Seu sogro tinha aqui todas as suas relações, e sobre tudo sua sogra, que o não acompanhava ao Algarve por ser muito nervosa, ter medo de an dar embarcada, de andar a cavallo, de andar no comboio, e de andar'em diligencia, e não ser das, coisas mais faceis 0 ir a pé até lá.
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GERVÁSIO LOBATO nasceu a 23 de Maio de 1850, em Lisboa. Autor, num curto espaço de tempo, de uma obra extensa e variada, foi jornalista, tradutor, comediógrafo e romancista, tendo sido comparado a Rafael Bordalo Pinheiro quanto ao humor e ao talento de caricaturista. Colaborou em vários periódicos da época, como o Diário de Notícias, o Diário da Manhã, o Jornal da Noite e O Ocidente, onde sucedeu a Guilherme de Azevedo na rubrica "Crónica dum ocidental". Os contornos realistas da sua crítica de costumes, exercitada nos romances e nas peças de teatro, são amenizados pelo tom displicente e pelo humor revisteiro. Foi condecorado, pelo rei D. Carlos I, com o Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1892. Morreu a 26 de Maio de 1895, em Lisboa.
Gervásio Lobato nasceu em Lisboa e, embora tenha morrido cedo (aos 46 anos), escreveu bastante durante a sua curta existência, principalmente peças de teatro.
Lisboa em Camisa descreve o dia-a-dia de uma família da pequena burguesia que habita na Rua dos Fanqueiros, na capital. As peripécias são mais que muitas, e as situações não deixam de ser uma crítica humorística e satírica da sociedade da época, retratando as classes sociais e os seus comportamentos, com especial ênfase nas aparências e na hipocrisia social.
É uma leitura leve, divertida, que me arrancou muitas gargalhadas e sorrisos.
Gostei muito mais da primeira parte, o nascimento de Moisés, que culmina no antes e depois do baptizado.
"Acha que a sede de protagonismo, a mania da superioridade, o ar enfatuado são vícios dos nossos dias?" Não. Em 1882 também já se sofria desses vícios em abundância.
No dia em que iniciei a leitura de Lisboa em Camisa só parei ao fim de cento e tal páginas; mas apenas porque eram quatro e meia da madrugada e receei que os vizinhos me dessem um enxerto de porrada por lhes perturbar o sono com as minhas estrondosas gargalhadas.
Romance de costumes (acho que é assim que se diz) não tem grande relevo ao nível de enredo e personagens pois o objectivo é fazer rir através de episódios, em que os disparates surgem em catadupa e onde sobressai o ridículo dos que se presumem superiores em riqueza e "chiqueza"...
Nota: a RTP memória tem disponível online os episódios da série adaptada deste livro, em 1960. Vi partes das cenas que me iam matando de riso e só me irritei, como suponho que irritaria o Gervásio Lobato por lhe terem estragado o romance. Enquanto no livro o que tem graça são as falas (palavras), no filme foi tentado que o cómico recaísse sobre os tiques exagerados das personagens, tipo Jim Carrey ou "bolo na cara", a que não acho piada.
“É o poder que se vai… e a felicidade que fica. É o poder que fica… e a felicidade que idem!”
"It is power that goes... and happiness that stays. It is power that stays... and happiness that is the same!"
What is happiness? Power? Love and marriage and a baby carriage?
Justino Antunes always wanted to be a father. Four years earlier he had married his 18-year old wife Angélica in his native Algarve. The good news is that she could play the piano and sing La Traviata in Italian. She brought happiness. The better news is that Lisboa had a politician that was know as “The Bismarck of Portugal,” Senhor Fontes. Politics could bring power. The best news is that Angélica was about to give birth. Be careful what you wish for.
So why not move from sleepy Algarve to big shiny Lisboa? Justino and Angélica packed their bags and along his widowed sister Josefina and her son Arnestozinho, their maid Alexandrina, and moved into a house with his wife’s parents. Nothing like testing the waters living with the in-laws. Talk about a full house.
One night Justino attended the soirée of the Association of Architects and met the councillor Torres, his wife and four daughters. Justino loved history and was looking for a good career post. It looks like his fate was about to change. He got the job working for the Ministry of Public Works.
When their baby boy was born, Justino had to make big impressions on councillor Torres who opened the doors for him. Why not name the baby after the “godfather?” Except in the day of formalities, one didn’t typically use first names. After much prodding and prying, he discover the councillor’s first name, Moisés.
“We’re not Jewish,” proclaimed his wife Angélica. “Nope, but I need to make an impression,” Justino lamented. Why stop at giving the baby this name? Getting everyone to the church for the baptism was a problem but so was hosting the big baptism party! Impress, impress, impress. Thank god my wife can play the piano!
And so this silly farce weaves an age old tale. Keeping up with the Jones, mother-in-law jokes abound and there is even a lot of slagging with one of the servants, Gil who happens to be from Gallego, in Spain. Of course to keep things even more lively, Dr. Dr. Fromigal, head of the office and Justino’s boss falls madly in love with the councillor’s daughter Sabina. Let’s add in some local talent, one of Justino’s colleagues Isidoro Bastinho and his lovely wife Titina, would entertain everyone by playing the piano and singing. Angélica would join in. The more the merrier, I say. Who is minding that baby? Is the bigger question.
