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O Amanuense Belmiro

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A história de um homem sentimental, tolhido pelo excesso de vida interior. Belmiro chegou quase aos quarenta anos sem nada ter feito de apreciável. Rememora sua infância e adolescência, buscando encontrar-se. Massacrado por um cotidiano vazio e sem sentido, rabisca seu diário em busca de uma ponte entre a realidade e o sonho. No retrato desse burocrata lírico, um dos maiores sucessos da literatura brasileira.

200 pages, Paperback

First published January 1, 1937

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About the author

Cyro dos Anjos

10 books8 followers
Cyro dos Anjos (Ciro Versiani dos Anjos), jornalista, professor, cronista, romancista, ensaísta e memorialista, nasceu em Montes Claros (MG) em 5 de outubro de 1906, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de agosto de 1994.

Foi o 13º dos 14 filhos do casal Antônio dos Anjos e Carlota Versiani dos Anjos. Fez o curso primário em Montes Claros e começou seus estudos secundários, aos 13 anos, na Escola Normal da mesma cidade. Em fins de 1923, foi para Belo Horizonte, a fim de estudar humanidades e fazer o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, pela qual se formou em 1932. Durante os anos de faculdade, trabalhou como funcionário público e jornalista. Trabalhou no Diário da Tarde (1927); no Diário do Comércio (1928); no Diário da Manhã (1920); no Diário de Minas (1929-31); em A Tribuna (1933) e no Estado de Minas (1934-35).

Depois de formado, tentou a advocacia na sua cidade natal. Desistindo da profissão, voltou à imprensa e ao serviço público. Em Minas, exerceu os seguintes cargos: oficial de gabinete do secretário das Finanças (1931-35); oficial de gabinete do governador (1935-38); diretor da Imprensa Oficial (1938-40); membro do Conselho Administrativo do Estado (1940-42); presidente do mesmo Conselho (1942-45). Foi professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia de Minas Gerais (1940-46), na qualidade de fundador.

Em 1933, como redator de A Tribuna, publicou uma série de crônicas que seriam o germe do seu mais famoso romance, O amanuense Belmiro (1937), de análise psicológica, escrito na linha machadiana, explorando a vida de um funcionário público da capital mineira.

Em 1946, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou, durante o governo Dutra, as funções de assessor do ministro da Justiça, diretor do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado IPASE (1946-51), e presidente do mesmo Instituto, em 1947. Colaborou também em diversos órgãos da imprensa carioca.

Convidado, em 1952, pelo Itamarati, a reger a cadeira de Estudos Brasileiros, junto à Universidade do México, residiu nesse país até 1954, quando foi transferido para igual posto na Universidade de Lisboa. Em Portugal publicou o ensaio A criação literária (1954).

Em fins de 1955 regressou ao Brasil, e, em 1957, foi nomeado subchefe do gabinete civil da Presidência da República. Com o governo Kubitschek, transferiu-se para Brasília, onde exerceu, depois, as funções de conselheiro do Tribunal de Contas e de professor da Universidade. Participou da Comissão designada pelo Governo Federal, em 1960, para planejar a Universidade Nacional de Brasília, vindo a ocupar a função de coordenador do Instituto de Letras da mesma Universidade. Ali regeu, na qualidade de professor titular extraordinário, em 1962, o curso "Oficina Literária". Aposentado em 1976, voltou a residir no Rio. Não se desligou das atividades do ensino, continuando a ministrar, na Faculdade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o curso "Oficina Literária".

Em 1º de abril de 1969 foi eleito o quarto ocupante da Cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de de Manoel Bandeira e recebido pelo acadêmico Aurélio Buarque de Holanda em 21 de outubro de 1969.

Recebeu os seguintes prêmios literários: da Academia Brasileira de Letras, pelo romance Abdias (1945); do PEN-Clube do Brasil e da Câmara Brasileira do Livro, pelos livros Explorações no tempo (1963) e A menina do sobrado (1979).

