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Quando Fui Outro

Este livro é para apaixonados, diz-nos o autor desta belíssima antologia da obra do eterno Fernando Pessoa. Contudo, a paixão é apenas um dos temas explorados neste livro. Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também filósofo, interessado por assuntos tão diversos como religião, astrologia, história e política. O leitor contemporâneo encontrará nestas páginas múltiplas razões para se emocionar, perturbar e questionar, caminhando de braço dado com o maior poeta moderno português.

234 pages, Paperback

First published September 1, 2006

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About the author

Fernando Pessoa

1,248 books6,656 followers
Fernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.

It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.

The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.

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Community Reviews

5 stars
83 (57%)
4 stars
45 (31%)
3 stars
11 (7%)
2 stars
3 (2%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
January 15, 2018
O escritor brasileiro Luiz Ruffato ousou unificar Fernando Pessoa. Seleccionou poemas, cartas, ensaios do ortónimo e de quatro dos heterónimos e, sem os categorizar, elaborou uma antologia que pretende revelar o poeta no seu todo. Os poemas e textos não estão identificados nem ordenados por "autor" e penso deverem ser lidos no "escuro". Eu não consegui. Em cada texto, precisei de ir ao final ver, ou confirmar, de quem era (devo estar formatada para o Pessoa-múltiplo e rejeito vê-lo como Pessoa-total.)
Mas com ou sem batota, é sempre muito bom ler Fernando Pessoa. As quatro estrelas, e não cinco, são culpa das cartas a Ophélia porque "Todas as cartas de amor são ridículas." (Ophelinha, Bebezinho, que é meiguinha e é bombom, e é vespa, e é mel, e tem na boca beijinhos escondidos que dão vontade de comer...).

Agora, vou "chacinar" alguns poemas e textos e, para imitar Ruffato, fazer uma "saladinha" de Pessoas...

_________________________
"Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)" (1)
_________________________
"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!" (2)
_________________________
"Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?" (3)
_________________________
"Todos temos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substracto de névoa;

A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão." (4)
_________________________
"Nuvens... Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero!" (5)
_________________________
"Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois dêem-me a cela que quiseram que eu me
lembrarei da vida." (6)
_________________________
"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias." (7)
_________________________
"Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais." (8)
_________________________


(1) Fernando Pessoa - A Génese dos Heterónimos (carta a Adolfo Casais Monteiro)
(2) Álvaro de Campos - Tabacaria
(3) Álvaro de Campos - Poema em linha recta
(4) Álvaro de Campos - Dactilografia
(5) Bernardo Soares - Livro do desassossego
(6) Álvaro de Campos - A Passagem das horas
(7) Ricardo Reis - Segue o teu destino
(8) Alberto Caeiro - Eu nunca guardei rebanhos
Profile Image for Márcio.
690 reviews1 follower
April 4, 2023
Uma das alegrias de ter como língua materna o Português, mesmo que numa versão mais tropical, é poder ler poetas como Fernando Pessoa ou Drummond de Andrade sem a necessidade de um tradutor no meio do caminho entre a poesia e o seu leitor.

E como é prazeroso ler Pessoa, mesmo que sua angustia esteja quase sempre ali presente na curva de cada linha, mas é uma angustia que nos faz refletir sobre a própria vida, a pequenez, mas também é em sua linhas que encontramos a grandeza do viver, a beleza da língua, o olhar e o perceber o outro. Seus heterônimos são cada qual parte desse ser único, que é também um ser universal, que ultrapassa barreiras, mas é o próprio Fernando a gênese primeira e última, esse fazedor de poesias e textos continuamente essenciais.
Profile Image for Juliana.
25 reviews
June 2, 2020
Uma pena o Pessoa ter sido anticomunista, as obras dele são incríveis.
Profile Image for Andre Odysseus.
69 reviews
Read
January 17, 2016
The poetry is 5 star worthy, but I had to give it 4 stars, for I think if they want this to be the definite collection of Pessoa's poetry, they failed. There's a lot of good and well known poetry missing here.
Profile Image for Michelle.
1 review
Read
August 21, 2012
Antologia que propõe Fernando Pessoa como unidade, visão do poeta por Luiz Ruffato.
Profile Image for Sara Bôto.
161 reviews
March 5, 2015
Falha quando combina heterónimos com ortónimo sem a devida identificação do autor de cada poema. De resto, é uma reunião razoável de alguns bons poemas de Pessoa.
Profile Image for laura .
62 reviews
September 7, 2026
•”Profusão de interesses que denota a desesperada tentativa de compreender o homem em sua totalidade.”

