Aos meus amigos é um retrato da geração que viveu as décadas de 1970 e 1980 e, no início dos anos 1990, deparou com a frustração dos ideais cultivados na juventude, o avanço da aids, a queda do Muro de Berlim e a disputa feroz na primeira eleição pós-redemocratização. Na trama, a trágica circunstância do suicídio de Leo mobiliza a reaproximação de sua antiga turma — Lena, Lúcia, Bia, Beny, Raquel, Caio, Adonis, Pedro, Pingo, Ivan e Tito —, além de Flora, a ex-esposa, e do próprio Leo, presente nas memórias evocadas pelos outros. Em um período de quase vinte e quatro horas, entre velório, enterro e deslocamentos às casas de Leo, onde alguns esperam encontrar um manuscrito deixado por ele, e de Lúcia, onde os amigos se reúnem após o funeral para beber, dançar e “exorcizar” o sofrimento daquele dia, conhecemos o passado do grupo, suas dores e alegrias, seus fracassos e desilusões. Nesse reencontro, predominam rancores, divergências (sobretudo políticas), mas também um imenso e profundo afeto que se sobrepõe às diferenças. O romance foi publicado originalmente em 1992 e transformado na minissérie Queridos amigos, transmitida pela Rede Globo em 2008. Esta edição, revista pela autora, traz uma carta de Maria Adelaide Amaral aos leitores e prefácio do jornalista Mauricio Stycer.
"Não sei se a gente tem saudade daquilo que realmente viveu, ou daquilo que pensou ter vivido, ou daquilo que desistiu de viver. A memória selecciona e idealiza, Lu - disse Pedro, lembrando-se do tempo em que era um sucesso e do qual sentia uma saudade dolorosa.! - página 156
Neste livro temos um passeio pelas memórias de um grupo de amigos nascidos no Brasil da década de 40 e que eram jovens universitários durante os anos da ditadura. Reúnem-se para o velório e funeral de Leo, que se atirou da janela do apartamento. A morte de Leo espoleta uma série de lembranças dos tempos da adolescência, da universidade, das lutas políticas, das relações amorosas, da relação com os os filhos, de como chegaram ao momento presente e agora perto dos 50 anos como estão.
Não conhecia Maria Adelaide Amaral como autora de livros, só tinha assistido às séries que escreveu para televisão e de que gostei muito. Também gostei do livro, pois tem uma escrita simples quase toda em diálogos entre os diferentes amigos, onde vamos percebendo como foi a vida deles, os seus pensamentos e as suas angústias.
Será que conseguimos olhar para trás com saudade, mas sem ser dolorosa como a de Pedro? Quando tiver 50 anos verei! :D
Ao meu eu passado, presente e futuro. Que livro! Me senti melancólica, quase apreciando a solidão e toda a negatividade do mundo, mas finalizei a leitura valorizando e querendo mais vida.
Eu não sou uma pessoa propriamente afeita à televisão, portanto, esse livro me chegou como uma supresa. Não lembro exatamente como o DVD de 'Queridos Amigos' chegou até mim, mas lembro de ter ficado completamente encantada com a linguagem lúdica, a fotografia delicada, as referências culturais, a trilha sonora e o texto da minissérie. Assim, assistindo aos 'Extras' do DVD, descobri que sua origem era de um livro de Maria Adelaide Amaral. Não demorou uma semana para que eu conseguisse adquirir a obra e lê-la. Confesso que a ambientação do livro em muito pouco lembra a atmosfera da adaptação: aqui os diálogos são mais densos, obscuros, desesperançosos, melancólicos, tristes, reflexivos e nostálgicos. Os personagens são mais pesados, desiludidos, ácidos, deprimidos, parecem ter sido atropelados pela vida e arredios entre si. Havia algum tempo que não me dedicava a leitura de autores nacionais, então acabei estranhando um pouco as estruturas e o excesso de diálogos, que pode ser cansativo (já que estou habituada a outro tipo de narrativa). Além disso, me pareceu um pouco surreal que mais da metade do livro se passe num cemitério, e que o resto seja uma variável entre o trânsito de São Paulo e a casa de uma das personagens. Algumas metáforas e conversas me soaram um pouco bobas para a idade atual dos personagens, o que me desagradou um pouco até eu entender que este é um livro visceral e que não parece ter sido editado da realidade da escritora. De todo o modo, eu gostei muito de me encontrar ali, e de me perder um pouco também. O ponto alto são os elementos de ligação usados pela autora para conectar uma estória a outra. É muito interessante observar os elos que Maria Adelaide usa para ligar a história de um personagem a outro e suas epifanias. As referências culturais são absolutamente ricas e deliciosas! Algumas frases de efeito entrelaçadas a um certo tipo de poética que nos convidam a refletir e a nos identificar também estão presentes. A sensibilidade atrelada ao tédio e à doçura de Adonis me tocou profundamente. Gostei de perceber que a natureza humana é comum a todas as décadas, revolucionárias ou cínicas: que a saudade faz parte de todos, que a gente tropeça e precisa se reencontrar, que todo mundo já amou um cafajeste em algum momento e se sentiu viva por isso, que é preciso coragem para morrer de amor e viver por ele, que há ainda algo em todos nós enquanto criaturas, e que não importa o quanto a desesperança tente fazer morada, é sempre tempo para um novo (re)começo.
O livro me criou uma falsa expectativa, pela sinopse esperava algo diferente. A busca do tal livro acabou me frustrando, talvez tenha sido por isso que me decepcionei um pouco, fiquei esperando por algo que acabou não acontecendo e esse encontro não era o objetivo da autora.
Belissimo livro, porém demorou pra engranar. incrivel como a autora consegue construir tantos personagens diferentes, relacionamentos entre eles e não se perder, não perder a voz e nem nos confundir de quem é quem. uma reflexão muito singela e melancolica do que é envelhecer, o que são os relacionamentos, sonhos e esperanças perdidas.
Gostei muito do livro. Não é exatamente voltado para a minha geração, mas eu consigo me identificar com várias passagens. Achei um pouco repetitivo em alguns momentos do livro e alguns personagens são mais bem construídos que outros. Sempre gosto de livros sobre amizades.
“Não sei se a gente tem saudade daquilo que realmente viveu, ou daquilo que pensou ter vivido, ou daquilo que desejou viver. A memória seleciona e idealiza, Lu ”
me lembrou "as invasões barbaras" e "o declínio do império americano", filmes franceses com amigos de longa data e alta capacidade intelectual e de abstração para discutir o sentido da vida e tudo que nela ocorreu nas últimas décadas. Amigos se reúnem por ocasião do suicídio de um membro do grupo, e uma série de sentimentos, pensamentos, emoções, opiniões, fraquezas e afins vem à tona.
uma leitura bastante forte, detalhada. um recorte de vida muito especial que toma como base memórias romanceadas da própria autora para homenagear um amigo falecido. tanto o livro quanto a minissérie Queridos Amigos merecem um lugar especial na história da arte brasileira