Este livro é a tentativa de colocar em palavras uma descoberta que mudou a minha vida. Ao contrário do que eu supunha até alguns anos atrás, as nossas emoções e os nossos sentimentos – nomes e organizações conceituais que damos a elas – não são consequência apenas de um desequilíbrio químico nem resultado de um excesso de planetas de água no seu mapa astral. As nossas emoções e afetos têm uma razão para existir assim como tudo mais o que existe. E essa razão de existir é o que trataremos aqui neste livro . Por que as emoções, os sentimentos e os afetos existem? E para que eles servem?
Embora eu não concorde com todas as teorias e visões do autor, esse foi um livro que realmente trouxe muitas reflexões.
Emanuel argumenta que estamos todos em deficit amor, e em uma competição incessante para sermos os melhores - o que acaba por nos afastar mais ainda do amor, do vínculo. A falta de vínculo e a busca pela dominância seria a raíz da abundância de casos de depressão e ansiedade em nossa sociedade moderna e em grande parte consequência do sistema capitalista. Contudo, teríamos dificuldades de formar vínculos pois não conseguimos lidar com o luto narcíssico - principalmente instigado hoje em dia por nossa cultura e tecnologias como mídias sociais.
A solução para lidar com o luto narcíssico se dá então quando não mais procuramos ser o melhor de todos, mas alternamos essa posição como nossos pares. As vezes sendo os 'maiores'/'adultos' (aquele que cuida) e as vezes sendo os 'menores'/'a criança' que precisa de cuidados, amor e amparo. Em resumo, o autor conclui que é nos permitindo sermos frágeis e falhos que conseguimos formar vínculos, falhas tbm só são possíveis se o vínculo e a confiança existirem em primeiro lugar - ou seja, a história do ovo e da galinha. Como seria isso possível?
Através do que o autor chama de segundo amor - onde a centralidade na relação sempre se alterna. O segundo amor requer alternâncias de posições - às vezes cuidar, às vezes amar. Assim se constrói o vínculo, mas apenas com o tempo, confiança e amparo.
eu acompanho o trabalho do emanuel há algum tempo no canal dele no youtube e a abordagem pela neurociência afetiva me ajudou demais a compreender certas coisas no funcionamento da minha vida.
esse livro explora as sete necessidades afetivas fundamentais, mas traz consigo a história pessoal do emanuel em momentos decisivos da vida dele e isso deixa a experiência de leitura melhor.
O autor faz uma mistura muito interessante na escolha da construção do livro: dialogar sua experiência de luto (com muita coragem) com aquilo que ele enumera como “princípios” para uma vida possível. Faz análises muito didáticas, a partir de sua própria experiência, costurando psicanálise e neurociência afetiva. Como psicanalista, leio o livro o reconhecendo como um instrumento didático de compreensão dos afetos (inclusive já recomendei a pacientes). Em nenhum momento o autor cai em uma verborragia coach e deixa o conteúdo palatável para qualquer interessado na dinâmica psi. O ponto alto do livro são suas experiências pessoais, suas angústias, contradições e medos. Recomendo bastante a leitura.
Um livro sobre afetos, probabilidade, automatização, consciência, comportamento e nossas histórias.
Me fez refletir sobre a crise atual das masculinidades. O culto à dominância: seja o maior, o melhor! É pra que se cuide ou que engula quem é menor? Se estamos todos nos sentido mais perto de ser engolidos do que cuidados, falhamos.
Nós ainda precisamos uns dos outros. Até os CEOs. Talvez desesperadamente os CEOs.
De alternância, alteridade, vulnerabilidade sem filtro. Daí, quem sabe, o cuidado - a fórmula mágica que nos trouxe até aqui (enquanto pessoa e enquanto espécie).
Obrigada à mãe e pai de emanuel por amá-lo condicionalmente e nos dar esse presente!
para quem acompanha o trabalho de emanuel no youtube, como eu, o livro é uma sistematização muito bem-vinda das articulações fragmentadas nos vídeos. fora isso, a parcela de autoficção que cementa os conceitos e a estrutura teórica é também muito contundente. de certa maneira, é um modo de demonstrar a própria eficácia explicativa da neuropsicanálise e da técnica da autoescrita.