Quando Mário Donato lançou Presença de Anita, em 1948, vivenciou dias de glória e de muita polêmica. Aclamado pela crítica como inovador, ousado e erótico, o livro provocou a ira da Igreja que ameaçou excomungar o autor . Um grupo de senhoras de Campinas organizou um abaixo-assinado contra a publicação e seu criador, tornando Donato persona non grata em sua cidade natal. Presença de Anita narra a história de um pacto de morte entre dois amantes - Anita, uma ninfeta de 17 anos, linda e sardônica, despertando para os prazeres do sexo, e Eduardo, um quarentão, casado, pai de dois filhos. É ele quem faz a proposta - "(...) só vejo um caminho: morrermos juntos duma vez!" - e ela aceita sem titubear. Depois de mais uma jornada de amor, eles decidem que chegou o momento de consumar o fato. Mas, numa armadilha implacável do destino, nem tudo sai como eles planejaram. Numa narrativa vertiginosa, Mário Donato constrói uma trama engenhosa, inquietante e sedutora que captura a atenção do leitor logo no primeiro capítulo. Tornamos-nos quase-cúmplices de Eduardo e sua obsessiva busca pelo amor idealizado, projetado na figura de "Cíntia" - criada por sua imaginação adolescente e que ganha forma em seus desenhos. Em cada mulher que cruza o seu caminho, ele procura traços e características daquela que é a sua razão de viver, mas se depara o tempo todo com "quase-Cíntias". Eduardo conseguirá realizar seu sonho e ter em seus braços a Cíntia-desejada? Será "Anita" a mulher que ele tanto procurou?
Mário Donato nasceu a 29 de abril de 1915 na cidade de Campinas, São Paulo, e seguiu a carreira de seu pai, gráfico e tipógrafo, até formar-se em contabilidade e ingressar no jornalismo, após desistir dos estudos de economia; Estreou com um livro de poemas em 1938; Foi repórter, redator, colunista e secretário de redação de "O Estado de São Paulo" e da "Folha da Manhã", hoje "Folha de São Paulo. É autor de vasta obra literária, que inclui títulos como Galetéia e o fantasma, Madrugada sem Deus, Domingo com Cristina e Partidas dobradas, romance de 1978 e que lhe rendeu o Prêmio Jabuti.
O livro Presença de Anita, publicado em 1948 e fimado em 1951, e que inspirou a minissérie homônima de Manoel Carlos, na Rede Globo, ocasionou sua excomunhão da Igreja Católica e recebeu a tarja de "romance proibido".
Na ocasião de sua morte, Donato tinha pronto o livro O país dos paulistas, que conta a história da cidade de São Paulo, de 1555 a 1964. O romance ainda não foi publicado.
Caramba, depois de ver a minissérie fui na maior expectativa do mundo ler esse livro. Que decepção! Não é de todo ruim, mas as únicas partes verdadeiramente interessantes são as que a Anita 'aparece'. No mais, ela é basicamente uma coadjuvante, e embora sua presença seja meio que 'constante', o drama de consicência e de vida do Eduardo são imensamente enormes, de modo que acho o título ilógico: ela não é mesmo a figura mais importante do romance....ainda que 'roube a cena' qdo aparece. Enfim, a única parte realmente interessante do livro é a primeira, de modo que é melhor meeeeesmo abandonar a leitura em seguida. Coincidentemente ou não, essa 1ª parte é justamente a utilizada na adaptação para minissérie. No mais, dispenso total!!! =P
Não posso deixar de concordar com a última review, no sentido de que as minhas expectativas sobre o livro excederam o que ele é na realidade. Também tinha visto a série e obviamente li a obra com uma influência prévia, mas ao somar todos os fatores, gostei mais do produto final que virou a série do que o livro que a originou. A história macabra do sobradinho e a referência às músicas francesas que Anita ouvia sem parar foram, por exemplo, dois acréscimos do Manoel Carlos que adorei na série e que não estavam presentes no livro, além de outras alterações da trama que a tornaram mais interessantes. No entanto, discordo do colega da review em seu último comentário: acho que vale a pena continuar a leitura após a primeira parte, ou seja, De fato, a segunda parte do livro traz basicamente as divagações e os dilemas da vida de Eduardo(o ''Nando'' da série), mas também outros aspectos interessantes, como Outro detalhe interessante é a descrição da relação dela com o pintor, bem mais detalhada que na série, se não me engano. Acho que, apesar de tudo, vale a leitura.
Eu gosto mais dessa Anita apaixonada e que deseja amor do que a Anita esquizofrênica da minissérie. O que teria cortado a Diana e focado na paixão de Anita e Eduardo, em vez daquela decisão estúpida do suicidio deles, Anita descobre que é doente terminal e morre. Eduardo simplesmente sofrendo com sua morte decide se matar. A parte da diana é desnecessário na história e poderiam muito bem focar só em Anita e Eduardo, sua paixão intensa. Poderia muito bem Lucia tê-lo deixado e fugido com seus filhos com outro homem, ele está sofrendo com isso, acaba encontrando apoio no amor de Anita. Deveriam terem desenvolvido mais Eduardo e Anita. Mas achei a minissérie uma grande porcaria com aquela anita que é doida.
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Agora eu entendo porque o Manoel Carlos adaptou apenas a primeira parte do livro, é a única que ainda vale a leitura.
A segunda e a terceira parte poderiam ser condensadas facilmente num capítulo só. ( bem pequeno)
O personagem principal, Eduardo, é extremamente cansativo, canalha, muito chato, egoísta e extremamente difícil de se acompanhar, mesmo quando está sofrendo.
Talvez o livro fosse melhor se acompanhasse e desse uma maior voz as personagens femininas, elas são muito mais interessantes, tanto Anita quanto Lúcia.