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4 (2%)
Displaying 1 - 20 of 20 reviews
Profile Image for Marcos Junior.
353 reviews12 followers
May 29, 2017
O retrato da decadência na substituição de uma família de orgulhos fazendeiros em um burocrata do estado. Cyro dos Anjos mostra como o ideal da vida pública no Brasil destrói o espírito, leva ao imobilismo e ao vazio existencial. O livro não tem propriamente uma estória, mas acompanha um ano na vida de Belmiro, que se afunda em uma melancolia baseada no não viver, na passagem dos dias entregue ao ócio e a amizades que vão se fragmentando pois ele é o único que não avança em sua vida. Na tradição de grandes romances que mostra a mediocridade da vida sem riscos na estrutura do estado. Um fenômeno que atravessa culturas e foi retratado por Dostoievesky, Melville e tantos outros.

O pequeno romance de Cyro dos Anjos não fica devendo aos grandes mestres. Ao mesmo tempo que retrata o fenômeno universal, consegue captar o panorama local brasileiro, que antecipa o país que nos tornamos hoje.
Profile Image for André.
2,514 reviews33 followers
December 24, 2022
Ciro Versiani dos Anjos was ambtenaar en werkte voor de kranten van Belo Horizonte (MG). In 1933, schreef hij als redacteur van de Tribune, een reeks kronieken die de kiem zouden zijn van zijn beroemdste roman, de Amanuense Belmiro (1937), een soort van psychologische analyse van het leven van een ambtenaar van de hoofdstad. Zijn tweede roman, Abdias,Kwam uit in 1945. Op uitnodiging van het Braziliaanse Ministerie van buitenlandse zaken, had Ciro dos Anjos in 1952 de leerstoel van Braziliaanse studies aan de Universiteit van Mexico en, in 1953, aan de Universiteit van Lissabon.
• Hoofdpersonage Ambtenaar Belmiro geeft ruwweg vijftien maanden weer uit het leven van Belmiro Bora – een intelligente, goedopgeleide, introverte Braziliaanse staatsambtenaar met literaire ambities, die hij tot uiting brengt in zijn dagboek. In een periode van hevige politieke en sociale onlusten (1935-1936) gaat de verteller gebukt onder het feit dat zijn vrienden en kennissen ruziën en relaties verbreken over ideologieën terwijl hij zelf worstelt met zijn scepsis en schroom. Hij realiseert zich dat hij door zijn vermogen om begrip te hebben en sympathiseren met beide kanten zijn verlangen naar grotere betrokkenheid in het leven ondermijnt, maar toch is hij niet in staat om de filosofieën of ideologieën die zijn vrienden de weg lijken te wijzen volmondig te accepteren.
De eerste uitgave van dit mooie boek dateert van 1936 en schuift Ciro dos Anjos naar voren als een van de groten uit de Braziliaanse literatuur.
Amanuense Belmiro wordt verteld in de eerste persoon door Belmiro Borba, het centrale karakter. Hij is een verlegen en dromerige man, terwijl hij ook begiftigd is met het groot vermogen om zichzelf en anderen te observeren. Een vrouw, later geïdentificeerd als Carmélia, wordt verliefd wordt op hem, maar, onthult nooit haar gevoelens. Belmiro geeft een reeks van gedachten weer die voortvloeien uit gesprekken met een groep van vrienden
Tegelijkertijd herinnert hij zich zijn kindertijd, met de geliefde Carmélia, die hij een Arabela Maiden noemt, een oude vriendin. Bovenal zoekt , Belmiro toevlucht in dromen, illusies, en wordt zelden geconfronteerd met de werkelijkheid. De kleine wereld van deze man wordt geleidelijk onthuld, via een soort dagboek, waarin hij scènes van het dagelijks leven en reflecties en herinneringen koestert.

Profile Image for WillemC.
600 reviews27 followers
January 21, 2024
"Dat het leven stilstaat en er niets meer te schrijven valt."

In 94 dagboekaantekeningen volgen we ruim een jaar uit het leven van Belmiro, een ambtenaar op de dienst Groei en Ontwikkeling, wiens literaire ambities al lang begraven zijn en nu nog slechts wat aanmoddert. Alhoewel hij eigenlijk zijn memoires wil schrijven en focussen op het verleden waar hij lijkt in vast te zitten, dringt het heden zich meer en meer op. Belmiro bevindt zich namelijk in een gevarieerd gezelschap van vrijgevochten vrouwen, (pseudo-)filosofen, politiek geëngageerden, ... net op het moment - 1935 - dat er heel wat maatschappelijke spanningen zijn. Belmiro ziet hoe velen rond hem gaandeweg een levenspad vinden, dat van hem blijft echter leeg en onbevredigd. 4.25/5

"Ik had te doen met de hond en betreur het dat dieren geen oog hebben voor het ridicule."