With this cast of “crazies” what could possibly go wrong? A comedy that bites one could say. This book was divided into two parts. The first part was so much fun to read but the second part really was crazy. The group decided to move past their typical musical entertainment and perform a play. Why not? Let’s elevate our abilities. Hmm, it was a spin that I didn’t quite buy except for a fun play on Émile Zola. Zola? Zula? Word play galore.
Gervásio Lobato (1850-1895) was a playwright and novelist living in Lisboa. In his short career (he died at age 45), he wrote numerous works, founded literary magazines and this book, “Lisbon in Shirt” was his best known work.
Final Note: Nothing brings a smile to my face like a serendipitous moment. There is a scene when Justino’s mother in law walks in asking about her daughter while singing a duet from Meyerbeer’s opera “Les Huguenots.”Yes, a thin connection to Montaigne of the 16th century religious wars between the Catholics and the Huguenots. The guy is everywhere!
Ler este livro foi como assistir a uma peça de teatro. Uma daquelas comédias típicas de revista, com personagens bastante caricatas, que de tanto quererem parecer inteligentes apenas deixam em evidência a sua falta de sizo.
Proporcionou-me vários momentos de esboço de sorrisos e mesmo algumas gargalhadas com as situações criadas, sendo para mim o auge, o episódio do veado real. É cada enrascada em que se colocam à conta de quererem fazer para inglês ver, o que resulta num livro cheio de humor e também sátira à sociedade portuguesa de então. Sociedade essa que, mais de um século volvido, continua com os mesmos males, a cunha, o compadrio, o achar que uma coisa está certa só porque alguém tido como inteligente assim o diz, mesmo que esteja errado, apenas por medo de ofender, a suposta superioridade face a alguém com um estatuto social tido como menor coisas que, infelizmente, ainda se vêem nos nossos dias.
Um livro cheio de humor, mas também de caricatura e crítica social e com alguns travos de atualidade.
"- (...) Pelo que vejo, V. Ex. não é ecléctico... - Não, senhor - respondeu, sem saber o que era, Filipe. - O meu Segismundo - interrompeu D. Josefina metendo-se na conversação - era muito, tinha às vezes ataques que duravam cinco quartos de hora e mais." 69 __
Valeu imenso pelas gargalhadas. Gervásio Lobato, castiço e despudorado faz, a tempos, lembrar Eça de Queiroz: muito vitoriano nos retratos e ácido na crítica. Mas Gervásio Lobato vai mais longe e caricatura, literalmente e de forma mordaz, a sociedade e o tipo lisboeta de 1800. Lisboa em camisa é uma autêntica comédia, uma criação tipo teatro de revista (Lobato era dramaturgo também), muito portuguesa e muito lisboeta, lá está, dotada de um ritmo estonteante onde as cenas se seguem umas às outras de forma fluída e vertiginosa para que contribui, a partir de dada altura, a engenhosa opção pelo discurso direto. A manutenção das aparências, a avareza, a ambição desmedida, os vícios que mais gostamos de pensar fazer o retrato português figuram nestas páginas, transportados de forma muito natural através de personagens que facilmente reconhecemos em nosso redor.
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E o casamento, que o conselheiro tivera ideias de adiar indefinidamente, ficou resolvido para dali a poucos dias, porque ele queria que Fromigal fosse já seu genro quando o defendesse: era muito mais dramático e não tinha que lhe pagar nada. 235 __
A edição peca um pouco pelas muitas gralhas que se fazem ver ao longo do livro, mas são gralhas sem maldade que, acredito, provêm de desatenção e não de incompetência. Já as várias notas de rodapé (a cargo do revisor) são de louvar: curtas, elucidativas e bastante úteis. No geral, com esta edição da Guerra e Paz, fiquei satisfeita.
Desconhecia o autor Gervásio Lobato. Felizmente, pela mão da Guerra & Paz, tive a oportunidade de conhecer um autor que muito me surpreendeu, pela leveza e bom humor da escrita. Várias foram as ocasiões em que dei por mim a rir durante a leitura. Mais do que um romance, diria que este livro se aproxima de uma novela, até porque, a sua publicação foi feita em formato de folhetim.
Peripécias, parece-me ser a palavra chave para a caracterização deste livro. Toda a peripécia tem dentro de si um potencial de cómico, a eficiência desta característica depende apenas do contador. Gervásio Lobato revela-se, para mim, em "Lisboa em camisa", exímio na arte de contar peripécias. Numa história muito teatral/visual, estamos perante uma caricatura da sociedade portuguesa do século XIX sempre capaz de provocar o riso, não só pelo espalhafato de algumas cenas, mas também pelo caráter intemporal que nos leva a encontrar família, amigos, conhecidos ou desconhecidos em algumas das personagens da obra. Apenas não é um 5 por carecer de um grande momento. Um momento de viragem/surpresa ou um momento de grande emoção/hilariante. Em suma, muito bom livro e autor do qual fiquei fã e, com certeza, lerei mais obras.
