentimento de culpa causado pela compactuação desejante com uma fantasia sexual conservadora.

Colocar-se no lugar do manipulado é uma maneira de se eximir da responsabilidade por ter participado da fantasia sexual regressiva.

Não posso admitir que esse desejo é meu, logo fui manipulado.

A vitória do acusado na justiça não tem o valor de última palavra fora do âmbito legal. A justiça oficial não instaura uma perspectiva absolutamente neutra capaz de arbitrar a controvérsia. Ao contrário, ela é, desde o início, parte do problema: uma instância percebida pelas mulheres como reprodutora do machismo estrutural da sociedade.
_____________________________________________________________

Bosco, F. (2017). A vítima tem sempre razão? São Paulo: Todavia livros.







Profile Image for Jonas Teixeira.
17 reviews5 followers
March 11, 2020
Você pode até não concordar com a conclusão, mas as premissas que Francisco Bosco apresenta são brilhantemente pedagógicas. Neste livro o autor se propõe a discutir os temas que todos nós já temos pós-doutorado: lugar de fala, racismo, feminismo, politicamente correto, apropriação cultural, sororidade, entre outros que dominam o twitter e o almoço de domingo na vovó.

Sempre estamos em transformação, fato. Mas desde 2013 as coisas tomaram um rumo caótico — talvez no melhor sentido da palavra. Ao mesmo tempo que temos um psicopata ocupando o cargo de maior importância no país, é inegável que as pautas minoritárias assumiram um papel histórico no espaço público brasileiro e mundial. Aliás, tendo a achar que o vírus anti-política, anti-direitos humanos, anti-liberdades espalhado norte a sul do hemisfério, seja uma reação desesperada a uma pequena porém crescente ocupação das minorias nos espaços de discussão.

Termino a leitura de A vítima tem sempre a razão? mais preparado para entender os choques sociais e culturais que ocorrem nas ruas, no trabalho e timelines afora
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.