Em "Rua de Nenhures", Pedro Tamen presenteia-nos com 63 poemas de amor. A poesia de Pedro Tamen mereceu vários prémios nas últimas décadas. Em 1981, ganhou o Prémio D. Dinis; dez anos depois recebe dois galardões com o livro Tábua das Matérias, o Prémio da Crítica e o Grande Prémio Inapa de Poesia. Foi distinguido ainda com o Prémio Nicola (1997), o Prémio da Imprensa e o prémio P.E.N. Clube (2000). Mais recentemente recebeu o Grande Prémio de Poesia APE (2010) e o Prémio Literário Casino da Póvoa (2011). O autor tem poemas traduzidos e publicados em francês, inglês, espanhol, italiano, alemão, neerlandês, sueco, húngaro, romeno, checo, eslovaco, búlgaro e letão. Tem desenvolvido uma intensa actividade de tradutor literário e obteve, em 1990, o Grande Prémio da Tradução.
PEDRO TAMEN nasceu a 1 de Dezembro de 1934, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi director da Editora Moraes e administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, e co-dirigiu as revistas Anteu e Flama. Leccionou no ensino secundário, fez crítica literária no semanário Expresso e foi ainda presidente do PEN Clube Português, entre 1987 e 1990. Traduziu Imitação de Cristo, dos Fioretti de S. Francisco, Cantos de Maldoror, de Breton, e ainda outras obras de autores como Sartre, Foucault, Camilo José Cela, Georges Bataille, Georges Pérec, Flaubert e Gabriel García Márquez. Em 1990 obteve o Grande Prémio da Tradução. A sua obra poética, iniciada em 1956 com Poema para Todos os Dias, encontra-se reunida em Retábulo das Matérias (2001). A poesia de Pedro Tamen mereceu já as seguintes distinções: Prémio D. Dinis (1981), Prémio da Crítica (1991), Grande Prémio Inapa de Poesia (1991), Prémio Nicola (1997), Prémio da Imprensa e prémio PEN Clube (2000). Faleceu em Setúbal, a 29 de Julho de 2021.
Sessenta e três poemas de Pedro Tamen que nos falam do amor e dos desencontros amorosos, do mar e das ondas, das folhas que esvoaçam na floresta, dos beijos comovidos e da brancura dos lençóis, dos silêncios e do barulho do vento, das agruras da alma e da amargura do presente, e muito, muito mais… Bom, mas de qualidade irregular.
5 Guardarás numa caixinha virtual o que não fiz por ti, a mão que não chegou à sobrancelha que nem aflorou, o beijo repetido nas palavras sem que o tacto o multiplicasse qual se desejava.
Nessa caixa de nada não tardará depois a não estares só tu, a não estar só eu, a estarmos só os dois.
10 Ardes-me no peito onde a custo o meu amor perpassa, e vai até às loucuras do corpo e às agruras da alma. Ardes-me no minuto, no segundo, na hora amaciada por olhos entrevistos, ardes-me no sangue obstruído e na certeza muda que me diz que o coração existe.
11 Atravesso o rio e entre as árvores clareia a luz interminável dos teus olhos. Quando regresso deito-me na cama e anoitece, mas o farol ainda me guia e às apalpadelas toco o rasto do caminho que nunca percorri.
“Ardes-me no peito onde a custo O meu amor perpassa, e vai até Às loucuras do corpo E às agruras da alma. Ardes-me no minuto, no segundo, Na hora amaciada por olhos entrevistos, Ardes-me no sangue obstruído E na certeza muda que me diz Que o coração existe”.