Quinto título das Obras reunidas de Hilda Hilst publicadas pela Editora Globo, Cantares reúne dois livros de poemas, publicados, respectivamente, em 1983 e 1995: Cantares de Perda e Predileção e Cantares do Sem Nome e de Partidas. Obras breves, ambas constituem um dos instantes mais densos do lirismo hilstiano, que aqui revisita o tema do amor, dentro da melhor tradição da língua portuguesa.
Cantares de Perda e Predileção recebeu os prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e Cassiano Ricardo, do Clube de Poesia de São Paulo. Segundo J. L. Mora Fuentes, escritor e jornalista, que compartilha a rotina diária da Casa do Sol com a autora, "Hilda Hilst pertence ao patamar dos grandes artistas, cuja essencialidade nos impõe o dever de preservar todos seus escritos... Sábia de requintes que nos permitem avançar no pouco-nada que intuímos de nós mesmos, Hilda desmascara sem pudor, seja com cascos, suaves garras, ríspidas carícias, nossos mais preciosos ícones. E assim revela nosso rosto verdadeiro."
Hilda de Almeida Prado Hilst, more widely known as Hilda Hilst (Jaú, April 21, 1930–Campinas, February 4, 2004) was a Brazilian poet, playwright and novelist, whose fiction and poetry were generally based upon delicate intimacy and often insanity and supernatural events. Particularly her late works belong to the tradition of magic realism.
In 1948 she enrolled the Law Course in Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(Largo São Francisco), finishing it in 1952. There she met her best friend, the writer Lygia Fagundes Telles. In 1966, Hilda moved to Casa do Sol (Sunhouse), a country seat next to Campinas, where she hosted a lot of writers and artists for several years. Living there, she dedicated all her time to literary creation.
Hilda Hilst wrote for almost fifty years, and granted the most important Brazilian literary prizes.
Gosto, no geral. Mas, também no geral, me sinto burro boa parte do tempo. Mas quando tem um poema que fala mais comigo, gosto mais. Legal pensar no livro como contraponto ao homônimo na Bíblia.
Ter lido esse livro faz parte de um projeto pessoal de ler todos os livros que estão na minha estante. Comprei Cantares, O Caderno Rosa de Lory Lamby e Júbilo, Memória e Noviciado da paixão com 15 ou 16 anos. Júbilo eu li na época, O Caderno acabei lendo no e-book de Pornô Chic (gosto muito!) e agora Cantares, que reúne dois livros, "Cantares de Perda e Predileção" e "Cantares do Sem nome e de Partidas".
Não foi a coisa que li da Hilda que mais gostei, mas a primeira parte, infelizmente menor, tem poemas valiosos, lindos, mesmo. O resto vale a pena ler só pelo vocabulário dessa mulher, sua sintaxe. No mais, acho que Hilda consegue escrever sobre o amor de uma mulher como ninguém, uma forma única, bela, dolorosa, com muitas contradições que fazem sentido o tempo todo.
Sempre quis ter tempo pra ler tudo dela. Esses poemas me instigaram a ler mais da sua ficção.
Com elevadíssimo primor, Hilda vai versar sobre o amor e toda a carga positiva-negativa que o mesmo é capaz de proporcionar. Amar e odiar é exposto aqui como semelhantes, o alvo do amor-ódio é alguém que fere as chagas de Hilda, ainda assim é alguém por quem ela também morreria se necessário fosse para esse odioso amado continuar vivendo. O livro é uma ode sincera às complexidades da entrega do corpo aos sentimentos e como o jogo sútil do desejo enceja a dificuldade de amar no raso.
Um diálogo com "O cântico dos cânticos". Poemas que pensam o amor - talvez até o pensem demais - e que o sentem de forma vária, visto que não há uma só forma de vivê-lo. Principalmente a primeira parte, "Cantares do sem nome e de partidas" me agradou muito, com uma sonoridade e cadência rítmica como um barco numa tempestade.
Hilda Hilst - poetisa, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira, reúne nessa edição duas de suas obras: Cantares de perda e predileção (1983) & Cantares do sem nome e de partidas (1995). Em seus poemas trás a contrariedade do amor e ódio, morte e vida, céu e inferno que compõem a existência e experiencia humana "Ouvia: Que não podia odiar e nem temer, porque tu eras eu. E como seria odiar a mim mesma e a mim mesma temer"...
No título, na epígrafe, no primeiro verso, em qualquer página deste livro que se abra, ouvem-se os ecos de uma tradição poética cujas origens podem ser rastreadas até o livro bíblico do qual este é, a seu modo, uma tentativa de recriação. Aqui vão os "Cantares de perda e predileção", publicados em 1983, e os "Cantares do sem nome e partidas", escritos em 1995, período em que Hilda já havia desistido de tentar ser lida e engavetava os poemas que escrevia a sério.