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Corto Maltese #19

As Etiópicas: I - Em Nome de Alá o Misericordioso

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As Etiópicas ou o reencontro de Corto Maltese com o seu amigo Cush, na região do incenso, do sândalo e da mimosa. Na África mítica, por onde passaram Rimbaud e Lawrence, que partilham com Corto o instinto da liberdade e a necessidade de viver intensamente, pela poesia e a acção, a procura do paraíso perdido.

48 pages, Paperback

First published October 1, 1979

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About the author

Hugo Pratt

735 books423 followers
Hugo Pratt, born Ugo Eugenio Prat (1927–1995), was an Italian comic book writer and artist. Internationally known for Corto Maltese, a series of adventure comics first published in Italy and France between 1967 and 1991, Pratt is regarded as a pioneer of the literary graphic novel.

Born in Rimini, Italy, Pratt spent his childhood in Venice in a cosmopolitan family environment. In 1937, ten-years old Hugo moved with his parents to Ethiopia, East Africa, following the Italian occupation of the country. Pratt's father eventually died as a prisoner of war in 1942. Hugo himself and his mother spent some time in a British prison camp in Africa, before being sent back to Venice. This childhood experiences shaped Pratt's fascination with military uniforms, machineries and settings, a visual constant in most of his adult works.
As a young artist in post-war Italy, Pratt was part of the so-called 'Venice Group', which also included cartoonists Alberto Ongaro, Mario Faustinelli. Their magazine Asso di Picche, launched in 1945, mostly featured adventure comics.
In 1949 Pratt moved to Buenos Aires, Argentina, where he worked for various local publishers and interacted with well-known Argentine cartoonists, most notably Alberto Breccia and Solano López, while also teaching at the Escuela Panamericana de Arte. During this period he produced his first notable comic books: Sgt. Kirk and Ernie Pike, written by Héctor Germán Oesterheld; Anna nella jungla, Capitan Cormorant and Wheeling, as a complete author.
From the summer of 1959 to the summer of 1960, Pratt lived in London drawing war comics by British scriptwriters for Fleetway Publications. He returned to Argentina for a couple more years, then moved back to Italy in 1962. Here he started collaborating with the comics magazine Il Corriere dei Piccoli, for which he adapted several classics, including works by Robert Louis Stevenson.
In 1967, Hugo Pratt and entrepreneur Florenzo Ivaldi created the comics magazine Il Sergente Kirk, named after one of Pratt's original characters. Pratt's most famous work, Una ballata del mare salato (1967, The Ballad of the Salty Sea) was serialised in the pages of this magazine. The story can be seen as one of the first modern graphic novels. It also introduced Pratt's best known character, mariner and adventurer Corto Maltese. Corto became the protagonist of its own series three years later in the French comics magazine Pif gadget. Pratt would continue releasing new Corto Maltese books every few years until 1991. Corto's stories are set in various parts of the world, in a given moment in the first three decades of the 20th century. They often tangently deal with real historical events or real historical figures. The series gave Pratt international notoriety, being eventually translated into fifteen languages.
Pratt's other works include Gli scorpioni del deserto (1969-1992), a series of military adventures set in East Africa during WWII, and a few one-shots published for Bonelli's comic magazine Un Uomo Un'Avventura ('One Man One Adventure'), most notably the short story Jesuit Joe (1980, The Man from the Great North). He also scripted a couple of stories for his pupil Milo Manara.
Pratt lived in France from 1970 to 1984, then in Switzerland till his death from bowel cancer in 1995.

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Profile Image for Utti.
521 reviews36 followers
November 5, 2018
Non il mio Corto preferito, forse un po' sottotono. Splendidi i disegni e il lettering come sempre, ma la storia meno avvincente di altre.
Profile Image for Sérgio.
111 reviews31 followers
June 7, 2021
Deixando atrás de si o continente europeu, transformado num imenso e desolador campo de batalha, no meio do qual espreitava já a gripe espanhola, Corto Maltese ruma ao Mar Vermelho e, posteriormente, a África. As Etiópicas são o registo das aventuras por que passou nessas ancestrais terras de mistério e lenda, por volta de meados de 1918.

Pensando abandonar na Europa o pesadelo da Primeira Guerra Mundial, também no Iémen a vem encontrar, lembrando a inevitabilidade dos encontros fortuitos com a Morte do conto árabe do homem do poço de Samarra. Aqui chegado, vê-se envolvido nos meandros do conflito entre o Império Otomano e as forças inglesas, apoiadas pela revolta árabe, no âmbito da Grande Guerra. A sua actuação será decisiva para o resgate do jovem príncipe Saud, de onde se depreende tratar-se do descendente directo do futuro fundador do reino independente e unificado da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Abdul Rahman Al Saud.

Movendo-se tão bem no deserto como no mar, com a ajuda da fluência na língua árabe, Corto chega, entretanto, à Somália britânica. Aí presencia o encontro com o destino de Juda O’Leary, fictício revolucionário irlandês que matou o irmão Simon em troca de dinheiro e de uma posição de comando na África colonial britânica, onde Corto o conhece sob o falso nome de Capitão Bradt. Uma injúria perpetrada contra Cush, o amigo etíope de Corto Maltese, é quanto basta para selar o seu fim. Renegando a Irlanda após o seu acto vil, e achando-se seguro no interior africano, Juda/Bradt vem, ironicamente, encontrar aí a morte às mãos de revoltosos islâmicos, incitados por Cush.

