Continuação de um dos maiores fenômenos brasileiros dos últimos tempos, Elite da Tropa 2, expõe o funcionamento de uma guerra que acontece nas ruas todos os dias. Policiais, bandidos e políticos se veem envolvidos por uma nova forma de crime organizado, as milícias, que se estabelecem aos poucos, enquanto deixam os cidadãos assustados e o Estado cada vez mais em alerta.
Escrito a partir de entrevistas, pesquisas e análises de inquéritos, processos, relatórios, além de gravações em vídeo de inúmeras audiências promovidas pela CPI das Milícias, este livro lhe mostrará que o inimigo agora é outro.
O último 1/3 é a melhor parte. Assim como o primeiro, bem diferente do filme. Legal pra quem gosta do universo tropa de elite. Bacana pra quem gosta de ler sobre máfia, violência e polícia. Houve uma tentativa de inserir uma espécie de tweetadas no começo de vários capítulos. Achei estranho. Ficou tosco. Vai ver foi o contexto que fez os caras terem essa ideia. Livro foi escrito em 2010. Social media era o termo da época...
No início, os autores descrevem a corrupção de base, da polícia militar e da sua relação com as milícias. A forma como é descrita a corrupção, a maneira simples e corriqueira como começa. Numa segunda parte do livro, os autores retratam como o BOPE enfrenta as dificuldades, as (falsas ou verdadeiras?) denúncias, os ordenados baixos, os horários, etc. Para depois, se analisar a relação do poder com o BOPE e a polícia militar. A queda da ilusão de que tudo não é preto, nem branco. Que 99% das vezes, é cinzento e consequentemente, heróis transformam-se em vilões aos olhos de terceiros, vilões pintados como terroristas por falta de escolha ou por não desejarem uma morte violenta e certa.
Este livro, e por consequência o filme, foi um sucesso porque não branqueou a realidade. Não escolheu um prisma bonito para contar uma história horrível. Apesar de ser baseado em fatos reais ou inspirado em fatos reais, o que é certo é que a violência choca, mas não surpreende. Terrível esta afirmação, não é? Mas quantas notícias não vemos na televisão em que o Rio de Janeiro se encontra entre as cidades mais perigosas do mundo? E apesar das cenas de violência serem duras, ainda bem que não foram branqueadas, na minha opinião só aumenta a qualidade do livro.
“Se as manchetes carimbam essa interpretação dos fatos, fica muito difícil mudar a linha de investigação, uma vez que tudo se encaixa à perfeição e está em harmonia com os preconceitos e a experiência pregressa da sociedade. Problema é igual a favela, e favela é igual a tráfico. Batendo nessa tecla, confirma-se o que vem naturalmente à consciência.”
Assim como o primeiro livro, não é a mesma história do filme, mas pode ser visto como uma história complementar que trata do mesmo tema: as milícias. É possível notar os múltiplos estilos dos autores nas três grandes narrativas que se entrelaçam, sendo que neste livro as narrativas tem mais sintonia entre si e uma conclusão melhor (ao contrário das duas narrativas do primeiro livro). O único ponto que me decepcionou um pouco é que o BOPE aparece muito pouco, sendo o foco maior no trabalho da DRACO ( Delegacia de Repressão ao Crime Organizado). Recomendação máxima para quem gostou do primeiro livro e dos filmes.