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Música Ao Longe

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A família Albuquerque se orgulha de ter recepcionado o imperador d. Pedro II numa suposta visita do monarca ao município de Jacarecanga. Apesar de terem sido proprietários da maior estância da região e de se considerarem benfeitores da população da cidade no passado, na década de 30 os Albuquerque estão atolados em dívidas e lutam para não perder o último casarão familiar.
A ação é descrita através do olhar a um só tempo inquiridor e ingênuo da professora Clarissa, personagem surgida dois anos antes no romance que leva o nome da moça. A jovem Clarissa não compreende o primo Vasco, um rebelde que vive às turras com a família, e não percebe que o primo personifica o amor ainda imaturo que, segundo um poeta que Clarissa aprecia, "tem o encanto fugidio e misterioso de uma música ao longe..."
Escrito em apenas 20 dias para concorrer ao Prêmio Machado de Assis - que ganhou -, "Música ao Longe" comprova o amplo talento de prosador de Erico Verissimo, bem como a atenção com que observa as transformações vividas pelo país.

232 pages, Paperback

First published January 1, 1936

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About the author

Erico Verissimo

106 books394 followers
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa.
Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett.
He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Clarissa.
138 reviews
January 13, 2020
Foi graças a estes livros que fui chamada de Clarissa. A minha tia Jarita, que morreu há poucos anos no dia do meu aniversário, era uma grande fã destes livros e deu a ideia à minha mãe. Eu cresci a ler os livros da Clarissa, e curiosamente herdei algumas características da sua personalidade. Eu passei horas a falar com a minha tia Jarita sobre estes livros, falávamos das personagens como se fossem nossos velhos amigos, e dos acontecimentos narrados como se tivessem acontecido de verdade. Peguei agora nos livros outras vez, pela primeira vez em quase 20 anos, e vejo-me levada de volta aos meus tempos de adolescente, de volta com os meus velhos amigos fictícios, e de volta com a tia Jarita, que teve uma parte tão importante na minha vida, e de quem nunca me esquecerei.
Profile Image for Giuliano Verardi.
75 reviews
June 5, 2021
Continuação da vida de Clarissa, agora com 16 anos e professora. Volta para casa em Jacarecanga após concluir os estudos em Porto Alegre. Decepcionada com a situação da família, de problemas financeiros após a perda das estância e das outras propriedade para os imigrantes italianos Gamba e brigas familiares, e também pela falta de amizades, começa a escrever um diário, que reveza no livro com a narração em terceira pessoa. Nele, anota suas decepções e expectativas de conhecer algum grande segredo que fará com que sua vida passe a ser bonita e não mais tão feia. Após descobrir o segredo de Vasco ao entrar no seu quarto, sua paixão por ele a faz ver a vida de forma diferente, sentir novos sentimentos.

Amâncio, Jovino e João de Deus: Irmãos. O primeiro, viciado em cocaína. O segundo, em bebida. João é pai de Clarissa; após as hipotecas não faz mais nada, deixando sempre para depois aquilo que se propôs a fazer e esperando que os conhecidos o sustente por gratidão ao seu pai Olivério, muito querido por todos na região. Por orgulho, rejeita ser empregado por alguém. Prefere viver preso a tradição e ao passado da família.

Vasco: ou Gato do Mato. Filho de um pintor, herda o gosto pela pintura. Seu pai abandonou sua mãe e fugiu para viajar, levando-a ao suicídio. "Filho de onça nasce pintado"; revolta-se e também deseja ir embora após a morte de Tia Zezé. Compartilha com Clarissa a decepção com vida.

Trechos:

P. 35:
"'O amor que ainda não se definiu é como uma melodia do desenho incerto. Deixa o coração a um tempo alegre e perturbado e tem o encanto fugidio e misterioso de uma música ao longe...'
Clarissa fecha o livro, encosta a cabeça no respaldo da cadeira e, olhos cerrados, começa a pensar.
Música ao longe... Como é bonito! Um amor assim deve ser muito doce mesmo, como o amor dos romances."

P. 239:
"A serenata continua, distante... Música ao longe...
De repente Clarissa tem a grande revelação. Encolhe-se transida, contente e ao mesmo tempo aflita, vendo pela primeira vez com clareza o que apenas vislumbrava duma maneira vaga, apagada, tímida.
A serenata dissolve-se na noite, funde-se com o luar.
Mas o vulto familiar vai crescendo. Já se ouve o ruído de seus passos. Vasco se aproxima da janela, pára, ergue a cabeça.
- Alo, Clarissa!
Ela sorri, baixa os olhos, quer dizer alguma coisa mas não consegue falar."


P. 183:
"Amigos! Clarissa está contente, tão contente que nem pode falar.
Vasco, de pé, acha-se bem na frente dela, e ri baixinho um riso prolongado e macio. Por que será que está rindo? Para mim? De mim? Oh!
De repente Clarissa se sente invadida por uma sensação inexplicável de vergonha, Parece que está cometendo uma falta, um ato feio e proibido."

