Ler este livro é algo obrigatório para todo deputado, senador, ministro, juiz, desembargador, governador, presidente, secretário, prefeito, vereador. E sobretudo para o eleitor. Para ele, é quase um guia de sobrevivência na selva da política brasileira. Claudia Wallin trata da Suécia mas é impossível não pensar no Brasil a cada parágrafo. Com cinismo, cólera, amargura. Ou com esperança. Porque não? Afinal, prova que existem políticos que desconhecem o tratamento de “Excelência”. Que não tem mordomias, não aumentam seu próprio salário, não tem gabinete próprio. Que usam transporte público e não estão na vida pública para fazer fortuna. E que respeitam – e muito — o eleitor. Um sistema apoiado em três pilares: transparência, escolaridade e igualdade. Um dia, quem sabe, chegaremos lá. Ler e se envergonhar com estas páginas pode ser o começo.
O livro se propõe a mostrar a vida pública das pessoas que lidam com a coisa pública na Suécia, incluindo políticos e membros do Judiciário. Pelo conteúdo, é leitura essencial para todo brasileiro, especialmente neste momento que atravessamos, porque relata uma sociedade possível, mesmo que a nossos olhos pareça algo de uma galáxia distante. Pela forma, achei que deixou um pouco a desejar, às vezes um pouco repetitivo e com algumas frases que poderiam ser melhor construídas.
No conteúdo proposto, cada página teve o efeito de um soco no meu estômago, ao constatar a simplicidade, a frugalidade da vida dos políticos, a ausência de mordomias, a transparência pública, que são a regra no sistema político sueco. E como os casos de corrupção na suécia (que são exceção), que derrubam parlamentares e chefes de estado talvez não fossem nem aceitos no juizado de pequenas causas no Brasil, onde não mais nos surpreendemos com o grotesco surreal na vida pública. Me intrigam as razões de como culturas políticas podem ser tão diferentes. Segundo a autora, a Suécia também já foi um mar de lama, mas resolveram mudar, voltando-se para educação universal e transparência. Ainda no século XVIII, a Suécia criou a figura do Ombudsman (o ouvidor geral), e levam isso muito a sério até hoje. Outros aspectos, citados de ralance pela autora, que ajudam a explicar as diferenças é que o sistema político sempre foi bastante inclusivo (por exemplo, os camponeses suecos sempre tiveram participação no parlamento) e os antepassados vikings tomavam decisões em grupo.
A autora também não se arrisca a falar de política econômica ou dos prós e contras do welfare state sueco, mas estes também não me pareceram focos do livro. O livro é mais um descritivo de algo que existe, e portanto, uma possibilidade real. E nós brasileiros podemos nos dar conta de como o Estado Brasileiro é exclusivo, patrimonialista, irracional e covarde, como as pessoas aqui cultuam e buscam o privilégio, reflexo infelizmente de uma sociedade ainda hipócrita mas que começa a acordar pro mundo. Ao mesmo tempo, por mais impossível que possa parecer, a possibilidade de mudança existe, mas depende de um povo querer mudar de fato a sua cultura social, o relacionamento entre seus membros e instituições, mais apoiado em confiança mútua e senso de comunidade do que nas tradicionais políticas falidas do toma-lá-dá-cá.
Ao final, em contraponto à frugalidade quase espartana dos políticos suecos, a autora descreve os privilégios aberrantes dos representantes dos nossos 3 Poderes nos níveis Federal, Estadual e Municipal. Um verdadeiro show de horror!
Em tempos de Lava Jato e exposição pública dos descalabros da estrutura política brasileira, é leitura RECOMENDADÍSSIMA!!!
Detalhe: Eu li o livro num arquivo PDF. Não sei se era um problema específico da minha versão, mas achei que o livro acabou muito abruptamente. E ainda não encontrei o livro disponível em nenhuma livraria, nem mesmo na Amazon.
Já pensou em um país onde qualquer cidadão pode solicitar a declaração de imposto de renda de seu primeiro-ministro? Onde se pode obter a lista das empresas em que seus parlamentares investem? Um país onde o parlamentar que divide seu apartamento com uma companheira(o) recebe apenas metade do benefício de auxílio-moradia? Um país onde nem mesmo juízes da suprema corte tem carro ou motorista à sua disposição? Este país é a Suécia. Neste livro a jornalista traz um pouco de como funcionam as instituições nesta região gelada do mundo. Com uma leitura fácil, o autor conta o dia-dia de várias figuras públicas, os ideais de igualdade presentes na sociedade sueca e como uma lei de transparência ajuda no combate ao desvio de condutas e concessão de benesses para a classe política. No final, somos presenteados com um pouco do Brasil. Uma leitura inspiradora. Obrigatória para todos os brasileiros.
