Universos Peculiares: melhores ficções e fantasias, por H.G. Wells Conheça um outro lado do "pai da ficção científica" e mergulhe nas histórias mais raras e surpreendentes de H.G. Wells
Não é só de Sci-Fi que se faz H. G. Wells! O autor de A Guerra dos Mundos também teve uma carreira prolífica em histórias fantásticas, mágicas e de suspense em universos diferentes e peculiares. Talvez seja justamente essa natureza múltipla que tenha tornado Wells uma figura tão interessante de seu tempo, e um autor de ficção científica tão celebrado.
Mais do que uma das maiores referências da literatura de sci-fi, Wells também se arriscou pelo território da magia, do fantasmagórico e do horror. Várias de suas primeiras histórias ficaram à sombra de suas obras mais famosas e escondem um universo inteiro para ser explorado pelos leitores.
Universos Peculiares reúne os melhores contos de Wells fora do universo de ficção científica e revela um lado menos conhecido, mas igualmente fascinante de sua obra. De uma loja mágica de brinquedos, a uma porta que leva ao passado, percorrendo por fantasmas, viajantes e um traje sobrenatural que guiará um jovem para o mais inesquecível luar de sua vida.
Suas melhores ficções e fantasias mostram a versatilidade e a profundidade da imaginação de H.G. Wells, oferecendo ao leitor uma viagem encantadora e surpreendente pelo universo fantástico deste mestre literário.
“Nesses contos, o britânico se arrisca pelo território da magia, do fantasmagórico e do horror, fazendo coro a vozes do século XIX como Mary Shelley, Edgar Allan Poe e o próprio Verne.” Cláudia Fusco
H.G. Wells (1866-1946) Poucos autores evocam um gênero literário inteiro apenas com a menção de seu nome, como no caso de Herbert George Wells, mais conhecido como H.G. Wells. A ficção científica é um gênero que explora os limites entre a realidade e as possibilidades tecnológicas, e as obras de Wells moldaram o sci-fi de forma irrevogável. H.G. Wells foi um dos primeiros escritores a mergulhar no gênero, além de ter sido um pioneiro das narrativas distópicas. Ao contrário de outros autores, Wells via o progresso acelerado de seu tempo e as inovações tecnológicas de forma mais sombria. A máquina do tempo, O homem invisível e A guerra dos mundos, suas obras-primas, continuam sendo impressas e rendendo adaptações para o cinema e a TV, e suas histórias alcançam gerações de leitores anos depois de publicadas.
Herbert George Wells was born to a working class family in Kent, England. Young Wells received a spotty education, interrupted by several illnesses and family difficulties, and became a draper's apprentice as a teenager. The headmaster of Midhurst Grammar School, where he had spent a year, arranged for him to return as an "usher," or student teacher. Wells earned a government scholarship in 1884, to study biology under Thomas Henry Huxley at the Normal School of Science. Wells earned his bachelor of science and doctor of science degrees at the University of London. After marrying his cousin, Isabel, Wells began to supplement his teaching salary with short stories and freelance articles, then books, including The Time Machine (1895), The Island of Dr. Moreau (1896), The Invisible Man (1897), and The War of the Worlds (1898).
Wells created a mild scandal when he divorced his cousin to marry one of his best students, Amy Catherine Robbins. Although his second marriage was lasting and produced two sons, Wells was an unabashed advocate of free (as opposed to "indiscriminate") love. He continued to openly have extra-marital liaisons, most famously with Margaret Sanger, and a ten-year relationship with the author Rebecca West, who had one of his two out-of-wedlock children. A one-time member of the Fabian Society, Wells sought active change. His 100 books included many novels, as well as nonfiction, such as A Modern Utopia (1905), The Outline of History (1920), A Short History of the World (1922), The Shape of Things to Come (1933), and The Work, Wealth and Happiness of Mankind (1932). One of his booklets was Crux Ansata, An Indictment of the Roman Catholic Church. Although Wells toyed briefly with the idea of a "divine will" in his book, God the Invisible King (1917), it was a temporary aberration. Wells used his international fame to promote his favorite causes, including the prevention of war, and was received by government officials around the world. He is best-remembered as an early writer of science fiction and futurism.
He was also an outspoken socialist. Wells and Jules Verne are each sometimes referred to as "The Fathers of Science Fiction". D. 1946.
