Uma das melhores leituras do ano pra mim - não estranhe o título, porque ele não colabora em nada para a montanha-russa de emoções que é "The Surrogate Nanny". Passei raiva com o mocinho, torci muito pela mocinha, mesmo com as circunstâncias; mas a história é tão bem construída que você se vê entendendo todos os lados e apenas encantada em como tudo se desenrola - e como é bem-pensada a trama.
Simone Livingston assina um contrato para ser barriga de aluguel de um homem rico, Anthony Powell, e até aí, dentro das leis dos EUA e sendo uma decisão mútua, tudo ok. Anthony parece ser um paizão, ajuda Simone em tudo... Até o dia em que ele não aparece no parto da criança, desaparece, e Simone se vê em uma situação difícil: deixar a recém-nascida ir para o conselho tutelar ou criar a menina como se fosse dela?
Ela decide adotar a menina, dar seu sobrenome e criar Nori com todo o carinho, até que um ano depois, Anthony aparece do nada na vida das duas, informando que ficou esse tempo todo em coma por causa de um acidente e deseja ter a filha de volta.
Parece uma novela do Manoel Carlos, e se fosse no Brasil seria, porque é muito legal ver como Simone assume essa responsabilidade e ama profundamente Nori, a tal ponto de lutar pela guarda da menina, mesmo que o contrato assinado e a ausência de vínculo sanguíneo (além da grana de Anthony x a vida sacrificada da jovem) a coloquem em uma posição complicada no júri.
Como você imagina, Simone perde a guarda da menina e entra numa espiral depressiva que só é impedida por uma proposta do advogado de Anthony, Jonathan (que é uma figura bem interessante do livro), que oferece um novo contrato: que ela viva como babá da criança.
Há motivos: Anthony não conseguiu se conectar com Nori, e a menina pede o tempo todo pela mãe. Ou seja, ela não é exatamente a babá de Nori, e sim a mãe dela, como foi por um ano.
Isso cobre alguns dos primeiros capítulos do livro, e depois disso, a vibe "novela do Manoel Carlos, só que SPICY" prossegue - e a autora trabalha com maestria como essas duas pessoas de vidas e histórias diferentes, que poderiam ter uma relação massa de co-parentalidade (se não fosse a correria de Anthony), agora estão em uma situação conflituosa e complexa: Simone não é a mãe biológica de Nori, mas é a mãe que ela conhece e ama; e Anthony é o pai biológico que sempre quis a filha, mas uma tragédia o impediu de ter essa convivência.
Aliado ao fato de que o acidente (e a ânsia de Anthony) impediram que sentimentos escondidos pelos dois pudessem se revelar em tempo... Mas não direi nada, porque só lendo para saber.
Eu AMEI "The Surrogate Nanny" porque é o tipo de romance com drama que tem camadas (há uma subtrama interessante de Anthony convivendo com questões físicas e a bengala que precisa usar após o acidente; além de ser perceptível que a autora do livro é uma mulher negra, dada a forma como a relação de Simone - que é negra - e a filha Nori - que é branca - é trabalhada, e as tensões que aparecem em uma determinada sequência que na hora eu saquei o que ia acontecer naquela loja), é bem construído, a forma como os personagens se encantam, se desencantam e se apaixonam de verdade é bem-feita, não é apressada, é envolvente e tem doses honestas de humor. Anthony era um cara engraçado antes do acidente e aos poucos retoma seu jeito; e Simone sabe dar boas indiretas. Além disso, Nori é um bebê fofo (e o processo de crescimento dela é bem-escrito) - e é muito legal ver essa parte da maternidade e da paternidade se desenvolvendo na história.
Ah sim, e os hots são maravilhosos. Eu disse que tinha SPICY na novela do Manoel Carlos né?
Eu gostei muito de "The Surrogate Nanny" e já quero ler o livro do Jonathan, que promete (parece menos novela do Manoel Carlos, mas deve ser bacana do mesmo jeito).
Importante: aviso de gatilho para ideação suicida.