Entre novembro de 1959 e maio de 1960 Italo Calvino fez a sua primeira longa viagem aos Estados Unidos, uma viagem que por várias razões se pode definir como «iniciática». Esteve sobretudo em Nova Iorque, a cidade que ele mais amou, a cidade que o absorveu «como uma planta carnívora absorve uma mosca». Visitou numerosos estados e centros urbanos - Cleveland, Detroit, Chicago («a verdadeira cidade americana, produtiva, material, brutal»), São Francisco, Los Angeles, Montgomery, Nova Orleães, Savannah («a mais bela cidade dos Estados Unidos»), Houston, tendo encontros com escritores, editores e agentes literários, mas também com homens de negócios, sindicalistas e ativistas pelos direitos civis (o primeiro dos quais foi Martin Luther King) e gente comum.
Ao tornar a Itália, deu forma acabada aos apontamentos de diário e à correspondência pública e privada daquela viagem que tanto o surpreendeu e enriqueceu a sua formação. Tinha a intenção de fazer um livro «como As Viagens de Gulliver. Aventuras, e sobretudo desventuras, certamente não me faltaram».
Italo Calvino was born in Cuba and grew up in Italy. He was a journalist and writer of short stories and novels. His best known works include the Our Ancestors trilogy (1952-1959), the Cosmicomics collection of short stories (1965), and the novels Invisible Cities (1972) and If On a Winter's Night a Traveler (1979).
His style is not easy to classify; much of his writing has an air reminiscent to that of fantastical fairy tales (Our Ancestors, Cosmicomics), although sometimes his writing is more "realistic" and in the scenic mode of observation (Difficult Loves, for example). Some of his writing has been called postmodern, reflecting on literature and the act of reading, while some has been labeled magical realist, others fables, others simply "modern". He wrote: "My working method has more often than not involved the subtraction of weight. I have tried to remove weight, sometimes from people, sometimes from heavenly bodies, sometimes from cities; above all I have tried to remove weight from the structure of stories and from language."
Quis o acaso que única obra de Italo Calvino na minha estante fosse não um dos romances por que é mais conhecido mas um dos seus livros de viagens, que me foi oferecido há já alguns anos. Permaneceu não lido, sempre adiado, sei lá bem por que motivos. Por fim, tendo a minha curiosidade por Calvino sido avivada há dias por outros motivos, peguei irrefletidamente neste livro, como que para provar as águas antes de adquirir uma das suas outras obras. Estava consciente, desde início, de que este não seria o livro o ideal para um primeiro contacto com este autor, mas como também sou apreciador do género, e por questões práticas, lancei-me na sua descoberta. E à descoberta da América de 1959-60. Passados mais de 60 anos sobre a sua viagem, as suas impressões a respeito daquele país têm hoje o valor, além de literário, de um documento histórico, que dão ao livro uma camada extra de interesse pelas considerações do autor sobre a política, a cultura e a sociedade americanas, em especial com a Guerra Fria e a luta pelos direitos civis em pano de fundo. (Ler este livro ao mesmo tempo que, na televisão, estive a ver uma série que incide sobre um outro período essencial da história americana, a era dourada do final do século XIX, enriqueceu a apreciação das duas coisas.) A leitura começou, portanto, como um mero teste, mas superou a expectativa. Decididamente, a curiosidade pela obra de Calvino mantém-se e irá resultar proximamente na leitura de O Cavaleiro Inexistente, que me atraiu a atenção.
Entre Novembro de 1959 e Maio de 1960 Italo Calvino passou uma temporada nos Estados Unidos da América, experiência comum a outros intelectuais europeus, como Natália Correia e Simone de Beauvoir. Tal como elas Calvino foi apontando as suas experiências e impressões quanto a paisagens, pessoas e modos de vida que foi encontrando ao longo do seu périplo. Nova Iorque, Nova Orleães, Detroit, Las Vegas, San Francisco, Savannhah (a mais bela cidade que por lá viu) deram-lhe conta da diversidade de vidas nos EUA e das grandes diferenças para com a sua Europa. Do frenesim cultural de Nova Iorque ao tédio dos subúrbios de várias outras partes do país, passando pela experiência nos estados do Sul onde a questão racial estava presente (e onde se cruzou com Martin Luther King) a viagem deixou marcas e recordações no escritor. Os seus interlocutores foram pessoa smuito diveras entre si. Intelectuais europeus e americanos, mas também anónimos que foi encontrando enquanto cruzava o país de autocarro, carro e avião. A distância no tempo não belisca o interesse em seguir o olho arguto e análise perspicaz e humana de Calvino. Um livro de viagens que valeu realmente a pena ler.
