O trágico diário de uma jovem berlinense, escrito entre 20 de abril de 1945 e 22 de junho do mesmo ano, durante a invasão e conseqüente ocupação russa da capital alemã. A autora descreve a vida miserável que levou e os repetidos estupros que sofreu durante esse período.
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O texto é um valioso registro histórico da vida civil em Berlim nos últimos dias da guerra e do imediato pós-guerra: bombardeios, perda de moradia, aflição dos abrigos antibombas, falta de comida, a busca por água, a relação com vizinhos, o temor da aproximação do exército inimigo, a nova realidade de ser um povo conquistado e os inúmeros e recorrentes estupros.
A situação das mulheres após a chegada dos russos é detalhada de forma íntima e bem sincera, com a autora descrevendo seus sentimentos e pensamentos sobre o que estava acontecendo tanto com ela mesma como com as suas vizinhas.
Destaque também para a escrita, de altíssima qualidade e que prende a atenção do início ao fim.
“Senti pela primeira vez o cheiro de um cadáver humano. Em todas as descrições possíveis encontrei a expressão “cheiro adocicado de cadáver”. Acho o adjetivo “adocicado” impreciso e de forma alguma suficiente. Essa exalação não me parece de modo algum um cheiro; é antes algo sólido, roliço, qual um mingau de ar, uma bruma que se acumula diante do rosto e das narinas, muito mofenta e densa para ser inspirada. É algo que nos deixa sem ar. Algo que nos repele como se tivesse punhos.”
Relato puro e duro de 2 meses de vivência em Berlim, iniciado a poucos dias do fim da guerra. E de como então e sempre, em situação de guerra, cabe às mulheres a sobrevivência, seja de que lado estiverem. Os homens matam ou morrem, as mulheres organizam a sobrevivência, com o corpo, com o que tiverem à mão, guardam memórias, alimentam. Seja qual for o relato de guerra, a comida que assegura a vida torna-se primordial, mais importante que principios e valores. E sempre a violação do corpo como arma, sem diferença de credo, nacionalidade, dogma ou século.