Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919, e morreu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004. Começou a escrever muito cedo e foi sempre de uma extrema exigência. São 14 os seus livros de poesia (mais dois de contos e sete para crianças, domínio em que também particularmente se destacou), que fazem dela um dos grandes nomes da lírica portuguesa de sempre e decerto a maior poeta da nossa língua. A sua obra, única, recebeu por isso muitas distinções, em Portugal, e no estrangeiro, incluindo o Prémio Camões, o mais importante concedido a quem escreve em português; e José Saramago, e muitos outros escritores e ensaístas, defenderam que lhe fosse dado o Nobel.
Neste volume reúnem-se cem poemas dos mais representativos da obra de Sophia, nos seus múltiplos aspectos: o essencial de uma poesia que todos os portugueses devem conhecer e amar. trata-se de uma antologia - como sublinha na introdução o organizador, José Carlos de Vasconcelos -, que mostra, em todo o seu esplendor, a fidelidade sem mácula de Sophia ao seu destino de Cantar.
Na incessante busca do que lapidarmente sintetiza em três versos: a busca «De uma país liberto/ De uma vida limpa/ De um tempo justo».
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
Quando eu morrer voltarei para buscar Os instantes que nao vivi junto do mar
This was a compilation of poems from Sophia's various published works, and many of the poems where beautiful invocations of the Portuguese landscape, love and friendship, and homages to her favorite poets (particularly Homer and Fernando Pessoa). A good introduction to her work, including many of her most cited poems.
Nestes Cem Poemas de Sophia [a primeira mulher a vencer o Prémio Camões], encontra-se uma parte daquela que titulou a mais importante da literatura portuguesa do Século XX. Aqui, influenciada pela mais tradicional da poesia lusitana, surge das linhas de uma Grécia Antiga que edificou a pátria glorificada por Camões e Pessoa, dentro desse espaço percorrendo uma vivência inteira, de um Portugal que vai do Pré ao Pós-Revolucionário. Sophia é um universo poético, onde os versos são como ondas suaves que arrebatam, quebrando-se a solidão com a saudade, a fatalidade com a esperança, a guerra com a paz, a indiferença com o carinho e o receio com a liberdade. “As ordens que levava não cumpri / E assim contando tudo quanto vi / Não sei se tudo errei ou descobri.”