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254 pages, Paperback
First published January 1, 2005
os cisnes se afogam em águas sujas,
retirem os avisos,
testem os venenos,
isolem a vaca
do touro,
a peônia do sol,
tirem os beijos de alfazema de minha noite,
botem as sinfonias nas ruas
como mendigos,
afiem as garras,
açoitem as costas dos santos,
atordoem sapos e ratos para o gato,
queimem os quadros encantados,
mijem no amanhecer,
meu amor
está morto.
o gato passa
parecendo saber tudo
mas houveram mulheres
que me deixaram
plantado no quarto sozinho
encurvado —
com as mãos no saco —
pensando
por quê por quê por quê por quê por quê por quê?
mulheres vão para homens que são porcos
mulheres vão para homens com almas mortas
mulheres vão para homens que trepam pessimamente
mulheres vão para sombras de homens
mulheres vão
vão
porque precisam ir
pela ordem das
coisas.
as mulheres sabem mais
mas muitas vezes escolhem na
confusão e desordem.
elas podem curar com seu toque
elas podem matar o que tocam e
eu estou morrendo
mas não estou morto
ainda.
as garotas que um dia seguimos até em casa
agora são mendigas,
uma delas é aquela velha enrugada
de cabelo branco que
te bateu com a
bengala.
as garotas que um dia seguimos até em casa
andam com sondas em
enfermarias,
jogam damas no passeio
público.
elas não mergulham mais
antes das ondas quebrarem,
aquelas garotas que seguimos até em casa,
não passam mais óleo de bronzear
quando estão no sol,
não se demoram mais na frente do espelho,
aquelas garotas que seguimos até em casa,
aquelas garotas que seguimos até em casa
foram para algum lugar,
algumas para sempre,
e nós que as seguimos?
morremos em guerras, morremos
do coração,
morremos de saudade.
arrastando chinelos e falando
devagar,
nossos sonhos são sonhos de tv,
poucos de nós,
bem poucos de nós se lembram
das garotas que seguimos até em casa.
quando o sol sempre parecia
estar brilhando.
quando a vida se movia tão nova e
estranha e esplêndida
dentro
de vestidos que brilhavam.
eu me lembro.
você está melhor do que nunca.
você vendeu tudo.
você é uma merda.
minha mãe te odeia.
você está rico.
você é o melhor escritor em língua inglesa.
posso te ver?
escrevo exatamente como você, só que melhor.
por que você dirige uma BMW?
por que você não faz mais recitais?
você ainda consegue fazer ele levantar?
você conhece o Allen Ginsberg?
o que você acha de Henry Miller?
você vai escrever o prefácio do meu próximo livro?
[…]
sou uma garota de 19 anos e virei limpar a sua casa.
[…]
por que é que você chupa de Hemingway?
por que você ataca o Tolstoi?
estou cumprindo um tempo e quando eu sair virei ver você.
[…]
você realmente fica acordado a noite toda?
eu posso beber mais que você.
[…]
quem diabos você pensa que está enganando?
não tenho muito peito mas minhas pernas são incríveis.
foda-se, cara.
minha esposa te odeia.
você leria por favor os poemas em anexo e comentaria?
vou publicar todas aquelas cartas que você me escreveu.
seu filho-da-puta punheteiro, você não engana ninguém.
você tem mais é que comer muitas mulheres
mulheres bonitas
e escrever uns poemas de amor decentes.
não se preocupe com a idade
e/ou novos talentos.
apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja
e vá às corridas ao menos uma vez por
semana
e ganhe
se possível.
aprender a ganhar é difícil —
qualquer porcão pode ser um bom perdedor.
e não se esqueça de Brahms
de Bach e de sua
birita.
não faça muito exercício.
durma até o meio-dia.
evite cartões de crédito
ou pagar qualquer coisa no
dia.
lembre-se que não existe um cu
nesse mundo que vale mais de $50
(em 1977).
[…]