Este livro procura narrar a vida de D. Fernando, rei de Portugal entre 1367 e 1383, explorando as ligações entre vários tempos históricos. Não se considera, apenas, o tempo curto das vivências pessoais de D. Fernando, desde o seu nascimento em 1345. Mas também se descreve como este tempo individual estava ligado aos tempos colectivos da pequena comunidade humana, envolvendo várias gerações, constituída pela sua entourage mais próxima e pela corte que o rodeou. A figura do rei D. Fernando foi longamente obscurecida pela presença preponderante, na crónica e na lenda, de sua esposa Leonor Teles de Meneses. Este livro contribui para um novo olhar crítico sobre esse obscurecimento através da pesquisa histórica, apresentando ao leitor uma figura do rei iluminada pelos conhecimentos mais actuais sobre o homem e a sua época.
RITA MARIA FERNANDES DA COSTA GOMES nasceu em Lisboa, em 1959. É licenciada em História (1981) e doutorada em História Medieval (1994), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde exerceu funções docentes entre 1982 e 2003, leccionando História Medieval dos séculos V-XI, História Medieval dos séculos XII-XV e História da Religião na Idade Média. Foi ainda membro do Núcleo Científico de Estudos Medievais da FCSH/UNL. Actualmente é, desde 2005, professora no departamento de História da Universidade de Townson (EUA), tendo como área de investigação a antropologia histórica; a história ibérica e mediterrânica na época medieval e a história da realeza e da corte medieval e renascentista em Portugal e em Espanha.
A very good essay by Rita Costa Gomes on the times and life of Ferdinand I of Portugal (r.1367-1383) that debunks much of its associated mythology and puts Fernão Lopes' "Chrónica de D. Fernando", written in the 15th century, in its context (following the studies by several Portuguese historians like António José Saraiva and Teresa Amado). I loved the reexplanation of the events of his reign and the slow disease that killed him (was it tuberclosis or the effects of an attempt of poisoning in 1378?) as well as the insertion of several chapters of Fernão Lopes' work on the Fernandine Wars.
All in all, a very good biographical (within medieval limits, of course) work on a late 14th century king.
Peguei no vol. de el-rei D. Fernando da série dos reis de Portugal do Círculo e li três capítulos. Não peguei na crónica de Fernão Lopes da Livraria Civilização por menos trabalho. O português medieval encanta-me, mas justamente por ele dispersar-me-ia. O volumezeco de Rita Costa Gomes (prof.ª dr.ª) é de 2005, mais ligeiro; pareceu-me que havia de ir por ele mais a eito. Ou pensava eu...
Há décadas que as cousas modernas por cá tendem aos baldões. Sem espanto notei que a onomástica e os topónimos no livro daquela prof.ª da Universidade Nova lhe saíam meios desgarrados. Fernão Lopes é tanto como é, como vem em ser «o cronista Lopes». Aleatòriamente. Estilo hesitante da autora, portanto. As personagens históricas ora vêm grafadas em português, ora não, embora a forma escolhida seja ao depois coerentemente continuada pela autora. Assim, D. João Manuel, grande de Castela e pai da rainha D.ª Constança Manuel — a que foi mulher do nosso rei D. Pedro —, é D. Juan Manuel. Mas D.ª Constança nunca é Constanza. Nem em solteira lá em Castela... A filha do rei D. Pedro, o Cruel, de Leão e Castela não é Constanza nem Constança; é Costança, mas deve ser gralha. Afonso XI de Castela não é Alfonso, mas a sua favorita é Leonor de Guzmán, não de Gusmão. Henrique de Trastâmara (Henrique II de Castela) também não é Enrique, valha-nos... João de Gante aparece sempre à portuguesa, o que lhe fica bem, mas é duque de Lancastre em vez de Lencastre. Inês — ou D.ª Inês — de Castro é «a Castro», não sei se pela tragédia se por desprezo... Sem porquê, sua irmã é Juana e não Joana de Castro. Critérios.
Nos topónimos reparei que as terras castelhanas tendiam a vir em castelhano (Toro — onde Afonso XI teve prisioneira D.ª Constança Manuel antes de casar com o nosso D. Pedro I —, Ciudad Rodrigo...) Cuidei descobrir aqui um certo padrão: o pendor descai no português, salvo se for terra de Castela. Admitem-se excepções. Das «cidades prósperas» do «corredor europeu da Europa mais densamente povoada» [?!] como Bruges, Estrasburgo, Colónia, Basileia, Génova e Florença nada aponto ao uso destes topónimos consagrados. Estranha é a referência a «localidades estremenhas como Tomar, Abrantes, Leiria e Alenquer». Nem estremenhas no Ribatejo hão-de ser, incluída ou salva Leiria que não é lá...
Edições decentes de livros de História, em português e não mui antigas, são já doutro tempo, e eram doutro modo, enfim!... Cuido se lhe punha maior rigor, havia regra de seguir o nosso cânone e a onomástica portuguesa consagrada. Talvez os vocabulários, prontuários &c. se hajam entretanto tornado supérfluos ante o internacionalíssimo novo saber da Academia portuguesa. Vai daí tornarem-se raridade manuseada só por certos bichos do mato.
E ia em intermitências cogitando nisto através do 2.º ou do 3.º capítulo quando achei a rainha D.ª Beatriz de Castela, mãe de D. Fernando, «em estreita associação com a famosa D.ª Isabel de Aragão sua sogra». E adiante outra vez «D.ª Isabel de Aragão» (*). Bem verá o benévolo leitor, a custo, a sogra; trata-se da rainha Santa Isabel, a do milagre das rosas, rainha da paz, mulher de el-rei D. Dinis. Ora cá está outro padrão, deste não tenho dúvida: mil vezes falasse a autora na rainha Santa, mil vezes lhe omitiria a santidade, ainda que no-la ensine famosa e... sogra. É o padrão laico, republicano e socialista, o que vigora na Academia. A pérfida rainha Leonor Teles é quási sempre dona, todavia.
____ (*) A tirada completa é D. Beatriz tinha vivido, ela mesma, em estreita associação com a famosa D. Isabel de Aragão sua sogra, da qual parece ter continuado muitas iniciativas e até um certo estilo de intervenção política em situações conflituosas e é, nos sublinhados que lhe ponho, não um certo mas todo um estilo do discurso corrente contemporâneo. O do jornalismo das TV e dos jornais. Ora vede se estreita associação em iniciativas de intervenção política não soa belìssimamente nos telejornais, hem!?...
Livro algo confuso. Os factos são escassos. A narração poderia ter sido muito melhor. Fiquei com a sensação que não conheci D. Fernando, nem a sua época.