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História ligeira e cómica, dá vontade de não parar de ler. A trama é engraçada e cheia de surpresas, e retrata uma sociedade que não tem nada a ver com a nossa - a de Lisboa no século XIX. Não gosto muito do estilo de escrita de Gervásio Lobato (frases muito longas e confusas, pouca pontuação). É um livro bom para entreter e descansar a cabeça.
Um hilariante retrato de uma classe média lisboeta do século XIX, no caso protagonizada por quadros da função pública, que reflete muita da pequenez de espírito que ainda caracteriza parte da nossa sociedade atual.
Excelente e Super Atual. A necessidade de se Mostrar, de se Enaltecer, de se Falar palavras que nem se sabe o que significa. Foi Muito Divertido. Dei umas Boas Gargalhadas.
Quem me dera ver este livro encenado e assistir a esta peça que não podia ser mais teatral.
Com um humor natural e fluido revisitamos Lisboa oitocentista e entrevemos figuras que se entrecruzam nas ruas da Baixa, que lá desfilam e põem a nu os seus ridículos comportamentos, e onde deflagram as intrigas mais acutilantes.
"- Martins! O senhor atreve-se a faltar-me ao respeito? Martins! Não sabe que eu não tenho s? Ora esta! Era o que me faltava, ser achincalhado pelo… marido de minha filha. (…)- Mas o que foi? O que foi? – perguntou Palmira voltando-se para todos. - Onde vai, papá? – correu a perguntar Angélica a seu pai, que se encaminhava para a porta –, onde vai? (…) – O que fez o senhor ao meu marido? Responda. - Chamei-lhe Martins, aí está a grande ofensa – respondeu por fim Justino com ar irónico. - Com s, ouviste, com s! – gritou Filipe do pé da porta. – Não foi por querer, papá - conciliou Angélica. - Peça-lhe desculpa – insistiu Palmira com Justino. - Exijo que retire o s - ordenou Filipe. - Ele retira tudo, coitado – afirmou Angélica. - Talvez não retire – resmungou com ares pimpões, excepcionais, Justino."
E tudo por um s… e mais não sei quantas falas a arrastar o s. Hilariante!
Honra seja feita ao autor que nos permite ao longo de todo o texto um sorriso fácil; a comicidade emerge no mais pequeno detalhe e sucedem-se numa data de peripécias, em catadupa.
Precisam de sorrir? De rir? De ficarem bem-dispostos? (Quem não precisa?) Então desafio-vos a conhecer Gervásio Lobato, que escreve um pouco ao jeito do Eça de Queirós, com uma ironia menos apurada, mas com todos os atributos para o prender do princípio ao fim.
Lisboa em camisa, de Gervásio Lobato. Um livro descontraído, cómico e hilariante. Com o realismo do século XIX, uma escrita teatral e que bem ficava num qualquer palco deste País. É igualmente interessante perceber como a sociedade portuguesa, depois de mais de um século, continua com comportamentos semelhantes; mais vale parecer do que ser.
Tenho para mim que a segunda-metade do século XIX produziu as obras literárias com mais qualidade, com mais recorte e mais naturalidade, o realismo tem isso de bom, sem subterfúgios e mostrando mais pureza nos conceitos, na linguagem.
O Gervásio Lobato é um escritor pouco conhecido, talvez por não ter atingido a riqueza e diversidade literária de outros, contudo é um dos bons escritores daquele período literário. Vale mesmo a pena ler, sobretudo este Lisboa em camisa. Que chegue ao Teatro, que bem merece, já que a RTP produziu em 1960 uma série televisão sobre esta obra.
This Author was a great surprise! Having lived during the XIX Th. Century, I did not expect his humor to stay so current and the psychological situations described in his book to remain so incredibly viable! One could almost adapt the stories to today's society and they would be as funny!
Um livro tão divertido que nos faz pensar que a literatura portuguesa atual, perdeu de alguma forma esta crítica social humorística. Recomendo a sua leitura, sobretudo aos Lisboetas que bem conhecem a sua cidade. Arrancou-me alguns risos em voz alta afastando-me do fado português que não está só presente na música mas na tristeza e melancolia de muita da nossa da literatura actual.
Uma leitura leve, muito engraçada e atual nos dias de hoje. Consigo imaginar as mesmas peripécias em sketchs de comédia actuais - recomendo vivamente a quem goste do género e ache piada a imaginar Lisboa no século XIX.
Livro escrito no início do século XIX , no entanto satiriza posturas em sociedade que nunca estiveram tão atuais como agora. Agradar, não pensar e parecer ... sem ser. A crítica da sociedade com todo o bom humor e as gargalhadas que proporcionou a leitura valeram cada minuto.
Caricatura tão acutilante, inteligente e divertida da sociedade lisboeta, com seus vícios, ganâncias e petulâncias. Tão bom de ler que parece um filme.