"Wie dat wil mag kwaadspreken van de literatuur. Ikzelf zal zeggen dat ik er mijn redding aan te danken heb."
Profile Image for Sergio.
254 reviews2 followers
April 25, 2020
Este livro já foi citado por outros autores diversas vezes, mas o achei intragável. Uma linguagem empolada, muito formal e cheia de pedantismos. Demais mesmo para meados da década de 30 do século XX. Tentei prosseguir na leitura por curiosidade e para poder ter uma opinião sobre a obra, mas fui vencido. Tenho muito mais livros interessantes e se não prazerosos, instigantes para ler.
Profile Image for Cicero Marra.
354 reviews23 followers
June 15, 2017
É a mesquinharia de sempre: burocracia, amores não correspondidos, saudade da infância, frustração. A vantagem é que Cyro dos Anjos é um grande prosista e um autor muito engraçado, e isso salva.
14 reviews
June 25, 2023
Um homem invadido pela vontade de viver, alguém que em sua depressão so queria ficar em casa e apodrecer, deixando a vida passar. Uma paixão que reacendeu a chama, e o homem mero espectador disso. Tem seu ápice nos momentos filosóficos de Belmiro, e seus baixos no momentos de desenrolo da narrativa, que não prende muito, e nem é a sua intenção. Um livro muito interessante no âmbito da analise, procurando o autor no livro, tentando entender a complexidade de alguns personagens, como Belmiro e Silviano(canalha rs). Um livro sobre a vida, e talvez até uma experiência do escrever, pela perspectiva de Cyro. Interessantíssimo de analisar, divagar. De ler, altos e baixos, mas gostoso de se fazer a leitura, contemplativo e belo em diversos momentos.
Profile Image for Ricardo Santos.
Author 10 books25 followers
July 16, 2016
Este romance é um dos meus prediletos e um tesouro meio escondido da literatura brasileira. A sagacidade da prosa do mineiro Ciro dos Anjos é um deleite. A crônica da classe média, com gente de alguma posição, mas sem dinheiro, é muito precisa. A mediocridade, anseios e frustrações desse universo é muito bem retratado pelo ponto de vista do ora melancólico, ora irônico protagonista, um funcionário público que faz parte desse meio, mas se sente um "estranho dentro do ninho". Obra máxima de um autor à frente do seu tempo.
Profile Image for Al.
270 reviews1 follower
January 6, 2021
Preparando terreno para o genial Pedro Nava, Cyro dos Anjos refina no próprio livro seu estilo, reformando sua escrita no decorrer da obra de forma a reobjetivá-la. Entre pedantismos pseudo-intelectuais e passagens de puro lirismo, conseguiu-se um retrato da heterogeneidade e, por que não, da mediocridade provinciana de uma Belo Horizonte na primeira metade de século XX.
102 reviews
January 13, 2020
Begrijp niet dat dit boek uit 1935 men dit werk beschouwd als een hoogtepunt van de Braziliaanse literatuur. Het verhaal is nog saaier gebracht dan zijn hoofdpersonage. Of was dit misschien de bedoeling?
Profile Image for Henrique.
1,029 reviews26 followers
January 12, 2024
A inspiração no Machado de Assis chega a ser gritante e isso me incomodou bastante. Mas o livro não é de todo mal, embora eu prefira, nessa estratégia de um personagem apagado escrever suas memórias, "O braço direito" do Otto Lara Resende.
Profile Image for lucy.
19 reviews
September 16, 2023
10.07.2023 47% - "— Eis aí, respondeu. Vocês querem ser literatos sem ter lido Camilo. "Perrexil" é o estimulante do pensador. Perrexil é a Musa.
— Está bem. Já que os deuses não são propícios, bebamos." o Silviano é meu espírito animal kk

