Este livro começa de forma pouco auspiciosa, lembrando uma novela cheia de gente fútil e vazia, mas vai-se compondo. Através do salão de beleza Cleópatra, numa Beirute a reconstruir-se, acompanhamos Mouna que tenta manter o salão aberto e sustentar a mãe e a tia após perder todo o resto da família num bombardeamento. O seu sonho é casar e ser sustentada. No entanto, após algumas desilusões, começa a afirmar-se e a ganhar confiança em si própria. Neste salão, vão cruzar-se por acaso algumas outras mulheres cujas vidas iremos descobrir: Imaan, embaixadora do Líbano no exterior, mulher poderosa que se debate com um casamento infeliz, Nina, a órfã que singrou na vida com afinco, Lailah, a filha de um rico empresário e antiga miss, com um casamento de fachada e uma vida fútil e vazia, Nadine, a filha de um diplomata casada por amor com alguém pouco valorizado, Amal, a misteriosa empregada de Mouna e sua trágica história. Entre as tradições e a modernidade de um país devastado por uma guerra que nunca termina, com campos de refugiados sírios e problemas sem resolução, dividida pelas várias religiões, aprendemos um pouco sobre um país que era sofisticado e avançado e passou por uma guerra cujas marcas nunca desaparecerão. A pobreza de alguns, a corrupção e o luxo e ostentação de outros coexistem. As personagens são ricas e interessantes, apesar de algumas serem um pouco incompletas ou mudarem de forma pouco natural. Os estereótipos são muitos, especialmente no caso das personagens masculinas. Quanto a mim, há personagens a mais, o que se torna por vezes confuso, algumas têm pouca importância e há pormenores que ficam esquecidos. Os ambientes são ricos, há referências a comidas, confusão de rua e pormenores cativantes. Apesar de não ser uma obra prima, desperta interesse e lê-se facilmente.