Waly Salomão foi uma das figuras mais fecundas e heterogêneas da vanguarda brasileira. Não é à toa que Caetano Veloso, em música dedicada a ele, diz: “tua marca sobre a terra resplandece [...] e o brilho não é pequeno”. Baiano, filho de sírio com sertaneja, Waly foi ponta de lança de uma geração de poetas que - num movimento de resistência à censura - contrariaram os princípios formais da tradição e pensaram a produção literária a partir de sua articulação com as outras artes, o que contribuiu para sua escrita tão permeável às diversas manifestações do inquieto cenário cultural no Brasil das décadas de 1970 e 1980. Seus versos continuaram se reinventando ao longo dos anos 1990 e 2000, e consolidaram seu papel de poeta múltiplo em livros como Algaravias, lançado em 1996. Poesia Total reúne pela primeira vez a obra poética completa de Waly Salomão, desde Me segura que eu vou dar um troço, de 1972, até Pescados vivos, de 2004. O volume traz ainda uma seção de canções inéditas em livro, além de apêndice com os mais relevantes textos sobre sua obra, assinados por nomes como Antonio Cícero, Francisco Alvim e Davi Arrigucci Jr. Em Gigolô de Bibelôs, seu segundo livro, o seguinte verso ecoa: “tenho fome de me tornar em tudo que não sou”. Tal desejo de abolir fronteiras e de confronto com os limites - entre o eu e o outro, entre a prosa e a lírica, entre a arte e a vida - é uma das principais marcas da obra de Waly Salomão. Poesia total é uma viagem sem volta: um “processo incessante de buscas poéticas”, como disse o próprio autor sobre seu trabalho poético-visual, os Babilaques.
He acted on several areas of Brazilian culture as poet, songwriter and writer. His first book was “Me segura qu’eu vou dar um troço” in 1972. His last book “Pescados Vivos” was published after his death in 2004. He wrote successful lyrics for Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil and Caetano Veloso.
O poeta é pop. Além de pop, também é oracular. Ler o Waly é como descobrir uma caverna mais rica que Lascaux, é encontrar água que cura e envenena (a depender de sua sede). O poeta escreve porque pensa, claro, mas pensa porque precisa traduzir aquilo que só ele vê. Para além da simbologia e das referências clássicas, Waly conversa consigo mesmo e, por tabela, o leitor tem a chance também de entrar nesse papo. Não é fácil, porque sobra pouco espaço (ou fôlego) para a contemplação poética. Houvesse uma máquina de fotocópias de nossas sinapses traduzidas, seria interessante ver o compêndio daquilo que vivemos enquanto o lemos.
Cara, eu sempre tive curiosidade em ler Wally além das canções que sabia que ele havia escrito e sido musicadas por aí.
Bem, poesia já não é tanto meu forte, mas descobri que o Wally não é para mim, entendo a admiração das pessoas, mas, infelizmente, não mexe comigo sua escrita em sua grande maioria. É tudo muito "maluco" o tempo todo, não prende minha atenção, não faz o muito sentido dentro da minha cabeça e acabo me desligando e perdendo o interesse.