“Por que a escola não educa e condena tantas vidas ao desperdício e à esterilidade? A educação (ex-ducere, conduzir para fora) deixou de ser uma abertura à razão e ao espírito, convertendo-se em engenharia social, em manipulação dos instintos baixos para a realização da vontade de poder. O homem, não mais educado naquilo que tem de essencialmente humano, passou a ser instrumentalizado em vista de algum interesse econômico ou social. Em consequência, desumanizou-se, transformando-se no imbecil que, com base em concepções erradas acerca da natureza humana, cria políticas desumanas. Nessa situação de doença linguística e espiritual, perdeu a experiência de amplas faixas da realidade ligadas à razão e ao espírito, assim como a capacidade de compreendê-las e expressá-las. De nada nos serve essa louca pretensão de alterar a natureza humana e remodelar o mundo. Cabe a nós, então, fazer o inventário dos nossos descaminhos, e retomar a estrada mestra abandonada”.
Fausto Zamboni é doutor em letras, na área de literatura e vida social. Atualmente, é professor de língua e literatura italiana na Unioeste (Cascavel-PR).
Muito bom, este livro. Surpreendeu-me. Eu realmente não esperava tanto. Trata-se de uma exposição dos motivos da ruína da educação contemporânea e uma breve defesa da educação liberal, cuja definição engloba os gregos e romanos tanto quanto os medievais. Zamboni faz remontar mais ou menos aos protestantes – sobretudo a Comenius (com seu ideal de universalização do ensino) – o início da marcha da vaca para o brejo. Resumindo a idéia: o ensino obrigatório para todos acabou com a educação. Nos EUA, houve lugares em que ele foi imposto à mão armada aos cidadãos que resistiram, informação que já diz tudo por si mesma.
Não há propriamente nenhuma novidade no que o autor expõe, mas o livro vale muito por realizar um resumão das idéias de vários autores, relacionando-as entre si rumo a uma conclusão comum. Dentre estes, os principais são Olavo de Carvalho, Jacques Maritain ("Rumos da educação"), Pascal Bernardin (com seu imprescindível "Maquiavel pedagogo"), Georges Gusdorf ("Professores para quê?"), Allan Bloom e Christopher Dawson. Mas há muitos outros também. A bibliografia é bem útil como ponto de partida para o estudo do assunto. A obra não é propriamente um manifesto contrário à escola, como o título faz parecer, mas certamente é contra a escola como ela é hoje em dia, e deixa bem claro que, enquanto os princípios norteadores e o próprio currículo do ensino for imposto pelo Estado e centralizado nacional e até internacionalmente (como quer fazer a UNESCO), não há esperanças para a educação humana, ou melhor, desumana.
Que livro incrível. Obrigatório para pais e pessoas que pretendem ingressar na carreira acadêmica. Muito bem organizado e com centenas de referências bibliográficas. Fala muito sobre o nosso estado de coisas atual.
Livro sensacional, praticamente três livros em um, muito denso em informações e referências não só para quem está questionando o sistema educacional atual para os seus filhos, mas também para quem está buscando a verdadeira Educação. Percebe-se também o que o prof. Olavo de Carvalho falou dos alunos do seu curso: "os inteligentes saem mais inteligentes, enquanto os burros saem loucos". O prof. Fausto Zamboni demonstra um conhecimento enorme do assunto que só é realçado pelo imenso conhecimento passado pelo prof. Olavo. Vê-se muito das suas aulas e recomendações de autores no livro, e o seu conteúdo só tem a ganhar por isso.
Destaque especial para o capítulo sobre a história do sistema educacional no Brasil e no mundo e para o capítulo sobre a importância do estudo da literatura e a busca da Educação Liberal. Muitas informações de grande valia e que renderão estudos por muitos anos.