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Essa loucura roubada que não desejo a ninguem a não ser a mim mesmo amém

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O livro Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, antologia de poemas de Charles Bukowski com tradução de Fernando Koproski.
O livro, de 256 páginas, é uma edição bilíngue que reúne poemas selecionados de 11 livros do autor, cobrindo a obra poética de Bukowski do perído de 1969 a 1999.

266 pages, Paperback

First published January 1, 2005

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About the author

Charles Bukowski

856 books30k followers
Henry Charles Bukowski (born as Heinrich Karl Bukowski) was a German-born American poet, novelist and short story writer. His writing was influenced by the social, cultural and economic ambience of his home city of Los Angeles.It is marked by an emphasis on the ordinary lives of poor Americans, the act of writing, alcohol, relationships with women and the drudgery of work. Bukowski wrote thousands of poems, hundreds of short stories and six novels, eventually publishing over sixty books

Charles Bukowski was the only child of an American soldier and a German mother. At the age of three, he came with his family to the United States and grew up in Los Angeles. He attended Los Angeles City College from 1939 to 1941, then left school and moved to New York City to become a writer. His lack of publishing success at this time caused him to give up writing in 1946 and spurred a ten-year stint of heavy drinking. After he developed a bleeding ulcer, he decided to take up writing again. He worked a wide range of jobs to support his writing, including dishwasher, truck driver and loader, mail carrier, guard, gas station attendant, stock boy, warehouse worker, shipping clerk, post office clerk, parking lot attendant, Red Cross orderly, and elevator operator. He also worked in a dog biscuit factory, a slaughterhouse, a cake and cookie factory, and he hung posters in New York City subways.

Bukowski published his first story when he was twenty-four and began writing poetry at the age of thirty-five. His first book of poetry was published in 1959; he went on to publish more than forty-five books of poetry and prose, including Pulp (1994), Screams from the Balcony (1993), and The Last Night of the Earth Poems (1992).

He died of leukemia in San Pedro on March 9, 1994.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews45 followers
January 28, 2024
ESTUDO DE CAMPO: O MARGINAL

Às vezes um livro tem uma intenção, mas serve a outra. Essa loucura roubada… é uma compilação de poemas de Bukowski que vale pouco pela arte, mas que prende como antropologia do marginal, como registro dum universo maldito povoado de putas, beberrões, mendigos e pessoas grosseiras. Buk não é um marginal qualquer — aprecia música clássica, lê —, então representa, de certa forma, uma ilha na sarjeta, embora uma ilha que se mistura. O que ele faz aqui é mais um registro de valor antropológico do que propriamente poesia na sua essência, mas basta quebrar frases — muitas vezes dum jeito estranho que não compreendo nem nos melhores poetas — que a catalogação do gênero textual se dá.

Se eu escrever
assim,
isto também é,
dizem,
poesia.

Que seja. Mas muitas vezes é má poesia.

Salvei d’Essa loucura roubada… exemplos bons e ruins. Como pretendo passar o livro pra frente e minha memória é pequena, tive que fazer essa seleção positiva e negativa pra não chegar num ponto de titubeio “¿por que não gosto tanto do Bukowski?, bem, nem lembro”. Esse trabalho de arquivar o que não presta serve à argumentação e também à dúvida que pode aparecer muitos anos depois de ler um autor: ¿será que eu mudei de opinião? Leia a sua seleção e poupe-se de recomprar um livro à toa.

Não há nada fabuloso neste livro, mas há imagens boas se você não for o moleque “ou amo, ou odeio — fim” que grassa nas resenhas literárias e pode já ter [emoji verde-doente] trinta, quarenta ou cinquenta anos.

Um bom poema é “Aviso”:

os cisnes se afogam em águas sujas,
retirem os avisos,
testem os venenos,
isolem a vaca
do touro,
a peônia do sol,
tirem os beijos de alfazema de minha noite,
botem as sinfonias nas ruas
como mendigos,
afiem as garras,
açoitem as costas dos santos,
atordoem sapos e ratos para o gato,
queimem os quadros encantados,
mijem no amanhecer,
meu amor
está morto.


Ele fica melhor em inglês (esta edição da 7Letras é bilíngue), mas soa bem em português desejar que as costas dos santos sejam açoitadas e que o amanhecer seja mijado porque seu amor está morto.

Em “Corcunda” há um bom trechinho,

o gato passa
parecendo saber tudo


mas adiante no mesmo poema aparece isto:

mas houveram mulheres
que me deixaram
plantado no quarto sozinho
encurvado —
com as mãos no saco —
pensando
por quê por quê por quê por quê por quê por quê?

mulheres vão para homens que são porcos
mulheres vão para homens com almas mortas
mulheres vão para homens que trepam pessimamente
mulheres vão para sombras de homens
mulheres vão
vão
porque precisam ir
pela ordem das
coisas.

as mulheres sabem mais
mas muitas vezes escolhem na
confusão e desordem.

elas podem curar com seu toque
elas podem matar o que tocam e
eu estou morrendo
mas não estou morto
ainda.