Calvino’nun Kasım 1959-Mayıs 1960 tarihleri aradında Amerika’ya yaptığı ilk yolculuğuna ait notlar ve mektuplardan oluşan metinleri içeriyor. Belli başlı konularda daha önceki kitabı “Paris’te Münzevi”de yazdıklarının daha geniş, detaylı anlatımları ve ikincil önemdeki konuları 1961’de toparlamış Calvino. Sadece bu kez daha eleştirel yaklaşıyor önceki yazdıklarına, hayranlığının dozu düşmüş.
Aslında hazırladığı bu taslağı yayınlamaktan vazgeçmiş, iyi de yapmış bence, keşke ölümünden yıllar sonra 2014’de yayınlanmasaydı. Çünkü kendi sözleriyle “yazın yapıtı olarak yetersiz hissettim, gazete röportajı olarak da yeterince özgün değildi”. Okunmasa olurlardan.
Há livros de viagens e há livros de viagens. E este é incrível… retrata o período de seis meses que Calvino passou nos EUA entre 1959 e 1960, tendo, como pano de fundo, muitos reflexos do macarthismo, o eclodir da recente revolução cubana, a guerra fria. É um livro de viagens como gosto mesmo, porque fala do que se sente , acima de tudo, de este a oeste, de norte a sul, num país tão complexo, então e agora.
Várias vezes durante a leitura tentei imaginar um exercício de escrita do que era relatado , mas nos dias de hoje.
Calvino è sempre una garanzia, di stile, di contenuto e non solo. Stimola sempre alla riflessione, al ragionamento. Scritto 76 anni fa ha una sua freschezza, gli americani sono sempre ancora quelli descritti da lui. Purtroppo il suo ottimismo che, nelle ultime annotazioni, si riassume nell'auspicio che le due realtà contrapposte che ha avuto modo di conoscere direttamente anche se in tempi diversi, cioè USA e URSS, abbiano nel futuro di che imparare l'una dall'altra, per arrivare ad un mondo che esprima il meglio della propria STORIA. Oggi,vedendo lo sviluppo avuto dalla Storia di queste due nazioni, definirei Calvino non un ottimista ma un "illuso". E' un libro molto interessante. Lo consiglio.
Há tanto tempo que não lia nada de Calvino que já mal me lembrava de que era tão bom.
No final dos anos 50 e início dos anos 60, graças a uma bolsa da Fundação Ford, Calvino passou seis meses nos Estados Unidos da América, deambulando por vários estados tal como tantos (incluindo eu) sonham.
Nova Iorque foi a sua cidade de eleição, e aquela onde passou mais tempo, mas Calvino partilha connosco também as suas impressões sobre Chicago, Detroit, Cleveland, Los Angeles, São Francisco, Boston, Nova Orleães e Savannah.
Sempre com um espírito positivo, descreve as cidades, a sua geografia, a sua arquitetura e sobretudo as suas gentes. Mas há algo que registou há 50 anos, quando regressou a Nova Iorque para terminar a sua viagem, que tomara a nós se verificasse em alguns casos nos dias de hoje:
"Estive fora dois meses e já não reconheço os lugares: casas que não havia antes, perspetivas que desapareceram. Contudo aqui não se sente o mesmo que em Itália. Porque entre nós quem vê surgir um feio edifício para especulação tem uma sensação de embrutecimento definitivo, sabe que irá tê-lo diante dos olhos toda a vida, que o verão os seus filhos e os seus netos. (...) Mas fica sempre esta consolação: à provisoriedade do belo corresponde a provisoriedade do feio; uma casa feia dura pouco, trata-se apenas de aguardar."
There is nothing spectacular about the book. The tone is that of a calm, composed observer. But I could not help but find it brilliant. Italo Calvino is such a refreshingly honest writer, letting himself go with observations of even banal phenomena, he manages to squeeze himself into all kinds of situations, mingles with people on all sides of the political, economic, racial spectrum. His observations are profound and teasing at the same time. Beautiful.
