Os contos de O vôo da madrugada vêm cobertos pelo manto da noite. Os enredos das dezesseis histórias do livro são variados e as técnicas narrativas se adequam, sempre de forma inventiva e surpreendente, às motivações dos textos. Uma obsessão comum, porém, confere unidade de escura atmosfera às narrativas do os personagens - e o próprio escritor - vivem experiências nos meandros noturnos da consciência.
A solidão persegue os personagens do livro de forma desesperada, a ponto de fazê-los pensar inúmeras vezes em dar cabo da existência. O salto para fora da vida que percorre os contos, porém, é metáfora para representar estados de espírito excepcionais, como aqueles que traduzem o torpor do sexo, a liberdade da fantasia e o fascínio pela arte.
A obsessão pelo desfecho da vida é associada a forte carga erótica, mas também à busca pela forma perfeita. As histórias contadas por Sérgio Sant'Anna mergulham, assim, nas zonas sombrias da mente para delas emergir com novas tonalidades, numa outra e inesperada organização da realidade - iluminada e irresistivelmente sedutora.
Sérgio Sant'Anna was a Brazilian writer, born in 1941 in the city of Rio de Janeiro. He has written poems, plays, short stories, novelas and novels. His works have been translated to German and Italian. His works are heavily meta-fictional and is a strong influence on the newer generation of brazilian writers.
Possivelmente um dos livros mais bonitos que já li em se tratando de assuntos mórbidos. Dividido em 3 seções: a primeira de contos que flertam com a morte de alguma forma, sejam eles o desejo de morte, sensações provocadas por ela, memórias de entes que já se foram, etc; A segunda traz uma novela, "O gorila"; e a terceira "Três textos sobre o olhar". A primeira seção foi de longe a que mais me tocou e dela destaco, além do conto título, os contos "Formigas de apartamento", belíssimo conto sobre a velhice; e "Invocações", esse talvez o conto que mais me tocou no livro, onde o autor "invoca" memórias sobre familiares já falecidos tentado re-imaginar vidas que ele não viveu. Coisa bonita demais. A novela do Gorila me divertiu bastante e a terceira seção não me agradou muito, mas o segundo texto eu adorei.
Esse foi o primeiro livro que li do Sérgio Sant'Anna e já tou pensando em qual será o próximo dele que lerei em um futuro muito breve.
“Quantas vezes já não desesperei de mim, diante da impossibilidade de escrever não uma grande obra e sim um simples conto, mas que aplacasse, ainda que por poucos dias, uma ânsia de realização e de beleza? Quantas vezes já não me desesperei diante dessa impossibilidade?”
De la primera sección me gustaron mucho "El vuelo de madrugada" y "¿Un cuento nefando?" Sentí un estilo similar al de Murakami (soledad) aunque más inclinado a la filosofía y al lenguaje. "El Gorila" fue una interesante novela corta: muy humanos los tratamientos de Sant'Anna pese a sus temas tabú. La tercera sección me recordó a ciertas partes de "El reloj de arena" de Danilo Kis: momentos/fotografías.
Que contista chique é o Sérgio Sant’Anna. Aqui, ele experimenta a forma, faz mil filosofias e trata de sexo com a seriedade que isso merece. Os contos são todos meio alucinados e delirantes, e as personagens andam feito uns zumbis de desejos pela vida. Personagens e cenas inesquecíveis, daqueles livros de que dá saudade quando a gente fica muito tempo sem ler.