O cérebro é responsável pela forma como processamos as informações, armazenamos o conhecimento. Dessa forma, compreender o seu funcionamento e as estratégias que favorecem o seu desenvolvimento é do interesse dos educadores, aí se incluindo professores, pais e todos os envolvidos no desenvolvimento de outras pessoas. No entanto, nem sempre há familiaridade dos educadores com os fundamentos na Neurociência, um campo do conhecimento em fantástica evolução. Com uma linguagem clara e uma abordagem esclarecedora, Neurociência e Educação é uma fonte segura dos fundamentos neurocientíficos do processo de ensino- aprendizagem que podem auxiliar todos os envolvidos nessa atividade a entender o sucesso ou o fracasso de muitas estratégias pedagógicas.
Livro básico, sem quaisquer aprofundamentos. Para leigos, porém, é um bom começo, porque traça um panorama bem geral dos processos neurológicos envolvidos na aprendizagem. Quase sem termos técnicos, facilita o ingresso do leigo no campo ainda incipiente da neuroeducação e poderia, até, ser uma leitura obrigatória para os educadores, leitura a ser partilhada em reuniões entre pais, mestres e coordenadores, a fim de se reverem e, também, se embasarem cientificamente as práticas pedagógicas.
Inteligência é definida, em uma definição abrangente, como: Uma capacidade muito geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e por meio da experiência. Longe de ser apenas uma habilidade acadêmica, uma aprendizagem livresca ou esperteza para testes, o conceito de inteligência sofre mutações, com várias maneiras de ser inteligente e reflete uma capacidade ampla e profunda para compreensão do ambiente. Aprendizagem não é algo óbvio que pode ser atribuído somente ao resultado do foco e da concentração. E para explicar, ajudar na compreensão, suscitar discussões e correlacionar os estudos da aprendizagem na Neurociência, Dr. Ramon Cosenza, médico, doutor em Ciências, professor aposentado da UFMG e autor. A obra em si propõe que o papel do educador pode ser mais significativo e eficiente quando ele conhece o funcionamento cerebral, o que pode contribuir em uma maior compreensão dos fenômenos observados e para o sucesso da conduta proposta, qualquer que seja ela. Os temas avaliados incluem o funcionamento dos neurônios, regiões do cérebro relevantes ao tema, nossos sentidos, processamentos inconscientes, controle motor e vias sensoriais, funcionamento do córtex cerebral, formação e capacidades do cérebro, os processos da atenção, distinções da memória, o importante papel das emoções, o sistema nervoso e as funções executivas, o córtex pré-frontal, o papel do educador, os processos neurobiológicos da leitura e da fala, um entendimento completo sobre lesões e o diagnóstico de síndromes e transtornos, as múltiplas inteligências, e por fim, mas não menos importante, a influência dos fatores ambientais e o viés cultural do aprendizado. Importante salientar que a maior parte dos processos que ocorrem no cérebro é inconsciente, como a regulação do meio interno, e que não existe correspondência direta entre determinados neurotransmissores, estruturas ou circuitos especializados que regem emoções específicas e a consciência integrada. O estudo das neurociências é relativamente novo com interações muito complexas, e nas palavras do autor, só agora estamos começando a entender como funcionam esses processos, bem como interligar ativações cerebrais com comportamentos. Através da abordagem interdisciplinar, Dr. Ramon demonstra como a autorregulação emocional, ou seja, a capacidade de modular o comportamento de acordo com as demandas cognitivas, tem um papel importante no aprendizado. A título de exemplo: Um dos mecanismos interligados com a autorregulação é a atenção, e a atenção seleciona a informação importante a ser processada, deixando de lado o que for dispensável para economizar energia e por falta de capacidade de examinar tudo ao mesmo tempo. Ultrapassando o filtro da atenção, a informação que se torna consciente leva à memória e suas classificações. Planejar estratégias comportamentais, supervisionar nossa agenda e traçar novos planos respeita uma capacidade limitada dos sistemas fragmentados de repetição: a memória. Contudo, entendemos e subvertemos as conhecidas memórias de curto e longo prazo em conhecimentos adquiridos, lembrados e utilizados conscientemente, ou seja, conhecimentos em que a memória se manifesta sem esforço ou intenção consciente. Ademais, o registro permanente consolidado é constantemente posto à prova em um ambiente hostil com ameaças psicológicas e regido por um dispositivo aperfeiçoado para guardar, de forma majoritária, aquilo que se repete com frequência e dados relevantes para a sobrevivência. Correlacionar toda essa parafernália a seres humanos traz um sentimento de não pertencimento e, como diz o neurocirurgião Dr. Henry Marsh: É estranho conceber que meus instrumentos passam através do próprio pensamento, através da emoção e razão, que memórias, sonhos e reflexões fazem parte dessa estrutura gelatinosa.
Este livro é excelente para quem quer iniciar seus estudos na Neurociência na educação. É didático, rico em detalhes e ajuda a entender como o cérebro funciona e o que é importante os educadores saberem sobre ele. É muito útil e deve ser como um livro que devemos voltar e relembrar as funcionalidades da memória e a importância de entendermos como o cérebro aprende.