(Desconsidere o “houveram”, que é erro ou licença do tradutor, pois a versão em inglês não tem desvio gramatical aí.) Já não vale muita coisa nesse quadro, mas se você desmontar o formato poético — que tantas vezes parece um recurso pra dar ares de importância ao mau banal —, aí é que a mixaria estoura: “As mulheres sabem mais, mas muitas vezes escolhem na confusão e desordem. Elas podem curar com seu toque, elas podem matar o que tocam, e eu estou morrendo, mas não estou morto ainda”. Parece aquilo de “escrevi numa sentada”, sendo a sentada no banheiro.

Gosto deste “As garotas que seguimos até em casa”, que narra a miséria dos anos pra qualquer leitor, mas que registra cenas especialmente comuns pra quem viveu em bairro pobre e decadente:

as garotas que um dia seguimos até em casa
agora são mendigas,
uma delas é aquela velha enrugada
de cabelo branco que
te bateu com a
bengala.
as garotas que um dia seguimos até em casa
andam com sondas em
enfermarias,
jogam damas no passeio
público.
elas não mergulham mais
antes das ondas quebrarem,
aquelas garotas que seguimos até em casa,
não passam mais óleo de bronzear
quando estão no sol,
não se demoram mais na frente do espelho,
aquelas garotas que seguimos até em casa,
aquelas garotas que seguimos até em casa
foram para algum lugar,
algumas para sempre,
e nós que as seguimos?
morremos em guerras, morremos
do coração,
morremos de saudade.
arrastando chinelos e falando
devagar,
nossos sonhos são sonhos de tv,
poucos de nós,
bem poucos de nós se lembram
das garotas que seguimos até em casa.
quando o sol sempre parecia
estar brilhando.
quando a vida se movia tão nova e
estranha e esplêndida
dentro
de vestidos que brilhavam.

eu me lembro.


Bukowski morreu em 1994 e não experimentou a barulheira de leitores carentes e mesquinhos que escritores têm que aguentar nas seções de comentários on-line. Não basta você escrever algo que seja do interesse de algumas pessoas — você precisa interagir com o público, que acha que o autor deve algo eternamente a alguém que leu o livro dele e que agora vem cobrar amizade. Mas Bukowski escapou dessa proporção do problema, não do problema, pois na sua época O Público vinha interpelá-lo com cartas. Por isso tem valor a sua reunião “Comentários sobre meu último livro de poesia”. Seguem trechos:

você está melhor do que nunca.
você vendeu tudo.
você é uma merda.
minha mãe te odeia.
você está rico.
você é o melhor escritor em língua inglesa.
posso te ver?
escrevo exatamente como você, só que melhor.
por que você dirige uma BMW?
por que você não faz mais recitais?
você ainda consegue fazer ele levantar?
você conhece o Allen Ginsberg?
o que você acha de Henry Miller?
você vai escrever o prefácio do meu próximo livro?
[…]
sou uma garota de 19 anos e virei limpar a sua casa.
[…]
por que é que você chupa de Hemingway?
por que você ataca o Tolstoi?
estou cumprindo um tempo e quando eu sair virei ver você.
[…]
você realmente fica acordado a noite toda?
eu posso beber mais que você.
[…]
quem diabos você pensa que está enganando?
não tenho muito peito mas minhas pernas são incríveis.
foda-se, cara.
minha esposa te odeia.
você leria por favor os poemas em anexo e comentaria?
vou publicar todas aquelas cartas que você me escreveu.
seu filho-da-puta punheteiro, você não engana ninguém.


Inúmeros poemas parecem papo de bêbado, ou seja, são detestáveis e perda de tempo. Tome-se o exemplo deste “Como ser um grande escritor”:

você tem mais é que comer muitas mulheres
mulheres bonitas
e escrever uns poemas de amor decentes.

não se preocupe com a idade
e/ou novos talentos.

apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja

e vá às corridas ao menos uma vez por
semana

e ganhe
se possível.

aprender a ganhar é difícil —
qualquer porcão pode ser um bom perdedor.

e não se esqueça de Brahms
de Bach e de sua
birita.

não faça muito exercício.

durma até o meio-dia.

evite cartões de crédito
ou pagar qualquer coisa no
dia.

lembre-se que não existe um cu
nesse mundo que vale mais de $50
(em 1977).
[…]


Ao vivo eu já teria mudado de banqueta no balcão ou ido proutro bar, lamentando quem precisa do emprego de garçom.