🔆•"Toda a literatura consiste num esforço para tornar a vida real"

•”Eu vejo-me e estou sem mim, Conheço-me e não sou eu.”

•”Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou,”

🔆•”Meu Déus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?”

•”Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que
possa dizer - eu sou eu?
Mas sei que o que eu sinto, sinto-o eu.”

•”Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha. Estrangeiro aqui como em toda a parte”

•”Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.”

🔆•”O coração, se pudesse pensar, pararia”

•”A quem, como eu, assim, vivendo não sabe ter vida, que resta senão, como a meus poucos pares, a renúncia por modo e a contemplação por destino?”

•”Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.”

•”Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores, E que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol.
(…)
Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.”

🔆•”Deus é o existirmos e isto não ser tudo.”

•”Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive,(…)
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.”

🔆•”Multipliquei-me, para me sentir, Para me sentir, precisei sentir tudo,
(…)
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus
diferente.”

🔆•”E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me
lembrarei da vida.”

•”A maioria da gente, porque é estúpida, consegue não dar por isso, e julga que ainda ama porque contraiu o hábito de se sentir a amar.”

🔆•”Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir.”

•”Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”

•”A vida é breve, a alma é vasta”
Profile Image for frasmau.
25 reviews
February 10, 2025
3,5 ⭐️

Acho que a primeira escolha de ler Fernando Pessoa ser essa me causou um pouco de estranheza porque iniciei sem saber muito do que se tratava, mas me envolveu. Uma leitura difícil e as vezes cansativa ele traz um sentimento de desesperança esperançosa. É interessante analisar a sociedade descrita da época sob a perspectiva de um escritor, português e anticomunista.

Muitas frases que, por vezes, me fez interromper a leitura e refletir sobre: o que ele sentia, como isso me atingia e motivo de atingir e foi uma experiência completa. A infelicidade de alguém que tem tudo (o que a sociedade diz ser o ideal (e sabemos que nem isso)), e a infelicidade do ser em ser, viver. Ver a vida passar e acontecer sem que você faça algo é assustador, então entendo por vezes o Fernando.

O último poema dele para a amada, simplesmente sem estruturas. É um livro que te dará reflexão sobre a solitude da vida, sobre as consequências e sobre quem você quer ser.
Profile Image for Sophia Campos.
40 reviews
December 15, 2023
Essa pequena coletânea da vasta obra de Pessoa e seus heterônimos são indispensáveis para quem já conhece ou quer conhecer mais sobre esse grande autor.
Mesmo eu tendo várias divergências ideológicas com ele, me fascina por sua imensidão sentimental sobre a existência e a vida.
Recomendo de mais para todos aqueles que estão com o coração sensível para refletir sobre seu entorno.
3 reviews1 follower
September 1, 2019
Uma boa coletânea para conhecer pessoa ou uma boa coletânea para reencontear pessoa
Profile Image for Vera Sofia  Mendes.
23 reviews5 followers
November 7, 2020
Genial como sempre!
Um livro para se ler e reler.
Sempre com o brilhantismo de Pessoa e de tudo o que lhe passava pela cabeça.
Um privilégio.
Uma descoberta de poemas para uma Vida.
Profile Image for Vera Mendes.
30 reviews2 followers
January 3, 2023
Genial como sempre!
Um livro para se ler e reler.
Sempre com o brilhantismo de Pessoa e de tudo o que lhe passava pela cabeça.
Um privilégio.
Uma descoberta de poemas para uma Vida.
Profile Image for Beatriz Lourenço.
20 reviews
April 12, 2026
"Toda a constituição do meu espírito é feita de hesitação e de dúvida"

Poema em Linha reta
Profile Image for m.
49 reviews10 followers
August 12, 2019
not my time to read it, almost lost myself
Profile Image for Joana.
18 reviews
November 10, 2017
Brilhante ... só tenho pena não ter tido a oportunidade de o ler à uns dois anos atrás, mas anseio que a maturidade para perceber as suas obras não seria a de hoje.. adorei também o facto de alguns excertos estarem realçados em letras bem grandes em páginas pretas .. achei diferente. Tanto que nos diz com unicamente simples frases ..

“Quem não quiser sofrer, que se isole”

“Pensar é estar doente dos olhos” Fernando Pessoa
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