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De l'universel, de l'uniforme, du commun et du dialogue entre les cultures
Depuis ses tout premiers travaux, l’ambition de François Jullien est de construire un rapport interculturel Chine-Europe tout à la fois effectif et fécond, c’est-à-dire qui se garde de l’universalisme à bon marché, comme du relativisme, son double inversé. Il était donc requis d’emblée dans son programme de recherches qu’il se consacrât un jour à la question même de l’universel, et à ses enjeux politiques..
Jullien commence par retravailler le sol conceptuel de la notion même d’universel. Qu’est-ce qui distingue et en même temps relie cette notion à celle d’ « uniforme » ? Et les deux précédentes notions à celle de « commun » ? Puis il entreprend d’éclairer en profondeur la façon chaotique dont la dimension de l’universel a émergé en Europe. Car lorsqu’on l’examine d’un point historique (et dans le temps long qui est celui des idées), il est frappant de voir à quel point l’universel est une notion composite, voire hétéroclite, en ce qu’elle plonge ses racines dans trois régimes de pensée et d’histoire très hétérogènes : celui de la logique, via la philosophie et les sciences, celui du droit, via l’Empire romain, et enfin celui de la religion, via la christianisme et saint Paul.
Oui, il y a bien une « idéologie européenne ». Oui, les notions de « démocratie » et de « Droits de l’homme » subissent une torsion lorsqu’elles passent en Chinois. Non, cela ne signifie pas pour autant que le relativisme est la seule option rationnelle et le fin mot de tout. Et encore moins que les jeunes Chinois de la place Tian an’Men ne savent pas de quoi ils parlent lorsqu’ils revendiquent de telles valeurs. Oui, on peut dire quelque chose de neuf, aujourd’hui encore, sur l’universel et sur le dialogue des cultures.
Et de fait, si la démarche « sinophilosophique » de F. Jullien présente un avantage, c’est bien justement celui de renouveler et de relancer toutes les questions qu’elle rencontre, même les plus rebattues, et nous surprendre ainsi à chaque livre.
Jullien commence par retravailler le sol conceptuel de la notion même d’universel. Qu’est-ce qui distingue et en même temps relie cette notion à celle d’ « uniforme » ? Et les deux précédentes notions à celle de « commun » ? Puis il entreprend d’éclairer en profondeur la façon chaotique dont la dimension de l’universel a émergé en Europe. Car lorsqu’on l’examine d’un point historique (et dans le temps long qui est celui des idées), il est frappant de voir à quel point l’universel est une notion composite, voire hétéroclite, en ce qu’elle plonge ses racines dans trois régimes de pensée et d’histoire très hétérogènes : celui de la logique, via la philosophie et les sciences, celui du droit, via l’Empire romain, et enfin celui de la religion, via la christianisme et saint Paul.
Oui, il y a bien une « idéologie européenne ». Oui, les notions de « démocratie » et de « Droits de l’homme » subissent une torsion lorsqu’elles passent en Chinois. Non, cela ne signifie pas pour autant que le relativisme est la seule option rationnelle et le fin mot de tout. Et encore moins que les jeunes Chinois de la place Tian an’Men ne savent pas de quoi ils parlent lorsqu’ils revendiquent de telles valeurs. Oui, on peut dire quelque chose de neuf, aujourd’hui encore, sur l’universel et sur le dialogue des cultures.
Et de fait, si la démarche « sinophilosophique » de F. Jullien présente un avantage, c’est bien justement celui de renouveler et de relancer toutes les questions qu’elle rencontre, même les plus rebattues, et nous surprendre ainsi à chaque livre.
- GenresPhilosophyNonfiction
270 pages, Paperback
First published January 16, 2008
About the author
François Jullien
182 books120 followersFrançois Jullien, né en 1951 à Embrun (Hautes-Alpes), est un philosophe, helléniste et sinologue français. Ancien élève de l’École normale supérieure et agrégé de l’université (1974), François Jullien a ensuite étudié la langue et la pensée chinoises à l'université de Pékin et à l'université de Shanghai (1975–1977). Il a été ensuite responsable de l'antenne française de sinologie à Hong-Kong (1978–1981), puis pensionnaire de la Maison franco-japonaise à Tokyo (1985–1987).
Il a été successivement président de l'Association française des études chinoises (de 1988 à 1990), directeur de l'UFR Asie orientale de l'université Paris-Diderot (1990–2000), président du Collège international de philosophie (1995–1998), professeur à l'université Paris-Diderot et directeur de l'Institut de la pensée contemporaine ainsi que du centre Marcel-Granet.
Il a été successivement président de l'Association française des études chinoises (de 1988 à 1990), directeur de l'UFR Asie orientale de l'université Paris-Diderot (1990–2000), président du Collège international de philosophie (1995–1998), professeur à l'université Paris-Diderot et directeur de l'Institut de la pensée contemporaine ainsi que du centre Marcel-Granet.
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Community Reviews
Displaying 1 - 4 of 4 reviews
June 29, 2024
The author slowly builds their arguments, which leaves much room to apply the thoughts to areas outside of the book. Interesting (still western) perspectives on universals, commonality, duty, and human rights
April 18, 2011
apresentação
danilo marcondes
7
o universal é uma invenção do pensamento grego, não apenas como conceito, mas como modo de ver a realidade, como atitude diante dela.
...católico é um termo grego que significa exatamente universal.
8
FJ explora as várias dimensões desse aparente paradoxo entre uma pretensão universal e sua origem em uma cultura determinada.
----
20
...apenas o que é necessário a priori pode ser universal de direito.
30
...o uniforme é um conceito não da razão, mas da produção - este é o padrão ou o estereótipo.
