O oitavo volume da Coleção Revoluções do Século XX, dirigido por Emília Viotti da Costa, apresenta um panorama histórico com ampla base factual da guerra e da revolução vietnamitas, "que representam um dos mais significativos acontecimentos históricos contemporâneos. Mais do que uma descolonização acidentada, em seu conjunto se trata de um trabalho de mobilização popular para a resistência ao fascismo do regime de Vichy, ao militarismo japonês, à potência colonial francesa, à superpotência norte-americana e para a transformação social. O conflito do Vietnã foi também um elemento fundamental no desgaste do império americano. A história do Vietnã no século XX é a história de uma luta anticolonial pela independência nacional, de uma revolução socialista e de várias guerras de projeção internacional. É notável como um pequeno país pôde ter se tornado pivô da política mundial e sobrevivido em meio às mais complexas alterações das alianças. Mas, além disso, o país também é destaque por ser um dos regimes socialistas que sobreviveram ao colapso da União Soviética, sua aliada e protetora, com um Partido Comunista ainda no poder".
Professor Titular de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Pós-doutorado em Relações Internacionais pela London School of Economics (1997), Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1993), Mestre em Ciência Política pela UFRGS (1983), Bacharel e Licenciado em História pela UFRGS (1980). Diretor do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS (1998-2002) e Secretário de Relações Internacionais da Reitoria da UFRGS (2004-2008). Professor Visitante no NUPRI/USP, na Universidade de Leiden e Pesquisador no International Institute for Asian Studies e Centro de Estudos Africanos (Leiden Univ, Holanda). Coordena o Centro de Estudos Brasil-África do Sul - CESUL/UFRGS/FUNAG-MRE. Especialidade: História Mundial Contemporânea, Relações Internacionais Contemporâneas e Política Externa Brasileira.
O livro embora introdutório, consegue ser extremamente informativo sobre a fascinante luta do povo vietnamita. O autor mostra ao longo das pouco mais de 100 paginas como um grupo de militantes com pouquíssima base teórica consegue manter uma luta de mais de 30 anos contra 3 potencias imperialistas diferentes. Para alem das espectaculares estratégias militares se percebe no livro como os revolucionários ,liderados por Ho Chi Minh, nunca teriam ganho a guerra não fosse por uma mudança radical no pensamento da população, processo que por aqui fascinou e inspirou Carlos Mariguella. E essa mudança, que permitiu que por décadas um povo de camponeses mantivesse a luta anti-colonial, é perceptível nas palavras do próprio Ho quando este fala que "não importa quantos anos levarem nós ganharemos pois a nossa guerra, ao contrário da dos americanos, é uma guerra justa". Paulo também mostra nos últimos capítulos os desafios e conquistas do processo pós-revolucionário e foge da velha máxima do marxismo ocidental, ame a revolução odeie o que vem depois dela. É muito fácil defender apenas a luta Davi versus Golias que o país passou, para além disso, deve-se compreender o processo como um todo e defender e apoiar as conquistas do bravo país asiático. Uma delas sendo a resposta a crise do corona vírus com apenas 35 mortos durante toda a pandemia. Portanto, o livro é uma ótima opção para aqueles que querem começar a entender a saga do povo que, nas palavras do próprio autor, fez a história.
Introdução histórica muito bem escrita do processo de revolução vietnamita, com contextualização dos acontecimentos, narrativa acessível e conta com referências para aprofundar nos pontos de interesse.
É pra ser um livro introdutório, que dê apenas um panorama geral de um evento histórico. Ok, entendi. Entretanto, alguns acontecimentos relevantes são tão resumidos que tornam a própria compreensão limitada. Isso é feito ao ponto de literalmente o Brasil Escola ser mais bem escrito e mais informativo que esse livro. E sobre a neutralidade? Eu entendo que o autor não é neutro e nem quer sê-lo. Entretanto, o problema não está a finalidade do livro, nem na forma como ele o constrói, que realmente não precisa ser neutro. O problema está na redação: quando eu li ele falando dos norte-americanos "COMEDORES DE HAMBURGUER" eu pensei "FORÇOU A BARRA, NÉ AMIGÃO". Além disso, eu acho péssimo a não utilização de referências. A simples bibliografia ao final do livro não é o suficiente. Eu tenho que adivinhar de onde veio cada informação? Amigo, eu tenho duas bolas e nenhuma é de cristal. Enfim, não dei uma estrela, porque pelo pelo menos me ensinou coisas novas e foi razoável nesse ponto. Mas Não gostei muito não.
Uma ótima introdução panorâmica da história militar, política e econômica do último século vietnamita. O autor também utiliza o ponto de vista do Vietnã para contar um pouco da história de seus países vizinhos, Laos e Camboja, além de situar a luta do povo vietnamita dentro do contexto mais amplo de lutas populares de libertação do Terceiro Mundo. Minha primeira leitura dessa série da UNESP, ansioso para conhecer as outras.
Impressiona o quão conciso este livro consegue ser. Em pouco mais de 100 páginas, o autor explora a formação do Vietnã como nação, a colonização francesa, a ocupação japonesa, a guerra contra a França e a forma como os EUA assumiram o lugar da França como poder neocolonial na região. Tudo isso culmina na reunificação em 1975 e nas dificuldades e contradições que advieram após tantos acontecimentos em um Vietnã destruído, mas em busca de desenvolvimento.
Não há limitação ao Vietnã em si, pois a história desta nação está intrinsecamente relacionada ao contexto geral do século XX: a luta por independência e autodeterminação dos povos após séculos de exploração e assimilação ao sistema capitalista mundial, bem como a busca por alternativas — o que desemboca na Guerra Fria (que, inclusive, esquenta muito no Sul do mundo, sendo o Vietnã provavelmente o exemplo mais famoso).
