A reinvenção das personagens de Eça de Queiroz numa história alucinante dos autores de O Código d`Avintes.
Tudo começa no Alegrete, palacete meio arruinado em que vive Afonso da Maia, avô de Carlos da Maia, jovem médico que se apaixona por Maria Hermengarda, fugindo dos ataques sensuais da Condessa de Varinho e deixando de lado a espampanante Lara Marlene, filha do riquíssimo Silvestre do Ó Saraiva, construtor civil que fez a sua larga fortuna através de métodos muito pouco recomendáveis. À volta de Carlos movimentam-se Damásio Malcede, o lisboeta novo-rico, João da Régua, o eterno futuro-ministro, o Palma Cavalito, director da Trombeta do Demónio, e muitas outras personagens herdeiras dos famosos “Maias” que se movimentam freneticamente numa crónica de costumes ao gosto deste tempo prodigioso do replay e do fast food. No meio deste enredo surge mesmo o espírito de Eça de Queiroz a pôr alguma contenção a personagens e autores.
Num registo entre o queirosiano e a telenovela, quiseram os autores, cada um a seu modo, aplicar-se num enredo paralelo ao de Os Maias, observando a sociedade portuguesa do início do século XXI pelo monóculo risonho e severo do grande Eça. Resumiu um deles: “Certamente, o Eça escreveria melhor mas não diria pior.”
Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958 iniciou a sua colaboração no suplemento «Juvenil» do Diário de Lisboa e a partir de 1969 dedicou-se ao jornalismo profissional. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente livros tendo, editados na Caminho, mais de cinco dezenas de títulos. Recebeu em 1979, o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com "Rosa, Minha Irmã Rosa", em 1983, com "Este Rei que Eu Escolhi", o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil e em 1994 o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Foi indicada, por duas vezes, como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen. Trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra. Alice Vieira é uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projecção nacional e internacional. Foi igualmente apresentada por duas vezes, como candidata ao ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award).
Não li a versão original da história porque não suportei as intermináveis descrições, mas gostei francamente desta versão atualizada, com muita crítica social e o futebol a provocar uma crise política envolvendo um Engenheiro Platão. Uma escrita muito arguta e genuinamente divertida, nota-se que os autores gozaram o prato a escrever isto. Não sei se o que vou escrever a seguir configura um spoiler, mas para quem conhece a história original não será: ainda pensei que os autores fossem ousados o suficiente para deixar os irmãos juntos marimbando-se para as convenções, mas optaram por uma saída mais... telenovelística que ainda assim, me divertiu bastante. O Eça deve ter dado umas voltitas no túmulo à conta disto! Quando no final ele grita "MISERÁVEIS!", eu pensei que poderia ser o mote para o próximo livro ser uma nova versão desse clássico da literatura francesa.
Gostei, é os Maias revisitado e transportado para os dias de hoje, sem as extensas descrições queirosianas e magistralmente escrito a 14 mãos. Recomendo vivamente, principalmente para quem lhe custou na escola ler os maias por obrigação. Achei engraçada a "tradição" de que na familia Maia, teria sempre que existir um Afonso, pai dum Pedro e avô dum Carlos. Continuam a existir personagens fundamentais como João da Régua e o arquinimigo de Carlos Maia, o Damasio Melcede. houve um twist curioso e para mim gostoso do enlance incestuoso de Carlos e Maria (aqui em vez de Eduarda, Hermengada). Recomendo
----- I liked probably even more this one than the original The Maias, o Eça de Queirós, because it was hightschool mandatory and because it had the most never ending descriptions, it's result it's pretty close to the modern version of romeu and Juliet movie with Claire Danes and Leonardo di Caprio, and was superbebly writen by 7 diferent writers never once losing it's continuaty. I Recomend higly..
Duas estrelas, "it's ok", é a minha classificação para este livro.
Uma paródia ao romance "Os Maias", de Eça de Queiroz, na qual os herdeiros de Os Maias vestem uma roupagem contemporânea, com críticas a nossa sociedade actual que vão desde os jogos de ilusão da sociedade até a política nacional, sem nunca esquecer o ópio do povo português: o futebol.
Li este livro sem ter visto o primeiro trabalho destes sete autores, "O Código d'Avintes" (o qual ainda espero que chegue até as minhas mãos através de um ring que ainda está em circulação) pelo que não me posso aventurar em comparações.
"Eça Agora", tem alguma coordenação cuidada - cada capítulo foi escrito por um autor diferente - mas é impossível deixar de ficar com a sensação, à medida que nos aproximamos do fim do livro, que conseguimos distinguir as emendas dos vários retalhos que compõe esta obra. Tal como a Rosa Lobato Faria escreve no prefácio do livro «lá fomos lendo os capítulos alheios, encontrando discrepâncias, choramingando quando os outros levavam as nossas criações por maus caminhos, para, no fim, dar tudo certo [...].» Algumas soluções são engraçadas, outras nem por isso, e outras eram nitidamente remendos para conseguir desatar o nó criado no enredo.
Um livro que consegue em alguns momentos de humor interessante, mas que não passa disso: um mero livro de entretenimento e um exercício que sete autores resolveram repetir, a bem do desempenho comercial alcançado com o primeiro livro.
Um livro sem pretensões para quem quiser passar um momento de leitura descontraída neste verão, se bem que existem alternativas mais interessantes.
Decidi ler este livro, uma vez que ainda tinha bem recente "Os Maias" de Eça de Queirós. Os autores prometiam um romance paralelo, mas adaptado aos dias de Hoje.
Na verdade é isso que nos é apresentado, uma história muito semelhante à obra de Eça mas com contornos muito próprios da sociedade actual. Num país governado por um Primeiro Ministro de nome Platão, a intriga, a farsa e a mesquinhez são atributos de uma sociedade que parecem inalteráveis com o passar dos tempos.
A história é divertida e a leitura é bastante acessível, mas confesso que esperava mais. Bem sei que talvez por ser a continuação de uma grande obra, a fasquia eleva-se muito alto. Por outro lado não sei se ,escrever a oito mãos facilita ou dificulta o resultado final!
Por fim devo dizer, gostei, mas queria melhor!
Págs. 312 Ref. ISBN: 978-989-555-322-8 Editora: Oficina do Livro
Ao longo do livro consegue-se sempre reencontrar os enredos de "Os Maias", porém é uma história completamente nova e original. Muito divertido e contemporâneo, nomeadamente com críticas muito contundentes à política e à situação do país (que pouco ou nada mudou realmente desde 1888, quando Eça publicou o livro de mote a este).
Quando vários autores portugueses se juntam e satirizam um dos mais conhecidos romances portugueses, este é o resultado. É um livro mais cómico que romântico, e é bastante interessante ver a forma como cada autor pega na história construída por outro e lhe dá continuidade.
A ideia é interessante, os autores excelentes escritores, mas o resultado final é um pouco confuso. Mesmo assim é uma experiência que se recomenda especialmente para quem é fã incondicional de Eça de Queiroz e dos Maias.
Mostly funny, sometimes silly, with a lot of references to the first decade of the 21st century in Portugal. I felt the authors could have gone deeper in the story.