20.07.2023 57% - o casamento da Carmélia meu que dor, vou até interromper a leitura um tempo... como é dura a vida dos românticos incuráveis
Profile Image for Mauro Kleber.
196 reviews
May 25, 2020
Uma verdadeira pérola literária. Que delícia compartilhar as indecisões, dúvidas existenciais e a ironia de Belmiro, tendo como pano de fundo a Belo Horizonte dos anos 1930. Um clássico
Profile Image for Alexandre.
26 reviews2 followers
November 26, 2013
Tinha lido críticas entusiasmadas acerca do diário de Belmiro desde o centenário da obra em 2006, mas somente agora pude avaliar a qualidade deste romance. Talvez não tenha me entusiasmado tanto quanto Antonio Candido, mas certamente não há como deixar de concordar que este livro foi realmente escrito por um homem culto de claras influências citadas no livro. Nota-se habilidade de enriquecê-lo com lirismo e refinamento particulares. Encontra-se um Brás Cubas em 1935. Alguns capítulos chegam a cansar (é o mesmo cansaço do funcionário público) e fiz várias pausas antes de finalizá-lo. Expressões e frases em francês talvez quisessem dar um toque cosmopolita a dramas da Vila Caraíbas, talvez com a mesma intenção de outros modernistas como Murilo Mendes, embora desnecessárias ou inócuas. Um capítulo do qual vou me recordar: o 84 (Um "Vira-Lata"). Finalizei a leitura encontrando preciosidades, algumas das quais aqui reproduzo (da 16ª edição, Garnier):


"Há, sem dúvida, uma trama secreta que, encadeando os acontecimentos, envolve uma química, uma física e uma economia social extremamente sutis para que a ciência humana possa penetrá-las.E essa trama se evidencia, para mim, no caráter de necessidade que julgo acentuar as aproximações humanas, os encontros mais rápidos que sejam e se nos afiguram fortuitos. Vivendo e observando as coisas, perceberemos que o fugidio vulto — mal entrevisto em um encontro que nos pareceu destituído de significação ou consequência — teve, mais tarde, um momento de maior ou menor influência em nossa vida. As leis que regulam a circulação dos homens nos parecerão, então, lógicas, em tal ou qual sentido, e já não veremos acaso nem gratuidade no desenrolar dos fatos da vida" (p.43)

"As coisas não estão no espaço; as coisas estão é no tempo. Há nelas ilusória permanência de forma, que esconde uma desagregação constante, ainda que infinitesimal. Mas não me refiro à perda da matéria, no domínio físico, e quero apenas significar que, assim como a matéria se esvai, algo se desprende da coisa, a cada instante: é o espírito cotidiano, que lhe configura a imagem no tempo, pois lhe foge, cada dia, para dar lugar a outro, novo, que dela emerge. Esse espírito sutil representa a coisa, no momento preciso em que com ela nos comunicamos. Em vão o procuramos depois; o que, então, se nos depara é totalmente estranho. Na verdade, as coisas estão é no tempo, e o tempo está é dentro de nós. A alma das coisas, em certa manhã de maio no ano de 1910, ou em determinada noite primaveril, doce, inesquecível, fugiu nas asas do tempo e só devemos buscá-la na duração do nosso espírito." (p.97-98)

"No momento de devastação, alma e corpo se solidarizam"

"Afinal, são inúteis essas tentativas de análise e de interpretação de nós mesmos. Há, em nós, abismos insondáveis, que jamais exploraremos, onde se recolhem, pelo tempo que lhes apraz, as combinações múltiplas, várias, tantas vezes contraditórias, que compõem as formas sucessivas do nosso espírito." (p.101)

"Há, em mim, escrúpulos de espírito e de sentimento que não aceitam radicalismos revolucionários. E há, sobretudo, uma contínua suspeita de que é desconhecer a natureza do homem, pretender discipliná-lo com teorias rígidas..." (p.139)

"O leitor é, de certa forma, um escritor frustrado. Incapaz de criar, compraz-se na criação alheia" (p.188)

"A vida é um constante descobrimento e uma retificação constante" (p.196)

"Quem quiser fale mal da literatura. Quanto a mim, direi que devo a ela
minha salvação. Venho da rua oprimido, escrevo dez linhas, torno-me
olímpico." (p.198)
Profile Image for Caio Marinho.
31 reviews
December 16, 2025
Um livro que começa em nada e chega em lugar nenhum, O amanuense Belmiro tenta encontrar a beleza nas coisas mundanas do universo masculino, mas -- em grande parte -- só encontra as coisas mundanas.

