Balizado cronologicamente entre o aparecimento de Portugal como unidade política diferenciável no conjunto da Península Ibérica e a fase histórica da expansão, que tantas e tais mutações introduz na idade média portuguesa, este estudo reparte-se por uma caracterização das diversas áreas culturais do país, pela identificação dos grupos humanos culturalmente distintos e pelo isolamento dos grandes períodos que impõem ritmos próprios à evolução global da cultura.
JOSÉ MATTOSO nasceu em Leiria, a 22 de Janeiro de 1933. Professor catedrático jubilado, doutorou-se em História Medieval pela Universidade de Lovaina (Bélgica), em 1966, quando era monge beneditino do Mosteiro de Singeverga, onde permaneceu até 1969. Pediu a redução ao estado laical em 1970, iniciando então uma carreira universitária. Leccionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1971 e 1977, e, daí até 1990, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Universidade de que foi também vice-reitor (1991-1995). Foi presidente do Instituto Português de Arquivos (1988-1990), director do Instituto de Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (1996-1998) e Presidente do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2010-2012). Recebeu o Prémio Pessoa (1987) e o Prémio Internacional de Genealogia Bohüs Szögyeny (1991), Foi condecorado, pela Presidência da República, com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant'Iago da Espada (1992). Faleceu a 8 de Julho de 2023, em Torres Vedras.
Devido à falta de espaço, este estudo é pouco, ou nada, aprofundado. O autor limita-se a dar algumas informações, frisando a diferença entre o «Norte cristão e rural» e o «Sul moçárabe e urbano» e traçando, em linhas gerais, «o processo de aculturação», sem esquecer, claro, que a cultura erudita estava ligada ao meio eclesiástico. O livrinho só tem mesmo alguma utilidade para quem pretende iniciar-se neste tema. Mas é sempre bom ler José Mattoso. De notar que a edição é de 1993.