Há também uma abordagem extensa sobre os países da região, os poderes coloniais e suas características próprias, sobretudo em relação aos impactos que o Vietnã e sua Revolução tiveram sobre eles. A nação mais analisada são os EUA, que, confusos pela própria propaganda, acreditavam estar salvando o mundo do comunismo, enquanto assassinavam milhões que lutavam pela independência e soberania de seu povo. Erraram também ao supor que as mortes enfraqueceriam o movimento de libertação nacional, quando, na verdade, o efeito foi exatamente o oposto.
O autor elabora muito bem, ao final, dois pontos principais: 1. A Revolução foi bem-sucedida por conta do poder de mobilização ligado à questão nacional e, mais ainda, pela capacidade organizativa dos revolucionários, que souberam articular teoria e prática para agitar um povo já marcado por uma cultura de luta pela autodeterminação. Esse povo pôde usar o máximo de sua potencialidade para enfrentar dois poderes capitalistas com absurda superioridade tecnológica. Não por meio de grandes batalhas, mas através do desgaste, do combate psicológico, da engenhosidade, do conhecimento geográfico e, sobretudo, da libertação do povo — e não da sua subjugação. Os vietnamitas lutavam em sua própria terra, pela sua própria terra, enquanto franceses e americanos poderiam muito bem estar em Marte, de tão alienígena que era aquele lugar e aquela luta para eles. 2. A importância das alternativas tecnológicas diante dos poderes imperialistas: sem a URSS e sem a China, a Revolução Vietnamita não teria viabilidade. O sangue era vietnamita, mas os fuzis AK vinham da Rússia e da China.
Aprecio também a forma como o livro aborda o pós-unificação, um tempo difícil e incerto para o Vietnã.
A começar pela guerra contra o genocida Khmer Vermelho, no Camboja, que ironicamente contava com o apoio da China — a qual, nesse contexto, preferiu se rebaixar ao nível dos EUA para condenar o Vietnã, mesmo após este ter libertado o povo cambojano da perversão e degeneração que foi o regime de Pol Pot. Um regime que renegava qualquer rastro de marxismo, apoiando-se em uma ideologia xenofóbica e isolacionista, que defendia resgatar uma suposta “glória do passado” por meio da destruição da vida social em nome de um retorno forçado ao campesinato. Chega a ser incompreensível a postura da China, que ao mesmo tempo acusava a URSS de burocratizada e social-imperialista, mas era a principal aliada do Khmer Vermelho — chegando inclusive a invadir o Vietnã em 1979 em retaliação.
O livro também trata do isolamento internacional do Vietnã após a libertação do Camboja e da crescente dificuldade diante da decadência de seu maior aliado nos anos 80, a URSS. E mostra como o Vietnã foi capaz de se reformar para manter o Estado construído após tantas décadas de guerra e instabilidade.
Ótima leitura! Recomendo junto dela a quinta temporada do podcast Blowback.
Gostei do livro, mas especialmente por ele explicitar, em seu final, o que ocorre com o Vietnã depois da guerra, e como se desenvolve o processo para o sucesso do PCV e a transição ao que hoje chamamos de socialismo de mercado.
Segundo o livro, o VI Congresso do Partido Comunista do Vietnã buscou mecanismos para atingir a autossuficiência agrícola no pós-guerra. Temos assim o início do modelo que seria conhecido como Doi Moi (que significa "renovação").
A Renovação Doi Moi, o seu "socialismo de mercado", consistia em:
Descentralização econômica: redução do controle governamental e maior autonomia das empresas estatais em produção, distribuição e financiamento.
Substituição de controles administrativos: adoção de medidas econômicas, com destaque para políticas monetárias orientadas ao mercado para controle da inflação.
Abertura externa: política voltada à exportação, com câmbio mais realista e liberalização de investimentos estrangeiros (a partir de 1988).
Reformas agrícolas: garantia de direitos de uso da terra no longo prazo e maior liberdade de preços e comercialização, com predominância da agricultura familiar.
Valorização do setor privado: reconhecimento do setor privado como motor do crescimento econômico.
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O final do livro também mostra a dificuldades passadas pelo Vietnã com a queda da URSS e o fim do Comecon, que era responsável por mais de 80% do comércio vietnamita.
OBS: fiquei surpreso com a parte que menciona que a China reconhecera o governo de Pinochet, logo após o golpe, e negativa da embaixada de acolher refugiados.
Livro extremamente resumido, a primeira terça parte é praticamente uma linha do tempo em que cada parágrafo fala de um assunto diferente.
Há uma breve apresentação das características geográficas do Vietnã, suas origens étnicas, o período colonial iniciado no meio do século XIX e a situação política nas décadas de 1920 e 1930. A partir daí segue ano a ano de 1939 a 2007.
O foco é nas guerras contra a França, Japão, Estados Unidos e China e os efeitos do fim da União Soviética e décadas de guerras sobre a população da Indochina no cenário político, econômico e social.
"Em 30 de abril, os tanques cruzam os portões do Palácio Presidencial e completam a unificação do país, pondo fim a 35 anos de luta quase ininterrupta. Três potenciais industriais, incluindo a nação mais poderosa do planeta, não haviam conseguido quebrar a vontade de um pequeno povo de ser livre e de ter sua própria direção política"
Um excelente livro introdutório e que não pretende encerrar em si toda a informação e conclusões. Um excelente ponto de partida para o estudo daquela que é uma das mais importantes revoluções no Sudoeste Asiático e de uma actual nação socialista
Li numa sentada, bem tranquilo e gostosinho de ler. O Visentini se perde um pouco nas ironias as vezes, o que é engraçado e meio anticlimatico. De resto, indicação de fontes e leitura muito boas. Um abraço ao Prof. Visentini, adoro-te!