P. 201:
"Vasco foi falar comigo e conversamos muito tempo. Gato do Mato é muito engraçado, contou muitas histórias e eu cada vez ficava mais admirada.
Tenho pensado tanta coisa dele que até nem escrevi nada. Às vezes fico imaginando, imaginando... Como é que uma pessoa pode viver perto da gente muitos, muitos anos e nunca chegamos a ver bem como ela é? com o Vasco foi assim. Se aquele dia eu não subisse às escondidas até o quarto dele, não ficava sabendo como ele é. Pensei que Gato do Mato fosse apenas um coisa-ruim, como diz tio Jovino. E agora quando ele me fala em assuntos sérios, parece mentira, parece um sonho, parece que isso não está acontecendo.
Mas eu ainda não compreendo bem aquele diabo. Vasco conversa comigo, fala em livros, expõe as suas ideias mas ainda há nele um mistério qualquer. Está conversando e de repente se perde, esquece que estou perto e fica olhando para o céu, com ar de quem está vendo uma coisa que os outros não podem ver. E de vez em quando desaparece e fica dois, três, quatro dias sumido."

P. 225:
"Anda esquisita, cheia duma alegria triste. De manhã sai cantarolando para o colégio, olha as flores do jardim do juiz de comarca, sorri para as primaveras do muro perto do Recreio, dá aula com prazer, volta... Mas volta com "uma coisa" dentro do peito. Não é bem alegria e não chega a ser propriamente tristeza. Uma ânsia... Vontade de fazer absurdos. De abraçar a porteira do colégio. De sorrir para a diretora, de beijar o capim, as flores, a terra... Aproxima-se mais do espelho. Examina-se com cuidado. Se ela pudesse escrever o que sente, o que pensa, o que se passa com a sua alma. Abre o diário, pega a pena. Mas o que escreve não corresponde à verdade. As palavras não dizem nada. No entanto "a coisa" está aqui, ela a sente, tão suave, tão estranha, doce e amarga ao mesmo tempo. Como uma doença, uma espécie de febre"

P. 230:
"Surpresa no rosto de Clarissa. "Por tua causa." Palavras tão naturais... Pois eles não são primos, amigos, velhos companheiros? "Por tua causa." No entanto ela fica vermelha, toda perturbada. As palavras têm para ela um som estranho. São como uma música caridosa que ele cantasse baixinho bem no ouvido. "Por tua causa." Clarissa olha para o casarão e tem a impressão de ver na parede caiada, estas palavras em letras maiúsculas: "Por tua causa"."

P. 231:
"Será possível que ela tenha vergonha do primo Vasco? Por que este embaraço, por que esta falta de assunto ou, melhor, por que esta vontade de falar, falar muito e não poder dizer nada, nada?"

P. 233:
"- Você sabe, Clarissa, que eu estive pensando numa história muito, muito importante? - Ela sacode a cabeça negativamente. - Pois fiz uma descoberta muito engraçada... Só há uma coisa que pode mudar o rumo de minha vida, alterar os meus planos..."
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P. 57:
"Infeliz? Quase. Não é esta a vida com que ela sonhou."

P. 118:
"Mas lá no fundo, bem no fundo de seu espírito, fala de mansinho uma voz secreta que lhe diz que apesar de tudo a vida tem presentes bonitos para nos oferecer.
Amanhã... quem sabe? Talvez na primavera. Talvez..."

P. 136:
"Mas por que é que a gente imagina? Só para depois ficar desiludida..."

P. 154-55:
"Quando estou só no quarto até me sinto feliz. O meu quarto é o lugar melhor do mundo. As outras peças da casa são velhas, antigas e me parece que estão cheias de fantasmas. O meu quarto, não. Tem pintura nova, verde, com desenhos dum verde mais claro. Os móveis são laqueados de verde também e o penteador e as janelas têm cortinas de chitão com desenhos também verdes. O Vasco disse que eu sou como cavalo: gosto de verde. No princípio fiquei com raiva dele e depois comecei a achar graça na brincadeira. Mas, o meu quarto é o lugar melhor do mundo. Aqui tudo é meu, aqui ninguém se mete, aqui não há caras tristes. Na prateleira estão os meus livros, os meus romances. Quando leio, gosto de imaginar que sou a mocinha da história. Ler é muito bom. Se não fosse a leitura eu era muito infeliz. Lendo, parece que fujo de Jacarecanga. "Bobagem, não é mesmo? Pode ser. Mas eu sou assim. Já ouvi o padre dizer: "São Paulo disse: Eu sou o que sou". Pois eu também. Para que fingir que a gente ê de outro jeito? Não adianta."