Em “Outros Romeus e Julietas”, Pratt volta a glosar Shakespeare, adaptando o conflito entre Montecchios e Capuletos à realidade da Etiópia do início do século XX. No lugar de rivalidades familiares, temos disputas religiosas entre cristãos ortodoxos, aos quais pertence Fala Mariam, a nossa Julieta, e muçulmanos, confissão de Rhomah, o nosso Romeu. Só a intervenção de Corto, auxiliado por um feiticeiro de origem demoníaca, Shamaël – que afirma ser ele próprio um anjo caído em desgraça –, poderá impedir um conflito armado e unir os apaixonados em casamento.

A derradeira aventura de Corto em terras africanas, “Os Homens-Leopardo do Rufiji”, é uma história de busca de justiça dos povos africanos contra as forças coloniais alemãs. Na possessão germânica da Tanganica (actual Tanzânia), entretanto ocupada pelos britânicos no final da Grande Guerra, um general alemão tenta recuperar um tesouro, como forma de compensação pela derrota iminente. Para tal projecto não olhará a meios, indo ao ponto de assassinar homens indefesos. Caberá à sigilosa organização dos “Homens-Leopardo”, espécie de polícia continental africana encarregue de vingar os crimes cometidos contra os seus congéneres, à qual Corto se junta por motivos pessoais, reparar o mal cometido e castigar os agressores. Seriamente atingido durante a actuação desta organização, Corto Maltese recupera a saúde após um sonho místico com um leopardo, que evoca a profecia anunciada a Allan Quatermain, da League of Extraordinary Gentlemen (consultar Nota 1), de que África nunca o deixaria morrer.

As Etiópicas fornecem-nos mais alguns dados para a escrita da sempre elusiva biografia de Corto Maltese. Ao contrário do que pudéssemos imaginar, a sua primeira estadia na China não foi em 1905, na Manchúria, durante a Guerra Russo-Japonesa, como o álbum cronologicamente mais recuado, Juventude, nos faria supor. Cinco anos antes, em 1900, já Corto lá tinha estado, em plena Rebelião dos Boxers, com apenas 13 anos, onde teve uma participação não identificada. Neste álbum tomamos, também, conhecimento com Cush, amigo próximo de Corto, que reaparecerá mais tarde, noutro lugar, para revelar o paradeiro incerto do marinheiro maltês – Pratt recupera o personagem noutra série, Os Escorpiões do Deserto (1969-92).

Falar de Corto Maltese é falar de Hugo Pratt. Existe uma permeabilidade e intertextualidade deliberada entre autor e personagem, que é um dos motivos centrais de toda a série e uma das causas da sua complexidade e qualidade artística. Assim sendo, os gostos de Corto, os seus encontros e desencontros são, com frequência, espelho das preferências e experiências de Pratt. As Etiópicas não são excepção. A passagem de Corto pelo Médio Oriente, naquele preciso momento, ilustra o fascínio de Hugo por Lawrence da Arábia. Bem assim, a estadia de Maltese na Somália evoca a passagem de Arthur Rimbaud – o revolucionário poeta, inspirador dos modernismos literários e do próprio Pratt – na região, na última década do século XIX, onde chegou a ser traficante de armas. A localização geográfica de várias das histórias do álbum no interior e no chamado Corno de África é uma reminiscência das leituras do autor, durante a infância e a juventude, dos romances de Salgari, como A Favorita do Madi ou Os Bandidos do Sara. Por fim, o próprio título e a presença de Corto na Etiópia relembram a relação próxima e conturbada do autor com esse país. Tendo ido viver para a Abissínia (antigo nome da Etiópia) com apenas 10 anos, em 1937, após a conquista italiana durante a Segunda Guerra Ítalo-Etíope, Pratt passou aí a maior parte da Segunda Guerra Mundial. Lá morreu o seu pai, como prisioneiro de guerra. Lá o próprio Hugo esteve detido, no campo prisional britânico de Dirédaoua.

Noutro lugar, explorei os contributos de Pratt e da série Corto Maltese para a arte sequencial. Se esses méritos se baseiam extensamente na concepção desta forma de arte como um “cinema para pobres”, tal não seria possível se esta não estivesse apoiada numa definição particular da própria banda desenhada. Hugo Pratt chamava-lhe “literatura desenhada”. E de uma verdadeira literatura se trata. A quantidade de referências literárias presentes em Corto Maltese, a profundidade das personagens e o carácter insondável da sua figura central prefiguram uma autêntica densidade literária, até lírica, às suas obras. Se a literatura implica intertextualidade, autoquestionamento, caracterização psicológica e motivacional, trama cuidadosamente concebida e uma certa mundividência, então os álbuns de Pratt são literatura com todas as letras.

Em relação às edições disponíveis em Portugal, As Etiópicas foram publicadas pela primeira vez, como não podia deixar de ser, pelas Edições 70, em dois volumes, na versão a preto e branco original, em 1982. Em 2010, surgiu nova edição, desta feita pela Asa, em capa dura. Todavia, é de evitar, devido ao fraco cuidado e tratamento que apresenta, nomeadamente uma péssima coloração digital do álbum, que o descaracteriza, e uma tendência recorrente da editora para suprimir capítulos e reordenar o conteúdo dos álbuns de forma arbitrária. A melhor edição é também a mais recente. Falo daquela lançada pela Arte de Autor (2019), no preto e branco original e em capa dura, com prefácio de Jean Rouaud e contendo como bónus um conjunto de aguarelas com estudos de cenários e personagens.


Notas

1 - Filme de 2003, dirigido por Stephen Norrington, e baseado na série de banda desenhada americana homónima, criada por Alan Moore e Kevin O’Neil. A obra recupera vários heróis e personagens literários oitocentistas numa demanda para evitar uma guerra mundial no último ano do século XIX. Entre estes encontra-se, precisamente, Allan Quatermain, o protagonista de As Minas do Rei Salomão (1885), e de vários outros romances de aventura do autor Henry Rider Haggard.
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