Ainda que me satisfaça muito, não atingiu os níveis dos anteriores que li da autora.
Destaco no início a imagem da miséria psicológica e humana e que me é revoltante, de um país que já existiu (espero que já não exista): “É bem certo que as mulheres se querem boas e burras, mas tu exageras de burra e careces de boa. Ah é? Faço tudo o que você quer na cama, não pense que gosto, mas é para agradar, nunca reclamei de nada. Pois é disso que eu me queixo. Pões-te para ali meia morta, às vezes até vou olhar para ver se estás a fazer malha ou a telefonar à Teresinha, não sentes, não gozas, depois admiras-te. Ah, confessa! Então diga lá. O filho da Margarida é seu? Toda a gente diz que sim. E eu lá me lembro se me pus na Margarida, na Francisca, na Conegundes? Põe-te no teu lugar, mulher, não dês ouvidos a mexericos. E manda a criatura embora, que eu não quero esses falatórios aqui em casa. Pois, Bertinho, eu também acho melhor. E você é muito injusto quando diz que eu sou desligada na hora de… daquilo. Até houve uma vez, antes do Simão nascer, que eu acho que senti uma impressãozinha” (p. 23).
Eu gostaria que não fosse, por vezes, tão alucinante, num rodopio de histórias e pequenas histórias (uma ou duas sem sentido) sem o aprofundamento que me teria feito sentido.
Começa num ambiente bucólico, repleto de poesia. Termina, parece, depois do tempo – parece que se prolonga desnecessariamente mas depois descobre-se que afinal faz sentido que assim seja e acaba com uma mensagem de esperança.