Livro recomendado para o 1º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma.
Uma criança pode dizer, com razão, quando for grande vou comer pastilhas elásticas. É a humana natureza da criança: quando for grande vou fazer isto e aquilo. Respondemos a muitas perguntas em crianças, formuladas por nós ou por outros. Os mais novos cedo compreendem que os grandes sonhos só lhes estão reservados para a vida adulta: um crescido - pensam eles - é aquele que tem vontade autónoma, faz o que quer e pode escolher a sua maneira de viver.
Os próprios adultos estimulam a expressão desses sonhos, com a sua permanente curiosidade por saberem quais as ambições dos filhos quando forem maiores. Queres ser o quê? Mas, mais do que uma profissão, a vida infantil decorre com a permanente lista dos desejos para a vida adulta. Os desejos de uma criança reflectem os seus propósitos naquele momento, não os que terá quando for mais velha. Devíamos, cada um de nós, deixar registados os anseios que sentimos nos primeiros anos da existência, para podermos mais tarde lançar um olhar nostálgico sobre como éramos e nunca mais voltaremos a ser. Ah, e se pensarmos bem, os desejos exprimem, acima de tudo, a perplexidade da criança pelo estranho mundo adulto e os mistérios da natureza.
Maria Inês Almeida nasceu em Lisboa, em 1978. Jornalista e escritora, dedicada à literatura infantojuvenil, licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Católica. Em 2005, recebeu o Prémio Revelação do Clube de Jornalistas.
"Quando eu for grande ... não quero esquecer-me que fui criança." Para ser lido dos 8 aos 80 anos. Quem me dera que na minha época de pequeninha existissem livros tão bonitos.