Ainda que contenha vários defeitos, esse livro deveria ser lido por todos os cidadãos e contribuintes brasileiros, para nos convencer que existe alternativa viável aos excessos da política nacional, como demonstrado pelo exemplo sueco. Provavelmente jamais chegaremos a níveis de igualdade social e combate à corrupção da Suécia, mas pelo menos poderíamos nos organizar minimamente para retomar o Estado brasileiro, hoje plenamente capturado por interesses particulares.
Não há como não ficar estarrecido com o que você lê neste livro. Ver como funcionam as coisas na Suécia chega a ser surreal, como no caso de um político que foi denunciado, hostilizado pela população e perdeu uma eleição interna em seu partido por pegar várias vezes táxi no lugar do trem que é mais ecológico e econômico. Logicamente que para entender a fúria que a mídia e a população atacam esses casos, temos que partir do princípio sueco que ninguém está acima de ninguém. Dessa maneira, um político tem que dar o exemplo e não viver acima dos cidadãos comuns recebendo privilégios para exercer a politica. A autora conta diversos casos comuns como do primeiro-ministro que usualmente faz faxina na sua casa e até deu dicas de limpeza em um jornal. É normal ver os políticos no ponto de ônibus, fazendo compras no supermercado ou indo de bicicleta para o trabalho. Apenas políticos com base eleitoral fora da capital recebem auxílio moradia para viver em apartamentos ou mesmo quitinetes funcionais. A grande maioria dos políticos não tem secretários ou assessores particulares. E há muito mais particularidades no sistema politico sueco de dar inveja. O final do livro que pode dar um certo desânimo porque a autora deixa um capítulo para falar de como é no Brasil e depois de ler o livro inteiro sobre a Suécia fica um gosto bem amargo na boca.
Um tema interessante, porém achei um pouco arrastado na narrativa. Além de ir e voltar em vários tópicos, não tem uma linha cronológica clara. As entrevistas, soltas no meio dos capítulos, poderiam ser agrupadas em seus finais para não prejudicar a fluência da leitura. Também achei que poderia focar um pouco mais na história e nos atos que tornaram o país o que ele é, especialmente a partir do século XIX (somente uma breve narrativa é feita nos últimos capítulos). Mas vale a leitura.
Generoso trabalho da jornalista Claudia Wallin! Podemos com este livro ter uma cartilha pedagógica de como as coisas são num dos países mais desenvolvidos do ponto de vista democrático, mesmo que muitas de suas passagens soem como uma utopia distante e gelada, inacessível a nossos tristes (e fanfárricos) trópicos.
Há uma série de desmistificações no livro a respeito de como o país passou por transformações cruciais a partir do século XIX, e, não como eu imaginava, sempre teria sido um dos maiores exemplos na Europa. Nesta época de inovações industriais, a Inglaterra abastecia massivamente sua vizinha Suécia, que era vista cono um país atrasado e com problemas endêmicos de fome. Sua transformação para uma das maiores potencias mundiais se deu com uma reforma radical no sistema político e administrativo. No entanto, vemos que mesmo a fundação de instituições políticas inclusivas (usando o conceito de Acemoglu no seu "por que as nações fracassam") já estavam presentes na história do país desde o século XV, com a representação do povo na figura do campesinato, no parlamento. Também no livro há relato de um monge beneditino francês do século IX que, após uma viagem ao país gelado, assombra-se que "na Suécia era de costume decidir qualquer assunto de caráter público mais pela vontade unânime do povo, do que pelas ordens do rei".
Acredito que, junto a introdução, os dois capítulos finais são extremamente importantes como apresentação de como devem ser gastos as despesas do erário, ainda mais em tempos de um dos maiores gastos do cartão corporativo pelo presidente da República (https://www.gazetadopovo.com.br/vozes...). A ressalva geral ao livro fica pela leitura que, no geral, é arrastada e cansativa; o modelo de entrevista atravanca a fluidez e cobra certa proatividade do leitor em seguir a sequência.
Deveria ser obrigatória em escolas, igrejas, cursinhos, universidades. Assim como deveria ser a sede de todo cidadão brasileiro por educação política, por referências práticas de sucesso na gestão da coisa pública e privada em prol do bem-estar coletivo. Suécia, como um pequeno país gelado com menos de 10 milhões de habitantes saiu da condição de um dos mais pobres do mundo há um século para se tornar uma das top três nações em qualidade de vida?
Quando você termina a leitura sente um pouco de vergonha misturada com esperança. Vergonha por notar que essa é uma realidade ainda distante da nossa, esperança por perceber que melhoras estão em andamento e provavelmente um dia chegaremos lá. Deveria ser leitura obrigatória para qualquer um que assumisse cargo público e recomendada para todo brasileiro.
A realidade sueca mostra os benefícios de uma lei de transparência de fato e da participação popular na construção da democracia.
Great book to know more about Swedish culture, and see that it is possible to have a good government with transparence, education and involvement of the population