Apenas li "Memórias póstumas de Brás Cubas". Valeu, sobretudo, pelo discurso que o narrador dirige ao leitor, verdadeiros tesouros de arte poética. O mais é a velha história do apaixonado e da relação entre este e a amante. Estava à espera de um texto que quebrasse, ou tivesse quebrado, a regra da narrativa da época, ao escolher um narrador que já está morto. Erro meu, que já tenho obrigação de saber que no que diz respeito a técnicas narrativas ficou quase tudo feito até ao século XVIII. A ironia, essa, embora também seja uma realidade no livro, não estabelece, da mesma forma, nenhuma novidade. À imagem do que sucede com alguns romances de Dostoievski, sobretudo os mais curtos, também aqui se nota, ao longo da narrativa, a circunstância de ter sido escrito e publicado em fascículos.