Esta é uma leitura obrigatória para quem tem interesse em ser introduzido a um dos problemas clássicos da área de Metafísica: O problema dos universais. Claro, apesar de esse problema ser pelo menos tão antigo quanto o poema "Peri Physis" de Parmênides, e tenha tomado uma nova e importante faceta com a tradução de Boécio do "Isagoge" de Porfírio, este não é um livro da história do problema dos universais (para a alegria ou para a tristeza dos(as) leitores(as)).
Muito pelo contrário: pouco se fala dos clássicos, mas muito se fala dos contemporâneos de língua inglesa. O livro é, por assim dizer, uma apresentação crítica das perspectivas de Anthony Quinton (nominalismo de classes), H. H. Price (nominalismo de semelhança), "Platão" (realismo tradicional), G. F. Stout (classes naturais de tropos), Donald C. Williams (classes e semelhanças de tropos) e J. Cook Wilson (tropos e universais). O próprio Armstrong acaba por apresentar a sua perspectiva filosófica nos capítulos finais: um realismo que entende os universais como "facetas" ou "modos de ser".
A obra é clara, informativa e bem argumentada, embora em alguns momentos se torne cansativa. Especialmente os capítulos sobre o nominalismo. Para além do fato de o autor não ter os melhores dotes literários, Armstrong vai e volta aos mesmos problemas (de regresso, condições de identidade, causalidade, co-extensão, relações, dentre outros) para todas as perspectivas elencadas acima, o que, apesar de dar uma unidade ao livro, dá-nos a sensação de estarmos em um loop.
Ainda assim, por mais que eu tenha as minhas discordâncias com a perspectiva proposta pelo autor, e por mais que eu tenha sentido falta de uma remissão aos clássicos (como falar tão pouco sobre a noção aristotélica de 'substância'? Ou, ainda, por que falar do Guilherme de Ockham somente para mencionar a sua navalha?) eu reitero este é um importante livro para um curso de Metafísica.