A reunião de poemas — boa parte inéditos em livro — de um dos nomes mais celebrados da literatura contemporânea brasileira.
Embora tenha ficado mais conhecido entre os leitores pelo premiado romance O amor dos homens avulsos, de 2016, a estreia de Victor Heringer em livro foi como poeta. Além de ficção e crônicas, sua produção abrange uma vasta quantidade de poemas, publicados sobretudo na forma de plaquetes por editoras independentes e em séries lançadas exclusivamente na internet. A experimentação formal, uma das marcas de Victor, está presente em tudo o que ele em sua obra, proliferam mídias, estilos, formatos e modos de dizer, que mostram a liberdade do pensamento de um artista no auge de sua produção. A ousadia e a rebeldia — um inconformismo geral, talvez — estão no cerne de sua expressão criativa. Tudo que parte de sua perspectiva ganha frescor e interesse e serve como convite para enxergarmos o mundo novamente, sem o automatismo de quem já olhou tantas vezes. Em Não sou poeta, os leitores podem conhecer as maquinações de uma mente inquieta e brilhante. Essas engrenagens aparecem quando Victor contempla o céu e imagina um astronauta a quilômetros de distância, flutuando no silêncio do cosmo, mas também quando se volta para os próprios pés e observa seus sapatos gastos.
Victor Doblas Heringer (Rio de Janeiro, 27 de março de 1988 – Rio de Janeiro, 7 de março de 2018) foi um escritor brasileiro. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2013, pelo romance Glória, e foi finalista do Prêmio Oceanos 2017, por O Amor dos Homens Avulsos.
Estou obcecada o dia inteiro por esse homem, absolutamente perfeito, me senti profundamente tocada pela sua morte precoce Sua areia está por toda parte, Victor
Sou apaixonada pelo Victor Heringer. Gosto menos de suas poesias, mas ainda assim me encanto com sua erudição, deboche, informalidade, criatividade. Que falta ele faz na nossa literatura.
“A fila anda. eu ando atrás. não sei do quê” (posições desconfortáveis, p. 282)
eu tenho 28 anos e… “aos vinte e oito anos todo mundo que tem alguma coisa na cabeça é um pouco decadente”. eu tô viciada na escrita do victor heringer e lamento, de certa forma, por ter o conhecido depois de sua partida precoce. o victor experimentava diferentes linguagens com maestria e não havia esforço ao obter êxito nisso. eu sigo preferindo a escrita dele em romances, mas sua poesia não fica pra trás. a forma com que o victor se relacionava e escrevia sobre a morte, como se tivesse a convidando pra entrar, de uma forma trivial mesmo, é de uma leveza que me deixa enternecida. me preenche de vida, numa antítese linda. eu comentei anteriormente que o romance “o amor dos homens avulsos” exibe um quê de sinestesia, aliás, mais do que isso, realmente é uma prosa sinestésica. mas o que eu não esperava, honestamente, é que a poesia do victor também me faria explorar todos os meus sentidos. ler victor heringer muda muita coisa dentro da gente.
Havia abandonado essa leitura, mas devido a uma resenha no site da Escola da Palavra, resolvi retomar de onde havia parado.
Gosto de muita coisa, acho que Victor era um virtuose, e erudito real oficial. Mas não consigo entender muitas outras coisas, especialmente tendo tão pouco contato com o Rio de Janeiro. Sua poesia é dali, assim como ele.
É figurativo, desenha muito bem. Narra, mas não encanta, pelo menos a mim, não muito. Acho que prefiro a vibe cronista dele. Vida desinteressante tem muito mais poesia nas entrelinhas. Falta agora o romance Glória para terminar a sua obra impressa.
é muito difícil não ler o Victor Heringer de forma hagiográfica, é muito complicado separar o eu lírico do autor, especialmente quando os poemas parecem estar cheios de sinais e pistas do que viria. não lê-lo como morto, mas sim como poeta que esteve vivo enquanto escrevia e continua – um pouco – vivo nos poemas. não estamos tão separados assim: todo coração enfarta igual.
é tudo muito lindo. ele mesmo dá a chave: nunca não é sobre o amor. e nunca, mesmo. mas o amor é difícil e dolorido, também.