"São cerca das cinco da tarde do dia 14 de Agosto de 1385. A vanguarda da cavalaria do exército de Juan I, rei de Castela, acaba de se pôr em movimento. Percorrerá alguns metros a trote, antes de se lançar decididamente a galope, com as lanças bem seguras, apertadas contra o corpo sob a axila do braço direito. A poucas centenas de metros, a hoste portuguesa e inglesa aguarda o embate, em formação cerrada, todos de pé. Vezes sem conta o desfecho deste ataque inicial determina o resultado da batalha. E, neste caso, o resultado da batalha decidirá se os reinos de Castela e de Portugal serão reunidos, nas pessoas de Juan I e de sua mulher Beatriz, ou se Portugal continuará a ser um reino independente, sob o rei D. João I, designado poucos meses antes nas cortes de Coimbra. É isso que está em jogo naquela carga de cavalaria e nos sucessos militares que se lhe seguirem."
LUÍS MIGUEL DUARTE nasceu em Viana do Castelo, a 24 de Julho de 1956. Licenciado em História (1979) e Doutor em História da Idade Média (1994), pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde lecciona desde 1981 e é, desde 2008, Professor Catedrático no Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais. É investigador do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM) e membro correspondente da Academia Portuguesa da História. É autor de vários artigos e capítulos em obras colectivas, além dos livros Justiça e Criminalidade no Portugal Medievo (1998); D. Duarte. Requiem por um Rei Triste (2005), Aljubarrota: Crónica dos Anos de Brasa (2007), Ceuta 1415: seiscentos anos depois (2015), entre outras. Colaborou na Nova História de Portugal (1995), na Nova História Militar de Portugal(2003) e na História da Vida Privada em Portugal (2011). Tem como áreas de investigação a história do Porto; a história urbana; a história da justiça e da criminalidade e a história militar.