C. Wright Mills (1916-1962) foi um dos mais importantes cientistas sociais americanos do século XX. Analisou a sociedade em que vivia em livros que se tornaram famosos. Em A imaginação sociológica (1959), publicou um apêndice que se tornou um de seus textos mais lidos e admirados: "Sobre o artesanato intelectual". É esse o ensaio que abre a presente coletânea, que reúne ainda outros escritos do autor, alguns inéditos em português. No ensaio, Mills rejeita a separação entre vida e trabalho e defende a ideia de que um pode enriquecer o outro. Para os que buscam transformar seu ofício de cientista social numa verdadeira aventura intelectual e existencial, esta é uma leitura obrigatória e rejuvenescedora. “O conhecimento é uma escolha tanto de um modo de vida quanto de uma carreira; quer o saiba ou não, o trabalhador intelectual forma-se a si próprio à medida que trabalha para o aperfeiçoamento de seu ofício.”
Charles Wright Mills was an American sociologist and a professor of sociology at Columbia University from 1946 until his death in 1962. Mills published widely in both popular and intellectual journals, and is remembered for several books, such as The Power Elite, White Collar: The American Middle Classes and The Sociological Imagination.
Mills was concerned with the responsibilities of intellectuals in post–World War II society, and he advocated public and political engagement over disinterested observation. One of Mills's biographers, Daniel Geary, writes that Mills's writings had a "particularly significant impact on New Left social movements of the 1960s era." It was Mills who popularized the term "New Left" in the U.S., in a 1960 open letter "Letter to the New Left".
Eu já havia lido um outro livro desta coleção, "Técnicas de Escrita", de Howard S. Becker, durante o mestrado. Agora, retorno a ela durante o doutorado para ler Sobre o artesanato intelectual e outros ensaios, de C. Wright Mills, da mesma coleção da Zahar. Neste livro o sociólogo compara o artíficio de escrever sociologicamente com a produção artesanal, e porque não dizer também, com a forma artística de produzir e negociar aquilo que possa ser considerado com arte. Claro aqui ele usa a palavra "craft" que tem muito mais a ver com criações físicas do que com criações visual, então ficamos mais com a comparação com o artesão, mas também com o artista, com a pessoa de humanas em que a comparação "vender minhas miçangas na praia" cabe bem. Mills diz que escreve sociologicamente é algo instintivo, que vamos sem muitas metologias de escrita para o que produzimos, mirando o produto final. Nesse sentido, a escrita vai no "feeling" muito parecido com o das artes e do design, onde aquilo que agrada, sem ter muitas justificativas formais e nominais, é o que acaba ficando como certo. Um livro feito mais para saber romper da suas amarras do que se aferrar a outras. Bem interessante.