P. 182:
"- Você pensa, Clarissa, que se a vida não oferecesse nada mais do que isto que temos aqui (outra vez o gesto largo) valia a pena viver? Não senhora!
Clarissa está embasbacada. Eis o que ela sempre sentiu. O que sempre quis dizer e não teve a quem. De repente aparece Vasco e lhe diz as palavras que ela só esperava ouvir duma personagem de romance impossível."
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P. 68:
"João de Deus fica olhando a manhã. Sente saudade do campo: as vacas mugindo, o cheiro das mangueiras, as criadas tirando leite de manhã, as sestas largas, as longas galopadas pelas coxilhas, o banho na sanga... Agora tudo se foi. Onde estão aquelas léguas e mais léguas de campo, herança dos Albuquerques de pai para filho, há quase duzentos anos? Tudo os bancos levaram, tudo...
Agora aqui está o Albuquerque mais velho, vendo mais um dia que surge, mais um dia que vai passar como os outros, inutilmente.
Que fazer? Ir até a panificadora e dizer: "Seu Gambá, estou desempregado, o senhor me dê um lugar no seu escritório ou então um empreguinho de caixeiro no balcão?"
Nunca. Um Albuquerque não pode fazer tal coisa. Trabalhar sob as ordens dum imigrante sórdido que já foi seu subalterno? Nunca.
Ainda bem que o casarão foi salvo, a família tem ao menos casa onde morar. Amanhã tia Zezé, Amâncio, Jovino e Vasco estarão aqui. Mais quatro bocas para comer, Os Albuquerques no seu último reduto."
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Ao final, torna-se uma crítica social por parte dos comentários de Vasco e mais romântico pelo diário de Clarissa.
Profile Image for Laura Lícia.
103 reviews9 followers
December 15, 2017
Nessa obra escrita em 1936, Érico Veríssimo traz de volta a protagonista de seu primeiro romance, Clarissa.
Agora de volta à casa dos pais, Clarissa se depara com uma família em farrapos, longe dos seus tempos áureos, quando os Albuquerque eram admirados pela riqueza e prestígio.
Agora só restaram dívidas e muito orgulho.
Usando a inocência e pensamentos sonhadores de Clarissa, o autor vai fazendo o leitor refletir sobre comportamentos humanos bastante atuais, ao mesmo tempo em que faz uma crítica assaz à sociedade da época.
É nesse romance que a relação de Clarissa se estreita com seu primo Vasco, que também aparecerá como protagonista no romance Saga (que aguardo para ler ansiosamente).
69 reviews
September 28, 2023
Clarissa, personagem principal do primeiro romance de Érico Veríssimo, retorna em Música ao Longe para ilustrar a crítica social ao tradicionalismo, ao desmonte de fortunas por herdeiros e a desigualdade social presente desde sempre na sociedade brasileira.
Com a delicadeza de Clarissa e a presença de Vasco, o romance desmonta dogmas da Família Albuquerque e desenha o destino de vidas preservadas inertes - sem responsabilidades.
Poderia levar o subtítulo de “Ode ao Desperdício”, da fortuna da família, das tradições sem sentido, das vidas do Casarão, da infância de Clarissa, do afeto de Vasco, dos mistérios de Leocádio, ou da beleza (risos) de Paulo Madrigal.
Profile Image for Miguel.
619 reviews4 followers
February 25, 2021
Erico Veríssimo escreve muito bem, tinha imenso talento, contrastando a sua escrita belíssima com a simplicidade com a qual redigia as suas obras (que foram já algumas as que li). Arrisco a dizer que foi o maior escritor de língua portuguesa.
Esta obra foi escrita em 15-20 dias para concorrer ao prémio Machado de Assis, Veríssimo pegou na obra Clarissa e construiu esta tendo ganho o prémio, absolutamente incrível.
Aqui a vida continua a ser vista pelos olhos de Clarissa mas já adulta, interessantíssimo para quem leu Clarissa.
Profile Image for Luana Mendes.
135 reviews
September 30, 2025
“ O amor que ainda não se definiu é como uma melodia de desenho incerto. Deixa o coração a um tempo alegre e perturbado e tem o encanto fugidio e misterioso de uma música ao longe... “

O primeiro de vários, que baita escritor.
Clarissa e seu jeito de ver o mundo. E assim partilhamos dos mesmos sentimentos contraditórios e anseios sobre o que está por vir e o amor. Das mesmas fragilidades da família e da vida que se contradiz, essa que é uma coisa ao mesmo tempo engraçada e triste (como você diria).
Profile Image for Priscilla.
1,930 reviews18 followers
November 18, 2023
Continuação de Clarissa, primeiro livro do autor.

Mistura de diário e crônica, traz as observações da personagem, agora professora e com dezesseis anos, em sua volta à casa da família.

A inocência de suas palavras vai minguando conforme os capítulos passam, primeiro com a observação da vida paterna, depois com a desilusão da vida de "Gato".

Recomendo.
Profile Image for Jessica Reolon.
3 reviews
August 11, 2022
Meu livro preferido, junto com a sua sequência, Um Lugar ao Sol, e a Olhai Os Lírios do Campo. Ver Clarissa se tornando adulta, lidando com os problemas de sua família tradicional em decadência ao mesmo tempo em que se apaixona foi uma das coisas mais lindas que eu já li na minha vida
Profile Image for Gláucia Renata.
1,306 reviews40 followers
July 15, 2014
Só após tê-lo lido descobri se tratar da continuação de Clarissa, agora mocinha e apaixonada por Vasco, seu primo. Os livros de Erico Verissimo são sempre interessantes por nos contar um pouco sobre o cenário político e social da época.
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