De forma picada, já tinha lido bons poemas de Bukowski. Transcrevi acima algumas construções suas que me agradaram. Mas o termo que me vem pra caracterizar a maior parte do que conheço dele é preguiça. Coisa de autor que se tem em alta conta demais e vai escrevendo como se tudo de bruto que brotasse fosse genial; autores pros quais o suor ao trabalhar o texto e a síndrome do impostor são figuras desconhecidas. Parece que a literatura marginal é o lugar pra muitos deles, já que amantes do ramo aceitam grosseria como crueza, vômito como espontaneidade (técnica é pra “frios e artificiais”) e acham que elaboração é rococó. Tem leitor deslumbrado pra tudo que é coisa.
Profile Image for Ana Beatriz.
88 reviews
June 13, 2021
“você já pode morrer agora.
você já pode morrer do jeito
que as pessoas deveriam morrer:
esplêndidas,
vitoriosas,
ouvindo a música,
sendo a música,
rugindo,
rugindo,
rugindo.”
Profile Image for Vander Alves.
262 reviews4 followers
November 9, 2021
Ler Bukowski é adentrar uma mitologia marginal muito particular com ar neo noir; e aqui e ali nessa narrativa há um quê de esperança, um ode à beleza.
Profile Image for Ju.
98 reviews2 followers
November 28, 2018
“Tudo que você escreve sobre dor e sofrimento é um monte de merda.”
Profile Image for Healthy Dose of Self-Destruction.
505 reviews3 followers
January 8, 2024
★★★★✩✩✩✩✩✩
4/10 Um pouco ruim
Há quase duas décadas este livro me acompanha: pouco após ter sido lançado, veio morar comigo em um apartamento no Centro de São Paulo e, depois, nos mudamos pro bairro da Lapa. Permanecemos tanto tempo juntos porque eu jamais o havia lido – do contrário, já teríamos tomado rumos diversos há muito.

A decisão de finalmente abri-lo veio há poucas semanas, e o principal sentimento depois deste meu primeiro contato com o autor germano-americano é a decepção: a maior parte dos textos é sem graça, medíocre; alguns extrapolam e são muito ruins; outros, raros, são bons.

Os poemas parecem refletir exatamente o que era a pessoa do escritor: alguém que, no balcão do bar, inicialmente chama a atenção por seus devaneios pretensamente profundos (aquela pseudofilosofia de boteco que só outros bêbados são capazes de admirar – eu já estive lá, eu sei), mas que, empolgado pelos risos e aplausos que passa a receber, não encontra limites e segue, “livre livre livre que nem uma besta, que nem uma coisa” (Drummond), com suas platitudes travestidas de complexidade, declamando e escrevendo mais e mais, sem limite – aplausos, risos, urros de aprovação! Até que a embriaguez se vai e a ressaca-realidade vem.

Destaque negativo para Fernando Koproski, que, embora tenha sido rotulado, nas orelhas escritas por Mário Bortolotto, como "o cara certo pra traduzir Bukowski", comete erros banais que não passam despercebidos por qualquer um que domine medianamente o inglês e dedique à leitura um mínimo de atenção. Duvido que o "Velho Safado" concordaria com a asserção de Bortolotto, mas como os mortos não reclamam, eu reclamarei por ele.

Por exemplo, "I think you suck ass" se transforma num literal "Eu acho que você chupa cu" (páginas 130/131) em vez de "Eu acho você uma merda", ou "uma bosta", ou "que você não presta", que é o que a expressão original significa.

Já "wrapped in a bloody red ribbon" vira "embrulhada com uma fita vermelha sangue" (páginas 206/207), quando o mais adequado seria, provavelmente, "fita vermelha ensanguentada". Não cravo ser esta a tradução correta porque existe ainda a remota possibilidade de que "bloody" houvesse sido utilizada como ênfase que denota raiva ou irritação, tal qual o uso informal dado à palavra, em especial no Reino Unido. Definitivamente, contudo, não há se falar que "fita vermelha sangue" seria uma das opções – mas ainda que Koproski estivesse certo (o que não está), o erro seria de português, pois a concordância nominal apropriada seria “fita vermelho-sangue”.

A "meanwhile I look at young girls / stems / flowers of chance", o tradutor dá a ininteligível versão "enquanto isso eu olho para as pernas / de menininhas / possibilidade de flores" (páginas 212/213). Possibilidade de flores?!? What the hell? (Koproski, em sua avidez pela literalidade, talvez nos surpreendesse com um "O que o inferno?" caso vertesse para o português essa expressão idiomática). Ainda que algumas frases ou versos originais se apresentem enigmáticos, ao tradutor cabe buscar, incansavelmente, a melhor transposição para outra língua. Koproski, no entanto, parece ter optado por um preguiçoso "vai que cola" – não colou.

E "the gang rape" se torna um – mais uma vez literal – "o estupro de gangue" (páginas 222/223), quando a definição mais acertada seria "estupro coletivo" – a qual, embora venha sendo usada com maior frequência nos últimos dez ou doze anos, já se encontrava em matérias jornalísticas ao menos desde 2001, muito antes da publicação da editora 7Letras.

A longa estadia que autor e tradutor tiveram na minha estante terminou. Espero que tenham aproveitado o conforto, a boa música, a cerveja gelada, o vinho saboroso, mas muito pouco me foi devolvido: depois de escanear os 5 (de 45) poemas que julgo valer a pena guardar, vocês serão postos pra fora.
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