O britânico Herbert George Wells (1866/1946), sociólogo, historiador e jornalista, foi também e acima de tudo um grande romancista. Considerado, junto com Mary Shelley e Julio Verne um dos criadores da ficção científica, H.G. Wells (sua “persona” literária) notabilizou-se por clássicos imortais como “Guerra dos mundos”, “O homem invisível” e “A máquina do tempo”. Os séculos XX e XXI renderam-se às maravilhosas criações do mestre sendo que estes três clássicos supracitados já foram, mais de uma vez, transformados em filmes. Esse ótimo “Universos Peculiares: Contos surpreendentes de fantasia e de suspense”, traz um ótimo prefácio intitulado “O homem que fazia ilusões” de autoria de Cláudia Fusco, escritora, roteirista, professora e mestre em Estudos de Ficção Científica pela Universidade de Liverpool (Inglaterra) e é uma ótima oportunidade para conhecer o talento do mestre Wells também nas narrativas curtas que mereceram do mestre as seguintes colocações quando de uma reedição de seus contos em 1890:
“A minha ideia da arte do conto é que seja a arte de produzir algo que brilhe e que emocione; pode ser algo horrível ou patético ou engraçado ou belo ou profundamente revelador, mas tem apenas um traço essencial, de que possa ser lido em voz alta num espaço de tempo entre quinze e cinquenta minutos. (...) Não importa se seu tema é humano ou não humano, não importa se deixa o leitor mergulhado em pensamentos profundos ou apenas contente e superficialmente satisfeito. Algumas coisas se prestam melhor ao formato do conto do que outras, e o usam com mais frequência; mas um dos prazeres da arte de escrever contos é tentar o impossível”.
O livro traz 11 contos que trafegam com imensa desenvoltura pelo terror, pela fantasia, pelo fantástico e pelo suspense demostrando que fora do universo da ficção científica o autor também se dava muito bem. Alguns desses contos eu já conhecia pois eles estão também presentes no também excelente “O país dos cegos e suas histórias” publicado no Brasil em 2014. Todos os onze contos merecem cuidadosas conferidas mas, na minha avaliação, merecem destaques especiais “A extraordinária história do jornal de Brownlow” em que um incauto e pacífico cidadão britânico ao receber o seu tradicional jornal descobre que, de forma misteriosa, ele recebeu um jornal publicado quarenta anos depois, “As férias do Sr. Ledbetter” em que um também incauto e mediano cidadão britânico, ao se aventurar em algo fora de seu cotidiano, mergulha numa espiral de situações que beiram o surreal, “A loja mágica”, pequeno e macabro conto de terror que ficaria perfeito numa adaptação cinematográfica dirigida por Tim Burton, “A terra dos cegos’ (Também chamado em outras edições de “O país dos cegos”) que narra a história de um aventureiro que se acidenta e vai parar numa estranha terra em que os habitantes não possuem o dom da visão e não acreditam que possa existir a habilidade de “ver”, fato que gera um curioso “choque cultural”, “O quarto vermelho”, publicado em 1896, em que um jovem resolve passar a noite num quarto pretensamente assombrado e passa por uma experiência assustadora que curiosamente antecipa a máxima “lovecraftiana” publicada num ensaio de 1927 intitulado “O horror sobrenatural na literatura” : “A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido”, “A história do falecido Sr. Elvesham”, curiosa e mordaz fantasia envolvendo uma insólita troca de corpos e “O ovo de cristal”, curioso “prequel” do clássico “Guerra dos Mundos”, clássico romance também de autoria de Wells. Mas, quer saber? Não acredite em mim! Leia todos os contos, várias vezes e surpreenda-se com a fértil imaginação de um dos gigantes da literatura inglesa e mundial.
Nesse livro, encontramos contos do H. G. Wells de 1896 a 1932. Apesar dele ser conhecido como um autor de ficção científica, aqui vamos encontrar textos que vão para o lado da magia, aventura e até mesmo horror. Eu gostei muito de todos os contos e achei que ele soube explorar muito bem cada um dos temas. Eu não conseguia desgrudar do livro até saber onde iria dar aquela história e o que aconteceria com aquele personagem. A escrita dele é muito fluida e de fácil leitura, o que ajuda a cativar desde a primeira linha. Um recurso que ele utiliza bastante é um personagem contando uma história que contaram pra ele, o que eu achei bem interessante porque me deixou pensando até que ponto aquilo que está sendo dito realmente aconteceu ou foi uma invenção da “fonte” dele.
Apesar de ter gostado de todos, o meu conto favorito foi A Extraordinária História do Jornal de Brownlow. Achei muito legal a ideia de receber um jornal do futuro e, provavelmente, alguém do futuro receber o seu jornal. Também achei interessante as ideias que o H. G. Wells tinha do futuro.
Enfim, já tinha gostado de A Guerra dos Mundos e achado interessante O Homem Invisível, então acho que já posso dizer que ele é um dos meus autores favoritos. Recomendo demais para quem gosta de contos fantásticos.
P.S. Essa edição da Wish está LINDÍSSIMA!!! Além de ter sido cativada pelos contos, fui cativada com o cuidado da editora com o livro.