Dito de outra forma, a única racionalidade que podemos creditar ao uniforme é principalmente econômica e de gestão; ele repousa na imitação; não é, diferentemente do universal, da ordem do lógico e do prescretivo.
31
Assim como o universal tem como oposto o individual ou o singular, o uniforme tem como oposto o diferente.
36
...o comum é aquilo de que temos parte ou tomamos parte, que é partilhado e do qual participamos. Eis por que é um conceito originalmente político: o que se partilha é o que nos faz pertencer à mesma cidade, pólis.
41
O latim diz com-munis e, ao fazê-lo, enriquece o comum com outra dimensão: não designa apenas por seu prefixo o que partilha e se explora em conjunto, como também sugere, na raiz da palavra, o que seria ao mesmo tempo do âmbito da doação e da obrigação (munus).
42
É com-munis, literalmente, aquele que compartilha uma responsabilidade (uma tarefa, uma função); ou aquele que supostamente exerce um ofício (o immunis é dispensado dele).
Comum, portanto, é um termo de dupla face: é ao mesmo tempo inclusivo-exclusivo.
43
a comunidade tem como vocação não se cerrar, mas se descerrar.
46
Pensar é comum a todos
52
O comum do mundo é o comum da razão partilhada.
155
levar em conta, em outras palavras, a disparidade das culturas e a maneira como ela nos obriga a desentocar o impensado de nosso pensamento, não significa por isso renunciar à exigência do comum. Mas ainda é preciso entender a maneira de conceber esse 'comum'.
172
Esse comum do humano 'vwm', digo eu em contrapartida, e não cessa de vir, ele é da ordem da fonte - do que por si só constitui inesgotavelmente recurso. O comum não é fundo, como falamos do fundo de uma caixa que acaba por aparecer quando dela tudo retiramos: quanto tivéssemos retirado - abstraído - todas as diferenças entre culturas. Mas ele é fundo no sentido de possível a explorar: no sentido desse indefinidamente partilhável, e isso por intermédio e no âmbito de uma comum inteligência, propiciando assim, por transbordamento contínuo, uma compreensão que supera - não cessará de ter que superar, integrando-os - toda fronteira e todos particular...É nesse poder-ser, a ser desenvolvido e não dado como condição prévia, que está o comum.
175
heráclito: comum a todos é o pensar, phronein
200
a tradução, a meu ver, é a única ética possível do mundo global por vir.
danilo marcondes
7
o universal é uma invenção do pensamento grego, não apenas como conceito, mas como modo de ver a realidade, como atitude diante dela.
...católico é um termo grego que significa exatamente universal.
8
FJ explora as várias dimensões desse aparente paradoxo entre uma pretensão universal e sua origem em uma cultura determinada.
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20
...apenas o que é necessário a priori pode ser universal de direito.
30
...o uniforme é um conceito não da razão, mas da produção - este é o padrão ou o estereótipo.
Dito de outra forma, a única racionalidade que podemos creditar ao uniforme é principalmente econômica e de gestão; ele repousa na imitação; não é, diferentemente do universal, da ordem do lógico e do prescretivo.
31
Assim como o universal tem como oposto o individual ou o singular, o uniforme tem como oposto o diferente.
36
...o comum é aquilo de que temos parte ou tomamos parte, que é partilhado e do qual participamos. Eis por que é um conceito originalmente político: o que se partilha é o que nos faz pertencer à mesma cidade, pólis.
41
O latim diz com-munis e, ao fazê-lo, enriquece o comum com outra dimensão: não designa apenas por seu prefixo o que partilha e se explora em conjunto, como também sugere, na raiz da palavra, o que seria ao mesmo tempo do âmbito da doação e da obrigação (munus).
42
É com-munis, literalmente, aquele que compartilha uma responsabilidade (uma tarefa, uma função); ou aquele que supostamente exerce um ofício (o immunis é dispensado dele).
Comum, portanto, é um termo de dupla face: é ao mesmo tempo inclusivo-exclusivo.
43
a comunidade tem como vocação não se cerrar, mas se descerrar.
46
Pensar é comum a todos
52
O comum do mundo é o comum da razão partilhada.
155
levar em conta, em outras palavras, a disparidade das culturas e a maneira como ela nos obriga a desentocar o impensado de nosso pensamento, não significa por isso renunciar à exigência do comum. Mas ainda é preciso entender a maneira de conceber esse 'comum'.
172
Esse comum do humano 'vwm', digo eu em contrapartida, e não cessa de vir, ele é da ordem da fonte - do que por si só constitui inesgotavelmente recurso. O comum não é fundo, como falamos do fundo de uma caixa que acaba por aparecer quando dela tudo retiramos: quanto tivéssemos retirado - abstraído - todas as diferenças entre culturas. Mas ele é fundo no sentido de possível a explorar: no sentido desse indefinidamente partilhável, e isso por intermédio e no âmbito de uma comum inteligência, propiciando assim, por transbordamento contínuo, uma compreensão que supera - não cessará de ter que superar, integrando-os - toda fronteira e todos particular...É nesse poder-ser, a ser desenvolvido e não dado como condição prévia, que está o comum.
175
heráclito: comum a todos é o pensar, phronein
200
a tradução, a meu ver, é a única ética possível do mundo global por vir.
December 28, 2013
Un libro stupendo. Centra il problema dei diritti umani in modo chiaro e preciso. Sviluppa un ragionamento che si inserisce nello spazio tra universale e comune che costruisce davvero un piano in più rispetto all'impianto della filosofia tradizionale di stampo greco-centrico. Fortemente consigliata la lettura.
March 31, 2016
Fabuleux Jullien, extrêmement calme, posé et rigoureux comme à son habitude, et continuant à clore, pour ceux comme moi qui seront toujours incapables de tout à fait comprendre la distance entre cultures, un peu de cette distance.
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