A poesia de Bishop é sóbria e descritiva; são recorrentes temas como a natureza e as memórias, retratados sempre com imagens belas e originais. Ela é uma poeta do mar, das montanhas, dos animais, mas também das casas antigas, dos amigos e parentes distantes e, de um jeito muito sutil, dos amores presentes e passados. Para nós, têm interesse particular os poemas que tratam do Brasil. Em que pese um certo olhar estereotipado, acho que ela descreveu de maneira muito pessoal e poética o país, em especial a natureza (mas, de certa forma, também a vida humana). Neste sentido, estes poemas não deixam de ser também o registro de uma observadora privilegiada, em todos os sentidos, de um certo momento da nossa história. O trabalho do organizador e tradutor, Paulo Henriques Britto, enriquece ainda mais a leitura, tanto nos ensaios de abertura quanto no brilhante esforço de tradução. Acho que ele acertou ao respeitar o ritmo e a sonoridade dos poemas e enfatizar mais o sentido geral da obra do que as suas partes isoladas.