Em julho desse ano, comecei a ler "As mil e uma noites" com o box em 2 volumes da editora Nova Fronteira. Minha leitura do primeiro volume foi repleta de curiosidade, e comecei o segundo também bastante curiosa, porque o primeiro se encerrava interrompendo no meio uma história que estava bem interesse. Então, já comecei o segundo empolgada para saber como se encerraria da história do príncipe árabe e da princesa chinesa.
Logo me deparei com algumas diferenças entre o segundo volume e o primeiro, ao menos na edição em formato físico. No primeiro volume, o sumário enumera todas as noites que Sherazade passa com o sultão lhe contando histórias, e identifica, quando necessário, o título de uma nova história que ela conta. Já no segundo volume, apenas algumas das noites são numeradas, mas logo essa numeração se encerra, e tanto o sumário quanto o texto corrido do livro passam a identificar apenas as novas histórias. Dessa forma, o sumário do segundo volume é bem mais curto que o do primeiro.
Outra diferença que notei é que o primeiro volume contém mais histórias do que o segundo, e as histórias dele são mais curtas, ou divididas em mais partes. Já o segundo, contém menos histórias e elas são mais longas que as do primeiro. Esse livro também inclui duas histórias que eu tinha vontade de ler, que são das de Aladim e de Ali Babá e os 40 ladrões, provavelmente as histórias de tradição oral árabe mais conhecidas por aqui no Ocidente. Saiba que elas são bem diferentes do que nós costumamos conhecer em outras mídias que as adaptam.
Apesar disso, eu passei por um período de desânimo com esse segundo volume. Depois de um tempo, já estava um pouco cansada de "As mil e uma noites". Isso aconteceu porque, apesar de ser uma coletânea muito rica e interessante, algumas das histórias são repetitivas. Há muitas histórias, por exemplo, sobre um rei, sultão ou mercador muito rico, que morre e deixa seu governo, propriedades e/ou fortuna para um filho irresponsável que gasta tudo em festas, variando apenas nas consequências dessa irresponsabilidade e no desfecho. Mas também existem muitas outras histórias boas de aventura, fantasia e amor.
Quando cheguei ao conto de Aladim, tive um novo fôlego para continuar com a leitura, e consegui prosseguir com mais facilidade. Terminei a leitura na semana passada, me surpreendendo com a última história, sobre três irmãos que não suspeitavam ser filhos de um rei.
Apesar de lenta e cansativa, eu fiz uma leitura muito boa, repleta de surpresas, de momentos de tensão ou divertimento. Recomendo muito "As mil e uma noites", mas sugiro que se leia aos poucos, de preferência um volume por vez, para evitar o cansaço. Sei que existem muitas edições diferentes em Português, e que algumas delas dividem o conjunto das histórias em vários volumes. A edição da Nova Fronteira é muito bonita e bem organizada, contendo notas no final para explicar alguns termos típicos da cultura e história árabe.