Che bello leggere i pensieri di Calvino e vedere come si sono intrecciate alle mie riflessioni su questo viaggio in America. Sicuramente questa idea di contrapposizione tra America ed Europa, che il paragone è così diretto e così si finisce per paragonare continuamente, cosa che non capita in viaggi in posti per definizione piu esotici. Ma l’america in realtà forse è solo più esotica di quello che pensiamo. La cultura del lavoro, e della banalità delle cose che sembrano racchiudere una felicità di plastica. Sembra che tutto sia un po’ più in superficie in America e così più facile da acchiappare ma anche più difficile da scavare per davvero. Non so più dove finiscono i miei pensieri ed iniziano quelli di Calvino. Poi tutta la riflessione sulla guerra fredda, e sulla razza. Dev’essere stata proprio magica l’America e la new york che ha visto e vissuto Calvino nel 1959 pensa l’anno in cui è nata mamma.
Calvino ha una grande qualità: trasportare il presente nel futuro. Probabilmente questo è anche il pregio più grande del libro, ovvero riuscire a rimanere attuale grazie alla creazione di ponti, di connessioni, e slanci tra presente e futuro. Affronta diversi temi (a volte interessanti, a volte no), e trovare una somiglianza con i nostri giorni è tanto frequente quanto vedere delle incongruenze con l'America che, almeno da lontano, conosciamo oggi. Purtroppo, più di una volta, mi sono resa conto del perché alla fine avesse deciso di non pubblicare questo libro (che gli manchi qualcosa? Non saprei dire, alla fine). Tuttavia, generalmente è una lettura che ha superato le mie aspettative: le capacità di Calvino non sono neanche da mettere in discussione.
Una testimonianza interessante da conoscere riguardo la vita dello scrittore. Nonostante il viaggio di Calvino appaia datato, si parla del periodo fra il 1959 e il 1960, prima dell'elezione di Kennedy quindi, il testo resta ugualmente un resoconto molto acuto sull'attualità di quel momento storico in America, e resta per noi lettori contemporanei, sul piano storico una raccolta preziosa. Calvino ha quella capacità di lettura della realtà, con una spinta che dal presente va dritta al futuro, che consente al lettore di oggi di tracciare un filo conduttore che da oltre sessanta anni addietro, giunge ai nostri giorni e consente di riallacciarsi all'attualità.
Diario di viaggio tra il serio e l’esilarante sui circa sei mesi passati negli Stati Uniti da Calvino tra il 1959 e il 1960. Diviso in capitoli tematici (alcuni interessanti, altri meno) risulta un contributo estremamente prezioso specie se letto nell’ottica del confronto tra l’America raccontata da Calvino e l’America di oggi: ovviamente diversissima sotto certi aspetti e incredibilmente sempre uguale per altri.
A travel diary, written after 6 months traveling around US. Comments span a wide array of cities and topics and are purposefully kept brief, but they are deep, insightful and brilliant, even though at times a bit judgy. United States, are, in a way, an excuse to reflect about human nature, just like most of the places and Calvino invented. A timeless piece, which reflects today’s US as much as the 1950’s US.
Interessante descrizione dell’America che anche se è di 60 anni fa ha ancora osservazioni valide. Incredibile che non sia cambiata tanto!! Alcuni problemi non sono stati risolti ancora!! Facile lettura con anche umorismo e tante avventure!!
Səyahət kitabları oxumağı sevməyən bir yazıçının yazdığı kitabdır. Səyahət kitabları oxumağı sevməyən oxucuların sevəcəyi kitab olacaq. Kitabdakı analiz və "insight"ların bir çoxu hələ də aktualdı, hətta bəzi söhbətlər (beatnik-lər, hippilər) deyəsən 1960-da təzə başlayırmış.
I love Italo Calvino's books and writing, and this is another example of his knowledgeable and sensible thinking. It's always very interesting to read about intelligent people's impressions about places, especially when it's places you love and care about. It was also interesting to see how so much of modern America, and Western society in general, was already in place in 1960, so many years ago and yet so similar to the present day.
Um conjunto vasto e diversificado de apontamentos, comentários e reflexões sobre a América, resultantes de uma estadia prolongada naquele país, em Nova Iorque, principalmente, mas também noutras cidades. Apenas duas notas: a primeira para destacar como Calvino ainda via, na sua perspectiva de europeu, como estranhas, coisas que hoje são vulgares em todo o mundo. A segunda para perceber como a visão de Calvino sobre a América era, de certo modo, uma visão do futuro, do mundo tal como hoje em dia o conhecemos e vivemos.
A escrita de Italo Calvino prima por uma elegância que em momento algum é posta em causa, e mesmo quando se contradiz, assume mudar de opinião à medida que vai prosseguindo a sua viagem. Este retrato humano e lúcido da América, na sua essência, continua atual e é fruto de um olhar iluminado por um espírito brilhante. Um livro indispensável para se conhecer a América.