O narrador -- Belmiro Borba, funcionário público -- começa o livro com o intuito de escrever suas memórias, mas se desvia rapidamente, passando a maior parte do livro relatando as banalidades de sua vida presente: o trabalho fácil na repartição pública, a roda de conversa com amigos no bar ou na casa de alguém; um ou outro pequeno amor. Aqui, por exemplo, ele descreve um colega de trabalho:

Admiro, como caso excepcional, o companheiro de cavanhaque e lunetas douradas, que trabalha no compartimento contíguo. É o Filgueiras. Sente-se que ele está firme e definitivo na sua escrivaninha de primeiro oficial.
É o homem que manda o peticionário selar a petição e que volte, querendo. O processo é sua religião e o senhor diretor a instância suprema. Quando sorri, seu semblante se abre como que recitando a fórmula 'saúde e fraternidade'. Quando franze os sobrolhos, e isso acontece sempre que a praxe foi relaxada, seu vulto assume a gravidade de um edifício público, e sente-se que, atrás dele, está todo um sistema de leis fiscais, com multas e penas.


A atmosfera é lírica, porém derrotista: o narrador sonha, mas desiste facilmente de seus sonhos.

Aos vinte e oito anos eu poderia (não sendo apenas amanuense) pretender essa Carmélia que não terá chegado aos vinte. Mas, aos trinta e oito, é de todo impossível, e Glicério haveria de rir-se de mim. Eu próprio me tenho rido, muitas vezes, quando não me irrito, e escrevo, à margem destas páginas: idiota, idiota, idiota.


É interessante ver os registros históricos da época do Estado Novo no Brasil: esta ainda é a época dos bondes, zepelins e dos "auto-caminhões" (hoje em dia, só caminhão mesmo). A história acontece quando Belo Horizonte está se urbanizando, mas ainda tem traços de cidade do interior (uma dualidade que se reflete no narrador: Belmiro é funcionário público, mas vem de família de fazendeiros). O livro traz cenas explicitamente políticas, mas estas assumem a mesma cor dos outros aspectos banais da vida do narrador: o tom do texto não muda mesmo quando, por exemplo, um delegado suspeita de que Belmiro está mancomunado com os comunistas. Não, não: é só mais um dia na vida pacata do amanuense.
Profile Image for Leandro.
12 reviews1 follower
June 14, 2024
Um suplício literário muitíssimo bem escrito.

Profile Image for rafael montenegro fausto.
37 reviews1 follower
November 21, 2016
"...As coisas não estão no espaço; as coisas estão é no tempo. Há nelas ilusória permanência de forma, que esconde uma desagregação constante, ainda que infinitesimal. Mas não me refiro à perda da matéria, no domínio físico, e quero apenas significar que, assim como a matéria se esvai, algo se desprende da coisa, a cada instante: é o espírito cotidiano, que lhe configura a imagem no tempo, pois lhe foge, cada dia, para dar lugar a outro, novo, que dela emerge. Esse espírito sutil representa a coisa, no momento preciso em que com ela nos comunicamos. Em vão o procuramos depois; o que, então, se nos depara é totalmente estranho. Na verdade, as coisas estão é no tempo, e o tempo está é dentro de nós. A alma das coisas, em certa manhã de maio no ano de 1910, ou em determinada noite primaveril, doce, inesquecível, fugiu nas asas do tempo e só devemos buscá-la na duração do nosso espírito."
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Profile Image for Denis Araki.
8 reviews1 follower
February 21, 2008
Nuuuuooossa, que título em inglês! Em português é "O amanuense Belmiro" e, como o título em inglês revela, é um diário de um funcionário público, no caso, mineiro. Tem um humor muito sofisticado e leitura leve, fluida.
Cyro dos Anjos foi considerado por Drummond como o maior prosista brasileiro de sua época. Acho que ele não se enganou.
Profile Image for Orlando Tosetto.
42 reviews14 followers
August 14, 2014
Minha edição é da Garnier, e não é boa: o final de algumas páginas é quase ilegível, e há retoques a mão nos fotolitos. Uma pena, porque o livro é muito bom. E tem humor fino, tão fino que às vezes é preciso voltar um parágrafo para confirmá-lo.
Profile Image for Gláucia Renata.
1,305 reviews41 followers
October 15, 2014
É uma espécie de livro de memórias (fictícias) de Belmiro, um funcionário público solteirão que vive com as duas parentes idosas e algo demenciadas. Seus amigos, principalmente Silviano são hilários, as histórias protagonizadas por eles rendem momentos divertidos.
Displaying 1 - 20 of 20 reviews

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