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O Livro de Cesário Verde e poesias dispersas

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Com o fim do romantismo e o início do realismo, Cesário Verde, dividido entre o comércio e a literatura, publica os seus versos em jornais. Só em 1887, já postumamente, é publicado o seu primeiro O Livro de Cesário Verde. Muito influenciado por Charles Baudelaire, o poeta cria um estilo próprio e encontra em Lisboa, caótica e sinistra, a sua grande personagem. Afinal, há poesia no real, no concreto, nos objectos banais, nos gestos, no dia-a-dia. Desfilam novas personagens, que já não musas, mas engomadeiras, varinas e operários. Paralelamente ao binómio cidade-campo, surge a figura feminina, a da mulher citadina, frívola e calculista em confronto com a mulher campestre, doce e pura. Cesário Verde é um dos precursores do modernismo em Portugal. Inventa uma nova poesia quer na forma quer no conteúdo. É um discurso poético de ruptura. O poeta, muito atento ao pormenor, capta as impressões e invoca a realidade. É a poesia do quotidiano, dos sentidos. Outrora desprezado e ostracizado, o reconhecimento do seu valor literário só chega com a geração de Orpheu. Fernando Pessoa chama-lhe «mestre». É hoje reconhecido como um génio pelas suas composições, como «O sentimento dum ocidental», «Num bairro moderno», «Nós». Aceitemos o convite de Mário Cesariny e vamos «todos para casa ler Cesário Verde / que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!» ESTA EDIÇÃO Nota introdutória · Obra poética integral de Cesário Verde · «Senhor empregado de comércio ou poeta?»

228 pages, Paperback

Published August 1, 2000

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About the author

Cesário Verde

46 books71 followers
Cesário Verde (February 25, 1855 – July 19, 1886) was a 19th-century Portuguese poet. His work, while mostly ignored during his lifetime and not well known outside of the country’s borders even today, is generally considered to be amongst the most important in Portuguese poetry and is widely taught in schools. This is partly due to his being championed by many other authors after his death, notably Fernando Pessoa.

Cesário Verde is frequently hailed as both one of Portugal’s finest urban poets and one of the country’s greatest describers of the countryside. Thus, Verde’s poems (always written in the alexandrine structure) are mostly split into “city poems” and “countryside poems” (the few that escape these two categories dealing with love, often scorned.)

Cesário Verde’s city poems are often described as bohemian, decadent and socially aware. He is hailed as Portugal’s first great realist poet, frequently dealing with scenes of poverty, disease and moral decay. His poems also frequently deal with spleen and ennui. In “O Sentimento Dum Ocidental” (“The Feelings Of A Westerner”), Verde captures the atmosphere of decadence then growing in Portuguese society, comparing the past discoveries and expeditions of Portugueses sailors, as well as the works of national poet Luís de Camões, to the present. He also expresses a longing to experience a larger world beyond the city, pining for “Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!” (“Madrid, Paris, Berlin, St. Petersburg, the world!”)

While the city is corrupt and decaying, the countryside in Verde’s poetry is described as lively, fertile and full of beauty. Even the growing industrialization of agriculture isn’t seen as a worrying factor

[...]

The autobiographical poem “Nós” gives an idyllic description of Verde’s youth living on the farm – latter poems show the countryside as the peaceful setting for picnics, and as an opportunity for long walks with female companionship. Whilst in his “city” poems Verde describes spleen and disease, in his descriptions of the countryside the protagonists are often strong, happy and robust.

In his poetry, Cesário Verde references Balzac, Baudelaire and Herbert Spencer. His letters also contain quotes from Victor Hugo, Flaubert, Taine and Quinet. On a national level, the authors referenced are Luís de Camões and João de Deus.

Although he was never very celebrated during his lifetime, Verde did socialize with many of the country’s foremost literary figures (some of these meetings may be attributed to Verde’s republican sympathies, then highly in vogue amongst the country’s intellectuals.) Fialho de Almeida is said to have greatly admired him, and other acquaintances include Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Gomes Leal, João de Deus, Abel Botelho and the painter Rafael Bordalo Pinheiro.

After his death, Verde’s reputation has steadily grown. He was particularly embraced by Portuguese modernists such as Mário de Sá-Carneiro and Fernando Pessoa (whose heteronyms Álvaro de Campos and Alberto Caeiro praise Verde.) More modern admirers include Eugénio de Andrade and Adolfo Casais Monteiro

During his lifetime, Cesário Verde published around forty poems in various papers. After his death, his friend Silva Pinto published “The Book Of Cesário Verde”, collecting his poems. The first edition was published in April 1887 – two hundred copies were printed, to be dispensed as gifts only. The compilation was only made available commercially in 1901. More recent editions have respected the order in which the poems were first compiled, but added others that weren’t included in the first selection. The book now includes Verde’s entire poetic oeuvre.

Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A...

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Tempero.
55 reviews
October 4, 2024
Sr. Verde, poeta!

É absolutamente delicioso ler e reler a poesia de Cesário Verde, naquela que é a sua única obra publicada, ainda que postumamente. De facto, Cesário Verde morreu cedo demais, sem nunca obter reconhecimento literário em vida, e morreu com a dúvida se o mundo se lembraria dele pela sua poesia ou pela sua actividade comercial.
Felizmente, é um daqueles que "se vão da lei da morte libertando", graças à acção do seu amigo Silva Pinto, que fez publicar os primeiros 200 exemplares do seu livro.

A sua obra poética é marcada pelo seu olhar atento e despretensioso, tratando os assuntos quotidianos com simplicidade, sem nunca ser vulgar, mas revelando sempre a agudeza do seu espírito e a urgência dos seus temas.

Com o poeta deambulamos "nas nossas ruas, ao anoitecer", numa realidade observada ao detalhe, onde vemos personagens reais, autênticas, nas suas tarefas do dia-a-dia, num mundo imprimido de movimento, no qual as injustiças são gritantes e se sente a morte a aproximar.
Por oposição à cidade infecta, Cesário refugia-se na pureza da vida natural e nas memórias da sua infância. Os campos cheios de vida são a utopia da sua vida, nos quais deposita a sua esperança e anseia pelo restabelecimento da sua saúde, pois "o campo (...) é todo o meu amor de todos estes anos!".

"A mim o que me rodeia é o que me preocupa".
É, sem dúvida, uma leitura obrigatória!
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews84 followers
December 28, 2014
Se tarde

Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
9 reviews
November 23, 2017
Pessoalmente, não sou grande fã da poesia de Cesário Verde. Acho-a muito direta: aquilo que se lê é o que é. Como apreciadora de tentar descobrir qual foi a intenção de um poeta escrever uma coisa de certa forma, Cesário Verde não me dá muito para descobrir. O facto de ter tendências antimetafísicas também me desagrada. Contudo, consigo reconhecer a beleza de algumas estrofes, construídas apenas a partir da observação. Gosto do facto de se utilizar a deambulação como catalisadora da poesia. No geral, não me põe corações nos olhos, mas também não me incomoda a sua leitura.
Profile Image for Pedro Bello.
318 reviews3 followers
July 18, 2024
Não é o meu género de literatura
Gostei muito de alguns
Gostei de mais alguns
Li todo por curiosidade
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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